«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" com dinheiro deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Cuidemos da casa comum

Nestes tempo para cá, o mundo e mais propriamente o nosso pais tem-se deparado com algumas alterações climáticas e, muito recentemente com incêndios pelo pais mais concretamente a norte. Por outro lado deparamos-nos com algumas situações nas ruas e queixamos-nos da falta de educação e higiene nas pessoas que espalham o lixo fora dos contentores, por outro vemos inundações, deslizamentos de terras, poluição dos rios (recentemente no Tejo), peixes mortos, alterações do clima (hora está calor, ora frio de mais), para além de gases libertados de dióxidos pelos carros, etc, etc. Hoje as crianças começam a dar-nos alguns exemplos praticos de sabedoria e vão chamado à atenção dos adultos pela falta de higiene nas ruas entre outras chamadas. Ainda bem...
O Papa João Paulo II na sua primeira Encíclica «Carta Encíclica Redemptor Hominis» lembra-nos sobre a destruição do ambiente humano é um facto muito grave, porque, por um lado, Deus confiou o mundo ao ser humano e, por outro, a própria vida humana é um dom que deve ser protegido de vários formas de degradação. 
Já o patriarca Bartolomeu tem-se referido particularmente à necessidade de cada um se arrepender do próprio modo de maltratar o Planeta, porque «todos, na medida em que causamos pequenos danos ecológicos», somos chamados a reconhecer «a nossa contribuição - pequena ou grande - para a desfiguração e destruição do ambiente» Sobre este ponto, ele pronunciou-se repetidamente, de maneira firme e encorajadora, convidando-nos a reconhecer os pecados contra a criação: «Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus; quando os seres humanos comprometem a integridade da Terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a Terra das sua florestas naturais ou destruindo as suas zonas húmidas; quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar... tudo isso é pecado» Porque «um crime contra a natureza é um crime contra nós menos e um pecado contra Deus» 

O Papa Francisco cita na sua Segunda Carta Encíclica: 
1. «LAUDATO Si, mi' Signore - Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso Cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar, ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras»

2. Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e m e sofre as dores do parto» (Rm 8,22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do Planeta; o seu ar permite-nos respirar e a sua água vivifica-nos e restaura-nos. 

São temas que nos deve preocupar e para tal devemos dar a nossa contribuição ativa pois este pequeno texto transcrito dará excelentes pensamentos no «Encontro quaresmais 2018, que terá lugar na Casa Diocesana de Vilar no dia oito de março, pelas 10horas e as 17horas, para a qual a direcção do Conselho de Zona convida todos os que poderem a participar, que será ser baseada no Tema Geral: "Laudato Si" e a vivência da caridade.
Devemos parar um pouco e antes de "Agir"; «Repensemos o que somos, o que fazemos e para onde vamos».

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Diálogo de Jesus com o Leproso!

Conta o Evangelho de São Marcos (Mc 1, 40-45).

Naquele tempo,, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar.me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: »Quero: fica limpo» No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho» Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade sem ser visto. Ficava fora, em lugares desertos e, vinham ter com Ele de todo a parte.

Ao texto podemos fazer esta reflexão interior: Sim vai, faz e não digas nada porque os olhos vêem, ou ouvidos ouvem, é preciso que acredites que amar pode ser feito também em silêncio sem berros, sem exaltações. 


"Uma uma história que me lembrei adaptar a esta reflexão."

«Certo dia um filho após o falecimento do pai, colocou a sua mães num asilo, e a visitava de vez em quando.
Um dia recebeu uma ligação do asilo, informando que a sua mãe esta a morrer. 
Perguntou à sua mãe: o que quer que eu faça por si minha mãe?
A mãe disse-lhe: quero que tu coloque ventiladores no asilo, porque eles não têm e quero que tu compre uma frigorífico também, para que a comida não se estrague. A mãe em desabafo vai dizendo: muitas vezes dormi sem comer nada! 
O filho ficou admirado pelo pedido  feito nessa altura e perguntou-lhe: mas porquê que me pede isso agora uma vez que está quase a morrer?
A sua mãe triste respondeu-lhe: eu sempre me acostumei com passar fome e o calor, mas o meu medo é que tu não estás habituado, quando os teus filhos te colocarem aqui, quando estiveres já velho!

