"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Acolher a Palavra de Deus e conservar o ardor da caridade

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Acolher a Palavra de Deus e
conservar o ardor da caridade

Uma das mais bonitas intenções da “Oração Universal” na Santa Missa é quando rogamos ao Pai Celestial para que “saibamos acolher a Palavra de deus, assim como fez a Virgem Maria e, como Ela, conservamos o ardor da caridade”. Nossa Senhora, exemplo incontestável para os cristãos, é modelo de santidade e de amor de Deus. Devemos ser como Ela, que nos ensinou a viver a Palavra e a praticar a caridade com os que viviam em situação de pobreza material e espiritual.
     
“Acolher a Palavra de Deus”, para nós vicentinos, é muito mais que simplesmente ler passagens bíblicas ou o Evangelho do domingo na residência dos assistidos. Significa entronizar, nos nossos corações e sentidos, o real amor de Cristo pela humanidade, na busca das virtudes essenciais para a vida em comunidade, como a simplicidade, a humildade e a generosidade. Acolher a Palavra é mais que levar a Bíblia debaixo do braço; é vivenciar cada alerta ou recomendação de Jesus no sentido de construir um mundo justo e solidário.

“Conservar o ardor da caridade”, assim como fez Maria Santíssima, é outro comendo expresso de Jesus, direcionado especialmente para todos nós, vicentinos. Não podemos jamais perder a esperança e o ardor na caridade, pois só assim mais perder a esperança e o ardor na caridade, pois só assim iremos atingir nossos objectivos maiores: a promoção dos socorridos e a santificação de todos os confrades e consorcias. Não há como negligenciar nesse quesito: ou somos caridosos nas 24 horas do dia, ou fingimos que somos cristãos.

O pedido da Igreja para que os fieis acolham a Palavra de Deus e conservem o ardor da caridade é, acima de tudo, um pedido divino. Deus mesmo, que amou tanto o mundo, pede-nos que façamos igualmente, em nome d’Ele, por meio da vivência do evangelho e da caridade. É impossível “acolher a Palavra” e não se entregar inteiramente à prática da caridade. Como nos falou São Tiago: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2,17).
     
É por isso que há plena conexão entre “fé” e “caridade”. Sem essa relação, a fé, sozinha, padece de prática efectiva para se manifestar; assim como a caridade, por si só, sofre de falta de conteúdo para se materializar. Em outras palavras, a fé sem obras é equivalente a um “egoísmo espiritual” e a caridade sem fé se reduz a mero “ativismo social”.  Em nenhuma hipótese, como filhos de Deus, batizados e missionários, podemos perder o ardor da caridade nem descuidar da vivência da Palavra, sob pena de deixamos de ser o que somos.
    
Por isso, nós, vicentinos, não podemos nos descuidar da nossa vida espiritual, para que nossos atos de caridade sejam sempre cheios de profundidade evangélica e força interior para modificar a situação tão excludente na sociedade. Se tivéssemos bastante fé, poderíamos mudar o mundo (“Se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda…”), como nos recordou Cristo em várias ocasiões (Lc 17,6). Fé e caridade andam de mãos dadas e com elas é possível buscar o Reino de Deus entre nós.  
   
Participar da santa missa dominical, frequentar retiros e horas santas, comparecer a eventos da espiritualidade promovidos pela Igreja ou pelos Conselhos Vicentinos, além da prática dos sacramentos e dos mandamentos, são actividades e posturas que constituem caminhos seguros para que o vicentino esteja sempre atualizado e preparado para os desafios que se apresentam no quotidiano da ação junto aos que sofrem. Sem esse combustível espiritual, a missão vicentina que empreendemos se enfraquece e morre. É isso que queremos?
 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não amemos com palavras mas com obras!

