"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

sábado, 9 de dezembro de 2017

Festa regulamentar 8 Dezembro - Avintes

Em dia de “Solenidade da Imaculada Conceição” recordemos alguns passos como foi instituída a SSVP - 08 dezembro 1835 sobre a protecção da Virgem Maria.

A Virgem Maria foi escolhida sobre proposta como Protetora da Sociedade São Vicente Paulo por Frederico Ozanam em reunião a 4 fevereiro de 1834, sendo acrescentada as três Ave Marias. Na mesma altura sob a presença de outro confrade Le Prevost ter proposto que a SSVP ficasse colocada como Patrono São Vicente de Paulo. As propostas foram aceites.
Estava batizada a Sociedade.

A partir daí a Sociedade ganha a força necessária espiritualmente, para que a assistência aos pobres dessa continuidade do seu caminho. No entanto na Sociedade Vicentina ganha mais adeptos entre elas aparece uma Filha da Caridade que foi o braço direito da SSVP. Como podemos dizer “atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. Foi: “Rosália Rendu” uma Filha da Caridade que bebendo do espirito dos fundadores Lazaristas e das Filhas da Caridade, tornando-se um braço direito de Ozanam quando surge a Sociedade S. Vicente Paulo, a quem lhe são pedidos alguns apoios para a obra, fornecendo o primeiro modelo chamadas “senhas” que serviam para recolha de alimentos.

Em boa verdade e antes da existência da Sociedade São Vicente de Paulo propriamente dita, existiu no seio de alguns estudantes universitários em Paris, a qual fazia parte alguns companheiros de Ozanam, a chamada Conferência da História que servia como formação intelectual entre os jovens universitários. Ozanam decidido, inquieto vai organizando no seio da conferência e depois de algumas reuniões havidas entre os seus amigos, “alguns de uma ala de pensamento diferente” de Ozanam a 23 de Abril de 1833 surge a reunião dando os primeiros passos na criação da primeira Conferência da Caridade no número 8 de Rue du Petit Bourbon de Sant-Sulpice. A fundação da Sociedade de São Vicente de Paulo-SSVP é constituída em uma sociedade dedicada à pratica de caridade e oficialmente reconhecida a 8 de dezembro 1835. Na constituição da SSVP, havendo nessa altura já formadas 4 Conferências de Paris e a Conferência de Nimes e constituídas, fazendo parte seis a sete jovens que participavam na Conferência de História, entre outros mais tarde: Emmanuell Bailly, Paul Lamache, François Lallier, Le Taillandier, Jules Davarix, Felix Clave e Frederico Ozanam, começam a dar corpo pela seu carisma de pensamento em SVP, surge então a Sociedade de São Vicente de Paulo, constituída como Sociedade, uma Instituição sem fins lucrativas, o seu único meio de receitas eram as contribuições entre os membros e outros donativos recebidos na altura e no seio de familiares dos membros, alguns certa forma abastados, os seus membros dedicavam o seu tempo à beneficência na praticar da Caridade. 

Como sabemos nesta altura em período de guerra napoleónica a obra teve inicio como «um dos fundadores da SSVP, guia e modelo. É reconhecido que realmente o seu mentor que deu corpo à obra foi depois mais tarde reconhecido como fundador da Sociedade o confrade Frederico Ozanam, que em reunião em conjunto com Emmanuel Bailly como Presidente Geral da Sociedade iria ser escolhido como vice-presidente Le Prevost. 
    
Assim todos os anos como tradição a SSVP em Solenidade da Imaculada Conceição dedicamos minutos em especial à nossa Mãe do Ceu e nossa Protetora em todo o mundo em momentos de vigília em oração e da Eucaristia, os vicentinos reúnem-se neste dia renovam o seu compromisso e outros fazem-no pela primeira vez..

Hoje todos os vicentinos reconhecem que a sociedade (reunião de pessoas unidas pelas suas ideias comuns) não foi obra só de um homem, mas de um conjunto de jovens estudantes pelo menos seis, que deram corpo à sociedade espalhada pelo mundo. 
O vicentino faz o seu caminho ao serviço de Deus e dos Pobres dentro do um compromisso assumido, «Prometo observar fielmente o espirito e os preceitos da Regra da sociedade de São Vicente de Paulo e procurarei dedicar-me ao serviço do próximo, nele vendo sempre o próprio Cristo, segundo os exemplos de Vicente de Paulo e de Frederico Ozanam. Assim Deus me ajude», principalmente na sua comunidade local que é principalmente a sua paróquia, inseridos na Pastoral da Caridade. Uma Conferência pode ser fundada em qualquer lugar que o justifique; Exemplo: comunidade de ciganos, bairro e/ou num grupo de organizado numa fabrica. No entanto deve prestar o serviço na sua comunidade onde são mais conhecidos e por uma questão, também de descentralizada de serviços e meios. Uma Conferência não se deve fechar sobre si mesmo, mas abrir horizontes e em Ir ao encontro dos que têm mais necessidade vendo sempre neles os nossos melhores e mais chegados amigos.
Uma associação como a nossa, é composta de homens, homens que tentam ser melhores, mas não são perfeitos “somos todos pecadores”, mas também, á que saber entender que uma sociedade civil pode não ser só formada por capitais financeiros, mas pode ter e tem, muitos validos, capitais humanos. Falíveis é certo, mas contribuem com o seu valor humano e vão dando corpo e alma à Sociedade Vicentina. 