Então perguntar-se-ia porque é que os filhos de hoje não cuidam, não tomam conta dos seus pais, não os visitam pelos menos quando mais precisam, e outros que tem tempo abandonam-os.! Mas será que a nossas mães ou nossos pais não merecem a nossa atenção? E Ela "como exemplo acima" mesmo já prestas a partir não se preocupa connosco, contigo, comigo?... 
Então mesmo que estejas de azedume, amargurado, zangado com alguma coisa, é altura de quebrares o teu coração cheio de gelo, ou de vergonha, porque eles estão sempre à nossa espera. Vai e diz a Deus que te perdoe e que estás lá presente para que ELE, acredite como ordenou. 





quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

COMO SE VIVE DO RELENTO!


Foto de Teixeirado Czgn Porto.

Como vicentino direi que se trata de um entre umas um caso que o Estado não tem capacidade física nem moral de intervir. Dizia-nos São Vicente de Paulo:   
«Quando o egoísmo sob qualquer nome se manifeste, procura isentar os indivíduos do dever de assistência para colocá-los nas mãos do Estado, a caridade legal não passa de uma ficção legal, que primeiro engana os povos e depois os arruína». cito: Javier F. Chento-CM.
Continuamos no dilema de hoje, o pobre faz da rua, do portal a sua residência natural; encontra-se chateado das companhias; ou das seus familiares; ou da sua vida quiçá por motivos de separações conjugais; dos amigo e dos inimigos também e, vivem assim; num canto, envolvidos em mantas, escondidos de nós de todos... vive no relento. 
Como se podia não resolver «porque pobres teremos sempre» minorar estas situações ?
O que será uma renda?:
É dinheiro?  É um favor? 
É uma decisão que se toma como uma contrapartida de um bem imobiliário que se arrenda para angariar certos lucros imobiliário ou um bem, juros, acções... Mas consideremos a primeira a mais correta. Não me refiro a este termo economicista mas um outro arrendamento caris evangélico; empresta-se o que Deus nos faculta, nos confia para viver sim,não é nosso e um dia deixamos cá tudo mas, o pensar o dia de amanhã poderá ter várias interpretações próprias...
A renda de um vicentino não é monetária é fazer render o peixe pescado que depois é distribuído é também fazer render (dando uma esmola devolvendo a dignidade) a que toda a pessoa tem direito de ser colocado no centro da vida e do poder, é fazer render com sobriedade tudo aquilo que Deus nos empresta para vivermos com dignidade para a qual poderíamos ajudar "o homem de relento" era que devíamos, como exemplo (não de miséria) mas de ter uma vida um pouco mais de pobreza, não fazia mal nenhum,  pois só viver uma viva de pobreza leva, transporta a vida de Deus a beira dele, com ele para junto dele e, nestes casos:  "ver", "cuidar" "decidir" pode fazer diferença, uma  caridade "Misericórdia" praticada na Sociedade de São Vicente de Paulo numa sociedade civil melhor com dignificada. 
Sei que não é fácil, à SSVP-Porto não tem maus a medir e sei que também quem nos podia dar a mão remete-se aos silêncios. Silencios que F.O. nos aponta como exemplos como não devia-mos praticar, direi; receios do confronto, da decisão, mas os desafios de SVP  e F.O., nao cairiam em saco roto... 
E assim, os amigos, os melhores-amigos dormem escondidos, ao frio e relento do tempo que Deus criou, o frio.
Como vicentino, ultimamente tenho debatido por esta situação de falta de lares mas sinto-me impotente sou no meio disto tudo uma espécie de rato que não consegue alcançar uma montanha.
A tal montanha de: ver, ouvir, decidir. Na sociedade civil temos tanta necessidade de lares para pobres e não há. No Porto temos a Casa Ozanam Lar Residêncial, que não chega para as encomendas, excelente obra de Deus confiada aos homens.
Muito recentemente o Papa Francisco lançou o repto para que os imóveis livres não sejam vendido para hotéis.  Por outro lado os pobres dormem na rua. Os doentes estão em casa horas a sós, entregues a si. Há pessoas pobres que são assistidas e não há um vicentino ou vicentina oferecer-se para pelo menos uma vez por semana cuidar, acompanhar um doente em casa. 
E, entretanto há os que consegue romper com as reservas, dos fundos, ou depois logo se ve quem vai pagar.  E os pobres?
E os pobres são lixo, fazem parte na contagem das estatísticas.
Eu não me conformo com este situacionismos. 
«A melhor forma para eu não fazer nada é: não me peças nada, nem um favor, não vi e não sei de nada.»  Frederico Ozanam, tem toda a razão...   