«Não amemos com palavras, mas com obras»
«Do Papa Francisco»

      Graças ao Senhor, muitas pessoas se encontram com Fé viva por meio da SSVP. É para nós Sociedade, louvor a Deus a confirmação que o caminho que percorremos está certo.
      Amar o pobre é o mesmo que como se ama a Deus e através dele, protegemos os mais fracos e desprotegidos. Todos sabemos que a caridade de faz dia-a-dia, mesmo que façamos estes dias de férias vicentinas como lhe querem rotular ao descanso. Mas Deus sabe bem o que faz, como «fez a SVP», deu-nos as voltas e lá estivemos a apoiar uma pessoa que pelo seu aspeto fisicamente um calmeirão, na casa dos 40 anos, mas diminuído moralmente e fisicamente pois parece uma pessoa na casa dos 60. Diminuído moralmente; porque ele como desabafo deixou-me um Apelo: «por favor ligue-me pois não tem ninguém como quem falar…» Diminuído fisicamente; porque foi-lhe amputado uma perna e como tal sente-se diminuído, deprimido, sobre a falta de um membro e perante os olhares dos outros. Ele olha para nós não de frente, mas de cabisbaixo… 
      O Para Francisco irá celebrar no próximo dia 19 novembro, instituído pela Carta Apostólica «Misericórdia et Misera» o “1.º Dia Mundial do Pobre”. Esperamos que ao ser instituído este dia seja marcante para toda a Igreja onde fazemos parte, um marco histórico para todos os cristão e sociedade civil.
      A convite do Papa Francisco fez apelo para que guardemos esse dia dedicado inteiramente aos nossos pobres, com muitos momentos de oração, convívio, solidariedade e “ajuda concreta”.
      O Domingo é dia do Senhor, por isso guarda esse dia para a Amar a Deus não através dos Pobres, mas com os Pobres. Será aqui, que debato com estas poucas palavra como reflexão, deixo a todos.

«por favor ligue-me para ter com quem falar!»

      É com esta frase como reflexão, vamos pensar um pouco nesta frase e pô-la em Obras de Caridade, no dia-a-dia e que não nos passe ao lado estes apelos semelhantes. Temos reafirmado que nas Obras que praticamos como vicentinos é no caminho que fazemos ao lado do Pobres, na visita, no viver um pouco as suas dores, é pratica da caridade, que fazemos o que os outros não sabem fazer: é substituirmos o estado do seu lugar, que não têm capacidade de saber. Amar. Um governo é uma instituição de homens frios, sem coração, sem alma. Como podemos entregar as nossas almas dos nossos pobres a pessoas sem rosto, e frias que se escondem nos gabinetes!

      Por último reforço o apelo feito (vêr o BP páginas 2 ao 7), o apelo do Papa dirigida aos irmãos; bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres – às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se «comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres», se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Cuidar do espírito e da nossa salvação

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Cuidar do espírito e da nossa salvação

    A vida moderna é bastante agitada. Casa, trabalho, escola, contas a pagar, banco, reuniões, vizinhos, viagens, celular, parentes, facebook, televisão, computador, internet. São tantos afazeres e tantos atrativos, que às vezes pedimos a Deus que o dia tivesse umas 30 horas, pelo menos. Tudo muito corrido, superficial, descartável e efêmero; as aparências e os bens materiais tomam conta do cotidiano. Festas, bares, reuniões de amigos, carros, roupas…
        É evidente que a nossa existência deve ser plena em termos sociais e económicos; afinal, somos humanos e Deus nos deu uma vida cheia de oportunidades, ao nos conceder saúde, inteligência, disposição e criatividade. Mas, diante de tantos elementos que chamam a atenção do mundo, percebe-se que o tempo para as coisas divinas está cada vez menor. Por isso é tão difícil recrutar novos membros para as Conferências Vicentinas.
        Cuidamos do nosso físico (academias e parques lotados), do nosso intelecto (escolas, faculdades, mestrados), da nossa alimentação, vestuário, habitação, empregabilidade; mas será que temos dedicado tempo suficiente para Deus? Será que compartilhamos com os mais humildes os bens materiais que possuímos? Cuidamos da dimensão espiritual em nosso ser? Reservamos um tempo semanal para a caridade? Observando a sociedade civil que nos rodeia, percebemos que o tempo destinado aos assuntos religiosos, espirituais e santificados se reduz drasticamente a cada geração. A secularização (que ocorre quando a religião deixa de ser o aspeto cultural e agregação da sociedade) e os meios de comunicação contribuíram muito para que só temas sacros fossem substituídos pelo “politicamente correto”, sendo banalizados e tornados sem importância. Os valores da família, por exemplo, foram completamente destruídos e ai de alguém pensar diferente em relação à domesticação que contamina nossas mentes pelas telenovelas!  
        Ao tratar deste assunto, faz-se fundamental criar uma passagem bíblica em que Jesus nos ensina o que, de fato, deve ser o centro de nossas vidas. No Evangelho S. Lucas (capítulo 10, dos versículos 38,42), encontramos a visita de Jesus à casa de marta, que tinha uma irmã chamada Maria. Maria ficou sentada aos pés do mestre para ouvi-lo, enquanto Marta se distraía com as tarefas domésticas. Jesus, ao perceber as reclamações de Marta a respeito da irmã, disse: “Marta, Marta, está ansiosa e perturbada com muitas coisas. Mas uma coisa só é necessária e Mara escolheu a melhor parte, a qual não será tirada dela”.
        Assim como Marta, às vezes estamos tão preocupados co os afazeres diários que não percebemos a “visita do Senhor em nossas casas”, em nossos corações, em nossas vidas. Muitos nem notam ou sentem a presença Dele. Muitos não tem tempo para participar da missa ou receber os sacramentos. Muitos não colocam Deus como prioridade em sua caminhada. Muitos são ingratos com o Pai Celestial e não agradecem por tudo o que têm. Muitos se ocupam demasiadamente do trabalho, ficam estressados e precisam gastar verdadeiras fortunas com terapias e psicólogos.
        Noutro trecho das Escrituras (Mt 6,31-34), Jesus exorta à multidão. “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia do amanhã cuidará de si mesmo. Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas”. Primeiro, deus e o espirito; depois, as demais coisas. Jesus nos ensinou o mais importante, isto é, ouvir e seguir as palavras do Salvador; depois, o restante. Lamentável é constatar que a sociedade contemporânea consegue encontrar tempo e atenção para tudo, menos para o Altíssimo. Cuidemos do espirito! Cuidemos da nossa salvação! Cuidemos dos Pobres do Senhor!  
                                                                                                                                 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ser missionário, sempre com caridade