Depois da solenidade à Virgem Maria ocorrida dias atrás, é tempo de podermos refletir numa altura que se aproxima o Natal, mas também um tempo de reflexão para o novo ano que se aproxima, “é já ao virar da esquina” e pensemos assim:
«Aparecer é diferente de fazer-se presente» e há quem faça sacrifícios da família do seu meio comunitário está presente, mas, não consegue pensar sempre no seu “silêncio”, que mexe com os Afetos de quem faz o esforço. Uma comunidade de família se mede pela sua capacidade do compromisso e todos nunca somos demais para fazer o que ainda não foi feito. Deixemos pensar demasiado no capital financeiro “perdemos demasiado tempo, um dia cá o deixamos e que não seja a falta dele, que impeça fazer ainda muita coisa por fazer, apostemos no capital humano que temos em nós.  
Termino com um pensamento que nos deixou como mensagem pelo nosso bispo do Porto D. António F. dos Santos e um vicentino também:


«Sejamos audazes, criativos e decididos. Sobretudo onde estiverem em causa os frágeis, os pobres e os que sofrem. Os pobres (os melhores-amigos) não podem esperar» 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

EMPATIA ENTRE O PIANO E O VIOLINO

Existe uma empatia entre o piano e o violino, pois ambos são instrumentos musicais que tem o objectivo de produzir musica.
Ora a empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que outra pessoa sentiria, procuram ajudar uns aos outros, podemos dizer que o ser simpático é ter afinidades identificando-se com o próximo. colocar-se no lugar do outro.
Então podemos dizer, do mesmo modo se o piano e o violino se identificam pelos sons que produzem um vicentino pode saber tocar esses acordes musicais da mesma forma na sua missão de serviço.
Ora um vicentino pode e deve ter essa capacidade de ter essa perceção de empatia mesmo que seja à distancia.
Um vicentino por formação cristã e por ter fé em Deus, deve procurar viver a sua vida com empatia, diria ser simplesmente simples.
Para podermos ter respostas a esta interrogação podemos pensar ainda melhor como S.V.Paulo entendia sobre a simplicidade:

A virtude da Simplicidade educa-nos na capacidade de desenvolver os valores da verdade, da sinceridade, da transparência. Viver plenamente a simplicidade nos ajudará a evitar ser falso uns com os outros e muito menos com um povo; por estas virtudes somos chamados a ser simples, a dizer as coisas como são, sempre com sinceridade em relação à outra pessoa.
Diante dos desafios que o pluralismo de ideia e de valores e contravalores que a sociedade capitalista nos impõe, precisamos ficar mais atentos em relação à nossa postura junto ao povo e o cultivo de valores que não são transitórios, mas base para a vida com dignidade. O povo ao qual procuramos evangelizar se aproximará de nós mediante nossa postura diante dele. A simplicidade impregnada em nossos atos possibilitará essa pedagogia de aproximação do povo mais simples a nós e vice-versa.
Já SVPaulo definia na sua vivencia a importância desta virtude e dizia que: “A simplicidade é a virtude que mais amo, eu a chamo de meu evangelho”

Também o nosso presidente geral internacional nos deixaria algumas recomendações a quando a sua visita em Portugal no ano 2016 que acho ser oportuna. Dizia:
  1. Sigam fielmente a Regra mesmo com todas as “imperfeições” nela contidas. 
  2. Evitem conflitos, ou interesse individuais, vaidades e intrigas pois essas afastam-nos de Deus.
  3. Defendam os valores da família e do evangelho, especialmente no momento da vida domiciliária. 
  4. Foquem as energias no que realmente interessa: a promoção dos mais necessitados e na sua santificação. 
Acrescento pela vivência durante estes anos antes e agora para se conhecer e saber lidar com a pessoa é preciso ouvir essencialmente de quem se queixa da vida, dela que não têm culpa.
Eu pessoalmente tive uma experiência única, nunca me esquece e por ventura marcou as minhas escolhas. Um presidente incumbiu-me de fazer uma visita ao “Carlinhos da Sé” a minha visita foi de uma vivência e de uma utilidade para mim que hoje tenho insistido com outros vicentinos: é necessário a visita ao domicilio, é necessário criar empatia com outro em saber ouvir para dar respostas com aos seus problemas. Ouvir. Do senhor ouvi hoje posso dizer que nunca sou agressivo nem inconveniente, ouço as pessoas com os afectos que eles merecem, o respeito.  A minha escuta foi o resultado da empatia criada com o Carlinhos sentindo nele o aconchego de choro, de lágrimas de quem o escutou, respeitando as diferenças.
A vida é feita de dificuldades, mas nada é insuperável desde que disponhamos a ouvir, comentar e depois da critica, darmos alternativas, pois como diz o presidente Renato Lima; devemos aceitar mesmo com as imperfeiçoes pois tudo é contruído na base do dialogo, com ideias. Façamos render os dons de talentos que tenhamos e não façamos como az o mau servo, enterrando um talento, com medo de poder render o dobro. (S.Mateus 25,14-30).
assim seja.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Dia Mundial dos Pobres