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

«O Pacto das Catacumbas - 1965»


"A Missão dos pobres na Igreja" 
a partir do Concilio Vaticano II

Em 2015, a Igreja católica celebrou o quinquagésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, que representa um ponto alto da sua história de dois mil anos. No final daquele evento, inspirados pelo que se fazia e dizia na Aula conciliar, cerca de quarenta bispos de vários países reuniram-se nas catacumbas de Domitila para assinar o que hoje se conhece por O Pacto das Catacumbas de Domitila, um texto e projeto que manifesta a «Missão dos pobres na Igreja». Hoje existe opinião por parte do setor clero que o pacto deva ser conhecido dos cristãos, que outrora pouco divulgado, mas o Papa Francisco, lembrou que era ocasião do cinquentenário para celebrar, lembrando o espirito do Vaticano II o Pacto das catacumbas de Domítila pode e deve servir de inspiração e orientação para toda a Igreja.
Nós, bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos das deficiências da nossa vida de pobreza segundo o Evangelho, incentivados uns pelos outros, unidos e com a graça de Deus nos quer dar, comprometemo-nos aos que se segue: 

Texto: O Pacto das Catacumbas

No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes do encerramento do Concílio, cerca de quarenta Padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas catacumbas de Domitila. Pediram para «ser fieis ao espirito de Jesus» e, ao terminar a celebração assinaram o que chamarão de «Pacto das Catacumbas». O Pacto é um convite aos «irmãos no episcopado» para que levem uma «vida de pobreza» e sejam uma Igreja «serva e pobre» como queira João XXIII. Os signatários – entre eles muitos latino-americanos, aos quais se uniram depois outros – comprometiam-se a viver em pobreza, a rejeitar todos os símbolos ou privilégios de poder e a colocar os pobres no centro do seu ministério pastoral. 

1.)  Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf.Mt 5,3;6,33s;8,20.

2.) Renunciamos para sempre à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrante), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9;Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3.) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, das obras sociais possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.

4.) Sempre que possível, confiaremos a gestão financeira e material na nossa Diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostolado, em vista de sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At 6,1-7.

5.) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor…). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.

6.) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceites, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7.) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos os nossos fieis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8.) Daremos tudo o que for necessário do nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc, ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos operários e, economicamente mais débeis e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários, compartilhando a vida operário e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.

9.) Cônscios das exigências da justiça e da caridade e das suas relações mútuos, procuraremos transformar as obras de «beneficências» em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf Mt 25,31-46; Lc 13,12-14.33s.

10.) Poremos tudo em obras para que os responsáveis pela governação e pelos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmonioso e total do homem todo em todos os homens e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos dos homens e dos filhos de Deus. Cf. At 2,44s; 4,32-35; 5,4; Cor 8-9; 1 Tim 5,16.

11.) Uma vez que a colegialidade dos bispos encontra a sua realização mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral – dois terços da humanidade – comprometemo-nos:
  • a participar, segundo os nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
  • a requerer, juntos, ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas económicas e culturais que não produzam mais nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem da sua miséria.
12.) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, a nossa vida com os nossos irmãos em cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que o nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
  • esforçar-nos-emos para, com eles, «rever a nossa vida»;
  • segundo o espirito, do que chefes segundo o mundo;
  • procuraremos a ser o mais humanamente presentes, acolhedores…;
  • mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; Tim 3,8-10.13)
13.) Tornados às nossas respectivas dioceses; daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes que nos ajudem com a sua compreensão, o seu concurso e as suas preces.
         Que Deus nos ajude a ser fieis.