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Ser missionário, sempre com caridade

      Durante o ano de 2014, o Conselho Nacional do Brasil (CNB) – nossos irmãos na caridade - da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) propôs que todos os vicentinos reflectissem sobre o tema “Missionários na Caridade”. Este assunto foi prioridade nas reuniões de Conferências e Conselhos naquele ano, nas leituras espirituais e nas capacitações que forem realizadas, tanto para vicentinos quanto para os assistidos.

      Essa proposta de reflexão aborda duas importantes vertentes do trabalho vicentino: o aspecto missionário e o aspecto caritativo. Ser caridoso e ser missionário são, na verdade, condições fundamentais para que os confrades e as consócias possam ser proclamados vicentinos e, assim, tenham a oportunidade de efectuar as visitas domiciliárias às pessoas humildes.
Não podemos misturar “missionários na caridade” com “missionários da caridade”. As duas preposições (“na” e “da”) podem soar como sinónimos, mas tem sentidos diferentes. Missionário da caridade transmite a ideia de que nós, vicentinos, somos “representantes da caridade" e para tal, na qualidade de missionários, desenvolvemos um papel social e espiritual. Contudo, missionários na caridade sinaliza um maior senso de pertencente, isto é, não somos meros representantes da caridade, mas estamos tão envolvidos mela que nos consideramos “dentro” dela. “Missionários na caridade” suscita empatia, participação, comunhão, compromisso e inserção.

      O espírito missionário move todos os confrades e consorcias para, inflamados pela caridade, deixarem o conforto de seus lares para se deslocarem, semanalmente, à reuniões das Conferências, às visitas e às celebrações na igreja. Esse primeiro passo, que pode parecer trivial para muitos, nem sempre é dado. Quantas pessoas nunca fizeram um ato de fraternidade, ou que não vão à santa missa apenas em baptizados ou funerais? Portanto, a primeira etapa da prática do “fogo missionário” começa no “levantar-se” e na disponibilidade de tempo e de talento para a causa vicentina.
Outro aspecto missionário que não pode ser esquecido tem a ver com a família. Se não defendermos a família “com unhas e dentes”, de nada vale ser missionário. Grande parte dos problemas existentes hoje na sociedade civil (violência, crimes, drogas, corrupção, materialismo, egoísmo etc) é oriunda da destruição da família. Combatemos essa tendência secular dotando o modelo da Sagrada Família (José, Maria e Jesus).