Mensagem final aos caros confrades.:  
«Nesta pequena parte do livro 2.ª Edições Paulinas, o mais importante a conhecer dos 13 pontos do Pacto, para nós vicentinos que possa dizer respeito especialmente ao nosso conselho, com responsabilidades de dinamizadora, de gestão, de serviço nas nossas conferências, servirá de estudo, reflexão interior mas, acima de tudo que sirva de convite ao aperfeiçoamento de sermos também, membros de uma Igreja pobre... 
Não faz sentido que um vicentino pelo compromisso assumido, não seja a exemplo dos signatários em Domitila, não se incluíam na vida vicentina, seguindo uma vida de pobreza, contando sempre com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. Faz sentido que sejamos pobres nas nossas opções de escolha de vida e gestão dos bens a nós confiados. Um vicentino deve ser «Em Missão dos pobres na Igreja», como actores da fé. Sem ter que fazer uma vida de mendicidade, não é esse o nosso lema, como primeiro passo a dar por quem vos confia este texto, assim irá seguir ajudando daquelas precisem. Este compromisso teve como signatários os Padres presentes em Domitila, mas sobre ele, foi pedido que fosse dado a conhecer para todos cristãos. Espero que este pequeno texto possa tornar um farol um guia na nossa vida e missão…» 
Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo.


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Último fôlego no Réveillon 2017 na Entrada Novo Ano Vicentino!


No virar do último dia do ano no calendário Gregoriano (adotado pelo Papa Gregório XIII a 24 de fevereiro 1582), pela bula Inter-gravíssimas, veio substituir o calendário Juliano implementado por Júlio César em 46 a.C., vamos celebrar a que chamamos o “Réveillon”, no verbo significa “despertar”, queria convidar-vos a fazer uma retrospetiva do ano 2017 que passou e que pode ajudar-nos fazer uma reflexão mais séria, para o nosso “despertar” às ações vicentinas de um novo ano agora que se inicia.
Analisemos o Ano 2017:
«Ser Líder» - Como analisamos a nossa capacidade de liderar um grupo de confrades/vicentinos, na Regra é-nos pedidos no Compromisso exemplos; dedicação, saber ouvir, aconselhamento, dar respostas. O que nos anima a colocar sempre dois passos à frente do grupo de vicentinos de distância que lideramos? Daremos esse testemunho de ação vicentina de sermos os primeiros ao serviço como servos!...
«Reuniões» - Como analisamos, as reuniões de Conferência será que somos assíduos e que participamos ativamente disponibilizando-nos ao “Sim” ou colocamos o nosso “Não” a tudo que nos é solicitado, qual a importância dada neste sentido!...
«Carisma» - Faz sentido, na nossa Missão junto dos nossos melhores-amigos chamamos à nossa sede por sistema e/ou vamos fazer a nossa visita domiciliaria, que importância tem para o vicentino a forma que S. Vicente de Paulo e Frederico Ozanam nos deixou como um dos principios do vicentino!...
«Evangelizar» - Que modo nos apressamos aperfeiçoar a nossa Fé, quando nos é facilitado anunciar e deixar a nossa marca de Cristãos, convidando os nossos-amigos a assistirem à Eucaristia, dizendo que está lá, a presença de Jesus. Não será talvez a forma mais fácil de manifestação de fé que temos com eles deixar um convite!...
«Nossa Voz» -  Como participamos nos encontros programados dos conselhos com a nossa opinião e sentido critico, denunciando no necessário, colaborando também com a entidades do estado; (JF, CM, SCML-P, Cáritas) e também com a Igreja, porque temos demasiado receios expor as necessidades no sentido que os mais idosos continuam a não ter um lar onde passar os seus tempos, que (só Deus sabe por quanto tempo), analisando com todos incluindo a igreja, que ainda existem muitos imoveis disponíveis poderem ser utilizados!...
Será que o nosso silêncio é mais forte que a nossa palavra, será que a nossa palavra é menos forte por quem não tem voz! Será que nos sentimos comprometidos?...