      Outro elemento fundamental para a prática do espírito missionário é saber evangelizar, não só levando a Palavra de Deus por meio da leitura dos Evangelhos nas visitas domiciliares, mas também por intermédio do testemunho vicentino. Os assistidos nos observam sempre e precisamos ser, para ele, exemplos de cristandade e de valores humanos.
Todas essas etapas só poderão ser efectivamente trilhadas se o fiel tiver, no coração, a caridade. A caridade é o que nos move. É ela que tudo perdoa e tudo suporta. Por ela, somos atraídos à obra de Cristo e ao amor fraterno para com os irmãos que sofrem. Sem ela, deixamos de ser “missionários” para sermos meros “activistas sociais”.

      Ser missionário na caridade é a dotar a mesma postura, fora ou dentro da SSVP, na hora da visita ou fora da visita; ou seja, é um estilo de vida que perpassa todas as dimensões do ser humano. Toda essa reflexão só terá êxito se houver também uma grande revitalização nas unidades vicentinas, com criatividade, caridade e espírito missionário.
                                                                                                                                 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

segunda-feira, 10 de julho de 2017

São Paulo, os vicentinos e os espinhos

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Há uma passagem bíblica que segue “indecifrada” até os dias de hoje. Tem a ver com o “espinho na carne” ao qual São pulo se refere na 2ª Carta aos Coríntios. Ele assim se expressou: “E para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim

de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: ‘A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na franqueza’. De boa vontade, pois, mais me gloriei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (II Cor 2,7-9).
Estudiosos da Bíblia afirmam que esse “espinho na carne” poderia ser tanto uma doença física quanto algo relacionado ao aspecto espiritual. De qualquer maneira, esse tal espinho era um incomodo na vida de Paulo; mesmo assim, apesar de ter pedido a Deus, por três vezes, que ficasse livre do sofrimento, ele aceitou aquela situação, entregando-o ao Senhor como prova de amor, obediência e fidelidade.
Para alguns, o espinho seria uma infecção recorrente dos olhos; para outros, a circuncisão (pois Paulo era judeu, mas havia se convertido a Cristo e precisava conviver com aquele símbolo judeu). A Bíblia não explica o que, em verdade, seria esse espinho. O que este trecho das Sagradas Escrituras tem a ver com o trabalho vicentino?
Na nossa caminhada, encontramos muitos espinhos, os quais, à vezes, podem atrapalhar nossos projectos e desejos. Vamos começar falando pelo “espinho da pobreza”, que deixa os assistidos em situação de fragilidade e vulnerabilidade. Como fazer para extirpar o 2espinho da pobreza” do seio da sociedade desigual em que vivemos? Oh espinho terrível de se combater! Como gostaríamos de exterminar esse espinho, mas temos que conviver com ele, amenizando, pelo menos, os efeitos desastrosos perante os que mais sofrem.
Outro “espinho da carne” que temos dentro da SSVP é a postura inadequada de certos dirigentes que se envaidecem com os cargos assumidos, como presidente de Obras Unida ou de conselho. Lamentável alguém pensar assim, pois na verdade somos meros instrumentos do senhor para que Ele, Deus, realize os prodígios por nossas mãos e talentos. Somos “servos inúteis” e não podemos ser presunçosos por nada que façamos, pois Jesus mesmo nos orientou: “Quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lucas 17,7-10).
Por fim, outro “espinho na carne” que acompanha os próprios vicentinos é a questão da indiferença e da acomodação que muitos têm em relação aos Pobres. Não podemos deixar que as visitas domiciliárias caiam na rotina e que nossa ação se restrinja à doação de bens materiais e gêneros alimentícios. Também não podemos ficar buscando desculpas por nossas faltas às reuniões e aos eventos vicentinos, pois isso nos enfraquece espiritualmente. A mortificação – uma das virtudes vicentinas – tem tudo a ver com essa incomodidade. Portanto, peçamos a Deus que mantenha esse espinho na nossa carne, para que nunca nos esqueçamos de que somos ferramentas Dele.
A nossa esperança reside na promessa de Deus para com os Pobres e para com aqueles que ajudam os Pobres: “Com equidade, Ele julgará os Pobres. Ele libertará o indigente que suplica e o Pobre ao qual ninguém quer ajudar “(Salmo 71). Deixamos algumas perguntas para reflexão na Conferência: Qual é o espinho que mais atrapalha no dia a dia da Sociedade de São Vicente de Paulo? É o espinho externo (ligado aos assistidos, como a miséria e a desigualdade) ou o interno (referente aos relacionamentos dentro das Conferências e Conselho)? Ou são os espinhos espirituais e físicos?    

Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

sábado, 24 de junho de 2017

O que sou hoje como vicentino!

O que sou hoje como vicentino!
         
          No percurso do caminho como vicentino terei que recuar no tempo dos anos 60, na cidade do Porto, numa freguesia da Beira-Rio, de gentes que dedicava a sua vida a trabalhar como estivadores em carga e descargas de carvão, do bacalhau os Barcos Rebelos que descarregavam nos Cais da Ribeira, o Vinhos do Porto. Hoje os tempos são outros, outras vidas, hoje vive-se do turismo e de hotéis.

          Eu ainda jovem, recebi um convite para ir a uma reunião de vicentinos em São Nicolau, às terças-feiras. Lá fui nem sequer sabia em que me ia meter… Mas fui. Os meus primeiros passos como vicentino, aos 17 anos, foi passar a assistir a umas reuniões, depois pediram-me para fazer umas visitas a casa de pessoas “Os Pobres”.  Logo ensinaram-me que na missão de um vicentino nunca devia dizer a palavra “NÃO”, a não ser por motivos fortes pois ajudar os pobres, era servir a Deus através deles.

          Os meus primeiros trabalhos como vicentino, passou na marginal da Foz do Douro na recolha de roupas, mobiliário entre outras, para o Farrapeiro. Depois percorri as ruas da paroquia: - Mercadores, Reboleira, o Cais da Ribeira, Av. Gustavo Eiffel e o Bairro do Barredo. Nas minhas deslocações que fazia estava longe de pensar que para “Ser Vicentino” passava pelas visitas ao domicílio, pensava eu, que era uma intromissão nas suas vidas privadas, mas na caminhada percebi que o fazer a “Visita ao domicílio estava o “chamamento de Deus” no serviço ao pobre, ir “cheirar” a pobreza, estava ali a Caridade.
          Muitas vezes a Conferência (como era pobre) o nosso pároco, graças a Deus hoje ainda vivo, (nos deixava fazer um peditório num dos ofertórios de uma das missas) e com algumas ajudas lá conseguíamos orientar as contas que, quase sempre a zero. Nesse tempo, recordo que o nosso assistente espiritual, nos dizia com esta frase: «Que não seja por falta de dinheiro que deixemos de fazer a Caridade». Às minhas visitas, algumas vezes não levava nenhuma saca com alimentos, não havia nessa altura abundância, levava a minha visita como jovem, a conversa e sei que a partir de determinada altura senti, que já não dava ir a casa de um pobre sem levar alguma coisa para eles comerem, partilhar. Pensei então; tenho que levar alguma coisita comigo. Estávamos nos anos 60 ao visitar uma família senti um vazio que pairava no ar pois no atendimento quando cheguei, reparei que um deles ao aperceber-se que era eu, encolheu os seus ombros olhou para o chão a memorar baixinho consigo: para que vem chatear-me se não me trás nada… Sem me desmanchar cumprimentei-o e o senhor com boa educação lá me atendeu: bom dia com um sorriso forçado…

          Em contrapartida um dia deram-me a tarefa de visitar o “Carlinhos da Sé”, no Barredo, uma figura típica da cidade, um senhor que tinha uma doença genética, problema que hoje seria resolvido com uma operação e mudança de sexo. Bom, o agradável dessa visita, sem levar a saca de alimentos o “Carlinhos da Sé”, ficou feliz contou-me a sua estória da sua saúde, desabafou que não tinha culpa de ser assim, chorou da sua má sorte da sua vida, mas compensou-me esta visita, este senhor, sem pedir nada recebeu-me de braços aberto para conversar comigo. Estava ali a verdade da chamada Caridade. Hoje como Vicentino da minha Conferência, já nos tempos de “fartura” visito um casal e a minha preocupação com eles e a promoção por uma vida melhor. Estou atento, aos movimentos de forma a que um dia possa dizer que a partir dessa altura consiga… com vontade dos próprios, devolver alguma dignidade e respeito que eles merecem e que possam não estar dependentes do pouco que lhe damos que, passem a ser homens e mulheres com direito e deveres a serem olhados como pessoas importantes e independentes. Não é fácil pois é uma família com alguma falta escolaridade, de recursos e falta de empregos; quatro adultos.