«Dar e Receber» - Por fim partilhando algumas frases deixadas do Presidente C. G. I., o confrade Renato Lima, na sua visita a Portugal, deixou-nos alguns pedidos e recomendações por sua natureza nos pode ajudar nesta reflexão de fim ano, na primeira reunião de conferência. 


Pedidos:

1 – Rezem bastante pela canonização de Ozanam e integrantes da direção do CGI;
2 – Mantenham a unidade dentro da SSVP; e
3 – Sejam sempre muito generosos nas coletas, doações, apelos e campanhas desenvolvidas pelos Conselhos.

Recomendações: 

1 – Tenham uma vida espiritual plena, com a participação da Santa Missa e sacramentos;
2 – Participem ativamente dos eventos vicentinos, promovidas pelas Conferências e pelos Conselhos;
3 – Abram espaços para os jovens e convidem-nos a entrar “numa altura que saem do ensino da catequese e sem grupos onde participar”, demonstrando compromisso com a renovação;
4 – Sigam fielmente a Regra da SSVP, mesmo com todas as imperfeições nela contidas;
5 – Evitem conflitos, vaidade e intrigas, pois esses afastam-nos de Deus;
6 – Defendam os valores da família e do Evangelho, especialmente no momento da visita domiciliária; e
7 – Foquem as vossas energias no que realmente interessa: a promoção dos mais necessitados e a nossa santificação pessoas



BOM ANO NOVO-2018

Fernando Teixeira








dois mil e dezassete 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Festa regulamentar 8 Dezembro - Avintes

Em dia de “Solenidade da Imaculada Conceição” recordemos alguns passos como foi instituída a SSVP - 08 dezembro 1835 sobre a protecção da Virgem Maria.

A Virgem Maria foi escolhida sobre proposta como Protetora da Sociedade São Vicente Paulo por Frederico Ozanam em reunião a 4 fevereiro de 1834, sendo acrescentada as três Ave Marias. Na mesma altura sob a presença de outro confrade Le Prevost ter proposto que a SSVP ficasse colocada como Patrono São Vicente de Paulo. As propostas foram aceites.
Estava batizada a Sociedade.

A partir daí a Sociedade ganha a força necessária espiritualmente, para que a assistência aos pobres dessa continuidade do seu caminho. No entanto na Sociedade Vicentina ganha mais adeptos entre elas aparece uma Filha da Caridade que foi o braço direito da SSVP. Como podemos dizer “atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. Foi: “Rosália Rendu” uma Filha da Caridade que bebendo do espirito dos fundadores Lazaristas e das Filhas da Caridade, tornando-se um braço direito de Ozanam quando surge a Sociedade S. Vicente Paulo, a quem lhe são pedidos alguns apoios para a obra, fornecendo o primeiro modelo chamadas “senhas” que serviam para recolha de alimentos.

Em boa verdade e antes da existência da Sociedade São Vicente de Paulo propriamente dita, existiu no seio de alguns estudantes universitários em Paris, a qual fazia parte alguns companheiros de Ozanam, a chamada Conferência da História que servia como formação intelectual entre os jovens universitários. Ozanam decidido, inquieto vai organizando no seio da conferência e depois de algumas reuniões havidas entre os seus amigos, “alguns de uma ala de pensamento diferente” de Ozanam a 23 de Abril de 1833 surge a reunião dando os primeiros passos na criação da primeira Conferência da Caridade no número 8 de Rue du Petit Bourbon de Sant-Sulpice. A fundação da Sociedade de São Vicente de Paulo-SSVP é constituída em uma sociedade dedicada à pratica de caridade e oficialmente reconhecida a 8 de dezembro 1835. Na constituição da SSVP, havendo nessa altura já formadas 4 Conferências de Paris e a Conferência de Nimes e constituídas, fazendo parte seis a sete jovens que participavam na Conferência de História, entre outros mais tarde: Emmanuell Bailly, Paul Lamache, François Lallier, Le Taillandier, Jules Davarix, Felix Clave e Frederico Ozanam, começam a dar corpo pela seu carisma de pensamento em SVP, surge então a Sociedade de São Vicente de Paulo, constituída como Sociedade, uma Instituição sem fins lucrativas, o seu único meio de receitas eram as contribuições entre os membros e outros donativos recebidos na altura e no seio de familiares dos membros, alguns certa forma abastados, os seus membros dedicavam o seu tempo à beneficência na praticar da Caridade. 