          Agora, nesta altura a minha caminhada foi mudando com mais responsabilidades pelas tarefas que exerço num conselho. Escolhi partilhar a pensar contribuir para que os meus caríssimos confrades, também, nos tempos de férias que se aproxima possam fazer uma paragem e pensar como vicentinos; «o que sou hoje como vicentino». São tarefas que estamos “Todos” comprometidos desde o nosso compromisso a Deus, à sociedade, aos pobres. O melhor e mais agradável no conselho é que eu tenho, uma equipa que trabalha comigo sempre disponível, com sentido pelos outros, pelo amor e com caridade que eu sinto a forma das suas decisões, é gratificante. “SVP é que tem a culpa disto tudo…”

          S.V. Paulo não ficará certamente zangado comigo se lhe pedir um favor, mais um; que tenha paciência em me aturar e que também ajude todos os outros vicentinos.

          Hoje debate-se na sociedade o que andamos a fazer dizem; se calhar fazemos uma caridade assistencial, da saca de compras, do ir buscar às sedes. Poderemos ficar só com a distribuição das sacas, e desleixarmos com a visita ao domicilio distribuindo “Afetos”; ouvir, pensar, ajudar, sofrer com eles e dar ideias para que eles se possam libertar da sua condição dependência?... Hoje tenho insisto com escritos e com palavras para que os vicentinos façam o que São Vicente de Paulo e Ozanam nos deixaram: A Visita Domiciliária.

          Eu acredito que existe uma diferença como se faz e o modo como haja um vicentino na Caridade. No espírito do vicentino o serviço ao Pobre é dar-se no serviço de Deus, interagir com os pobres reconhecendo nas pessoas que tem habilidades físicas e mentais suficientes para sair das dificuldades. 

          Recordo uma pequena passagem do filosofo, francês Fabrice Hadjad sobre a condição da mulher como mãe que do seu ventre tem um filho ele dizia: é preciso “Recolocar o Homem no Centro”. ele dizia uma Mãe, ama o seu filho ajudando-o, encaminha-o, tenta colocar o seu filho como homem e mulher no centro ensinando a tomar mais tarde as decisões, dando-lhes a dignidade de pessoa humana.


F.Teixeira

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Membros Conselho Zona Gaia Norte

Composição dos membros do Conselho de Zona de Gaia Norte
Vigararia Diocesana Gaia Norte

1-Conferência Vicentina Divino Salvador-Valadares
Presidente: - Paula Cristina Rocha Silva.
2-Conferência Vicentina Divino Salvador-Vilar Andorinho
Presidente: - Serafim Geraldo Moreira Meira
3-Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Hora-Madalena
Presidente: - Maria Adelaide Dias Santos.
4-Conferência Vicentina de Santa Eulália-Oliveira Douro
Presidente: - Fernando Gonçalves Ferreira
5-Conferência Vicentina de Santa Isabel-Candal
Presidente: - Arminda Jesus Leite Marques
6-Conferência Vicentina de Santo André-Canidelo
Presidente: - Pedro Miguel Branco Silva
7-Conferência Vicentina de Santo António-Valadares
Presidente: - Maria Olimpia Barbosa
8-Conferência Vicentina Santo Ovídio
Presidente: - José Carlos Baptista.
9-Conferência Vicentina de São Cristóvão-Mafamude
Presidente: - Maria da Conceição Silva Pereira
10-Conferência Vicentina de São Gonçalo-Mafamude
Presidente: - Maria da Glória Espirito Santo.
11-Conferência Vicentina de São Francisco Assis-Avintes
Presidente: - Ana Rita Ribeiro Vigário.
12-Conferência Vicentina de São Martinho-Vilar do Paraíso
Presidente: - Mimosa Rodrigues Guerra.
13-Conferência Vicentina de São Pedro-Afurada
Presidente: - Manuel Augusto Santos Ferreira Lapa
14-Conferência Vicentina de São Pedro-Avintes
Presidente: - Licínio Tomás Moreira Santos.
15-Conferência Vicentina de São Tiago-Oliveira do Douro
Presidente: - Joaquim Augusto Ferreira Silva.
16-Conferência Vicentina de Santo Afonso-Coimbrões
(em formação)


Atualizado em 2017-06-23