Como sabemos nesta altura em período de guerra napoleónica a obra teve inicio como «um dos fundadores da SSVP, guia e modelo. É reconhecido que realmente o seu mentor que deu corpo à obra foi depois mais tarde reconhecido como fundador da Sociedade o confrade Frederico Ozanam, que em reunião em conjunto com Emmanuel Bailly como Presidente Geral da Sociedade iria ser escolhido como vice-presidente Le Prevost. 
    
Assim todos os anos como tradição a SSVP em Solenidade da Imaculada Conceição dedicamos minutos em especial à nossa Mãe do Ceu e nossa Protetora em todo o mundo em momentos de vigília em oração e da Eucaristia, os vicentinos reúnem-se neste dia renovam o seu compromisso e outros fazem-no pela primeira vez..

Hoje todos os vicentinos reconhecem que a sociedade (reunião de pessoas unidas pelas suas ideias comuns) não foi obra só de um homem, mas de um conjunto de jovens estudantes pelo menos seis, que deram corpo à sociedade espalhada pelo mundo. 
O vicentino faz o seu caminho ao serviço de Deus e dos Pobres dentro do um compromisso assumido, «Prometo observar fielmente o espirito e os preceitos da Regra da sociedade de São Vicente de Paulo e procurarei dedicar-me ao serviço do próximo, nele vendo sempre o próprio Cristo, segundo os exemplos de Vicente de Paulo e de Frederico Ozanam. Assim Deus me ajude», principalmente na sua comunidade local que é principalmente a sua paróquia, inseridos na Pastoral da Caridade. Uma Conferência pode ser fundada em qualquer lugar que o justifique; Exemplo: comunidade de ciganos, bairro e/ou num grupo de organizado numa fabrica. No entanto deve prestar o serviço na sua comunidade onde são mais conhecidos e por uma questão, também de descentralizada de serviços e meios. Uma Conferência não se deve fechar sobre si mesmo, mas abrir horizontes e em Ir ao encontro dos que têm mais necessidade vendo sempre neles os nossos melhores e mais chegados amigos.
Uma associação como a nossa, é composta de homens, homens que tentam ser melhores, mas não são perfeitos “somos todos pecadores”, mas também, á que saber entender que uma sociedade civil pode não ser só formada por capitais financeiros, mas pode ter e tem, muitos validos, capitais humanos. Falíveis é certo, mas contribuem com o seu valor humano e vão dando corpo e alma à Sociedade Vicentina. 

Depois da solenidade à Virgem Maria ocorrida dias atrás, é tempo de podermos refletir numa altura que se aproxima o Natal, mas também um tempo de reflexão para o novo ano que se aproxima, “é já ao virar da esquina” e pensemos assim:
«Aparecer é diferente de fazer-se presente» e há quem faça sacrifícios da família do seu meio comunitário está presente, mas, não consegue pensar sempre no seu “silêncio”, que mexe com os Afetos de quem faz o esforço. Uma comunidade de família se mede pela sua capacidade do compromisso e todos nunca somos demais para fazer o que ainda não foi feito. Deixemo-nos de pensar demasia no capital financeiro “perdemos demasiado tempo, um dia cá o deixamos e que não seja a falta dele, que impeça fazer ainda muita coisa por fazer, apostemos no capital humano que temos em nós.  
Termino com um pensamento que nos deixou como mensagem pelo nosso bispo do Porto D. António F. dos Santos e um vicentino também:


«Sejamos audazes, criativos e decididos. Sobretudo onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem. Os pobres (os melhores-amigos) não podem esperar» 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

EMPATIA ENTRE O PIANO E O VIOLINO

Existe uma empatia entre o piano e o violino, pois ambos são instrumentos musicais que tem o objectivo de produzir musica.
Ora a empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que outra pessoa sentiria, procuram ajudar uns aos outros, podemos dizer que o ser simpático é ter afinidades identificando-se com o próximo. colocar-se no lugar do outro.
Então podemos dizer, do mesmo modo se o piano e o violino se identificam pelos sons que produzem um vicentino pode saber tocar esses acordes musicais da mesma forma na sua missão de serviço.
Ora um vicentino pode e deve ter essa capacidade de ter essa perceção de empatia mesmo que seja à distancia.
Um vicentino por formação cristã e por ter fé em Deus, deve procurar viver a sua vida com empatia, diria ser simplesmente simples.
Para podermos ter respostas a esta interrogação podemos pensar ainda melhor como S.V.Paulo entendia sobre a simplicidade:

A virtude da Simplicidade educa-nos na capacidade de desenvolver os valores da verdade, da sinceridade, da transparência. Viver plenamente a simplicidade nos ajudará a evitar ser falso uns com os outros e muito menos com um povo; por estas virtudes somos chamados a ser simples, a dizer as coisas como são, sempre com sinceridade em relação à outra pessoa.
Diante dos desafios que o pluralismo de ideia e de valores e contravalores que a sociedade capitalista nos impõe, precisamos ficar mais atentos em relação à nossa postura junto ao povo e o cultivo de valores que não são transitórios, mas base para a vida com dignidade. O povo ao qual procuramos evangelizar se aproximará de nós mediante nossa postura diante dele. A simplicidade impregnada em nossos atos possibilitará essa pedagogia de aproximação do povo mais simples a nós e vice-versa.
Já SVPaulo definia na sua vivencia a importância desta virtude e dizia que: “A simplicidade é a virtude que mais amo, eu a chamo de meu evangelho”

Também o nosso presidente geral internacional nos deixaria algumas recomendações a quando a sua visita em Portugal no ano 2016 que acho ser oportuna. Dizia:
  1. Sigam fielmente a Regra mesmo com todas as “imperfeições” nela contidas. 
  2. Evitem conflitos, ou interesse individuais, vaidades e intrigas pois essas afastam-nos de Deus.
  3. Defendam os valores da família e do evangelho, especialmente no momento da vida domiciliária. 
  4. Foquem as energias no que realmente interessa: a promoção dos mais necessitados e na sua santificação. 
Acrescento pela vivência durante estes anos antes e agora, para se conhecer e saber lidar com a pessoa é preciso ouvir essencialmente de quem se queixa da vida, dela que não têm culpa.
Eu pessoalmente tive uma experiência única, nunca me esquece e por ventura marcou as minhas escolhas. Um presidente incumbiu-me de fazer uma visita ao “Carlinhos da Sé” a minha visita foi de uma vivência e de uma utilidade para mim que hoje tenho insistido com outros vicentinos: é necessário a visita ao domicilio, é necessário criar empatia com outro em saber ouvir para dar respostas com aos seus problemas... Ouvir... Do Carolinhos ouvi, hoje posso dizer que nunca sou agressivo nem inconveniente, ouço as pessoas com os afectos que eles merecem, o respeito.  A minha escuta foi o resultado da empatia criada com o Carlinhos sentindo nele o aconchego de choro, de lágrimas de quem o escutou, respeitando as diferenças.
A vida é feita de dificuldades, mas nada é insuperável desde que disponhamos a ouvir, comentar e depois da critica, darmos alternativas, pois como diz o presidente Renato Lima; devemos aceitar mesmo com as imperfeiçoes pois tudo é contruído na base do dialogo, com ideias. Façamos render os dons de talentos que tenhamos e não façamos como fez o mau servo, enterrando um talento, com medo de poder render o dobro. (S.Mateus 25,14-30).
assim seja.