Dia Mundial dos Pobres
19 novembro de 2017

O Papa Francisco celebrará no dia 19 de novembro o 1.º dia Mundial dos Pobres, instituído com a Carta Apostólica «Misericórdia et Misera» na conclusão do Jubileu da Misericórdia.
Conforme a “publicação do desdobrável e retirado do BP mês de julho facultado”, Santo Padre aponta-nos alguns caminhos concretos de apostólicas na Caridade. Entre eles o exemplo de S. Francisco de Assis com simplicidade e amor serviu os pobres e seguido por tantos homens e mulheres pelo mundo.
Nos dias de hoje a pobreza continua a bater às portas de tantas famílias, pela crise económica que mundo atravessa, muitas vezes por falta de empregos inibe o espirito de iniciativas de dificuldades de encontrar trabalho, a exemplo do que nos dizia – Todos os pobres – como gostava de dizer o beato Paulo VI – pertencem à Igreja por direito.
Diz Papa Francisco, nos termos do Jubileu da Misericórdia, convida a Igreja inteira, os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar e neste dia todos os que nos estendem as suas mãos a pedir ajuda, a nossa solidariedade e a todos independentemente da sua pertença religiosa se abram à partilha.
Na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será dia 19 novembro, as comunidades cristãs, criem “momentos encontro e amizade de solidariedade e ajuda” concreta.
Poderão convidar os pobres e os voluntários participarem junto na eucaristia deste domingo a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.







quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dia SSVP 29 outubro no CZGN.

Dia 29 de outubro  o Conselho Zona Gaia Norte, realiza Assembleia Celebrativa e regulamentar Dia da SSVP, vivendo o carisma de São Vicente de Paulo à 400 anos em Fundeville-França e 300 anos através dos primeiros padres da Congregação da Missão em Portugal.
Caro confrades e vicentinos do C.Z.G.N.-Portugal venha participar numa tarde alegre e convívio com os jovens vicentinos.
A direcção falará 5 minutos e dará a palavra aos jovens, aos presentes.




terça-feira, 3 de outubro de 2017

José Joaquim “Sena de Freitas”.

1.º Presidente da Conferência São Luis de Paris-Lisboa

«SENA DE FREITAS» “Padre Vicentino”

Cardeal Patriarca de Lisboa numa deslocação a Felgueiras, norte de país, aborda Padre Sena de Freitas. A casa das Artes de Felgueiras recebeu numa sexta-feira D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, em conferencia de imprensa intitulada “Padre Sena de Freitas, uma figura da Igreja”.
Sena de Freitas, autor uma vasta e multifacetada obra, abrangendo as áreas da teologia, da filosofia, da pedagogia, da literatura e critica literárias, do jornalismo, da politica e da parenética, arguto e especial atenção à história da sociedade portuguesa, excelente orador no «Portugal Contemporâneo» de oitocentos e inícios do Século XX.
Expresso Felgueiras; 07-2016

- Sena de Freitas, de nome completo, José Joaquim Sena de Freitas, nasceu em Vila Franca do Campo, Ponta Delgada, na Ilha de S. Miguel, no dia 21 de Julho de 1840. Filho do historiador Bernardino José de Sena de Freitas e da Maria José de Brito Mascarenhas que faleceu cedo, deixando José Joaquim com três anos apenas sem os cuidados e aconchego maternos, o que terá influenciado o pequeno Sena de Freitas no seu temperamento que se tornou inquieto, ansioso, rebelde até.
Mas logo de pequeno revelou, já na escola, forte personalidade, grande inteligência e ousadia de opinião. Como também logo cedo revelou forte inclinação para a religião, tendo-se tornado, por vontade própria, Menino do Coro da Igreja local, organizando na Ermida de Nª. Sª.  da Vitória, tendo especial satisfação em tocar o sino da Igreja.
Em Santarém fez os seus estudos secundários que veio a concluir no Seminário de Coimbra em 1858, tendo seguido para Paris, aí se instalando em São Lázaro, Casa da Congregação da Missão, fundada por são Vicente de Paulo em cuja mística se deixou mergulhar. Aí concluiu o seu curso de Teologia, tendo feito votos em 1862, embarcando para o Brasil em 1865, onde missionou. Professor em Santa Quitéria, já em Portugal (1878), mas frequentemente doente e sem facilidade de adaptação a uma vida de comunidade, várias vezes pediu demissão de votos, embora tenha ficado sempre em ótimas relações com a Congregação cujo provincial muito o apreciava.
Em Portugal, como professor de um colégio na Estefânia, celebrava missa em Arroios, instalando-se sempre, nas terras por onde peregrinava, nas casas dos Lazaristas. Sena de Freitas, escreveu várias obras do que cita alguns: - O milagre e a critica moderna – No presbitério em no tempo, 2 volumes – Evangelho segundo Renan – Tenda do mestre Luvas (romance) – A carta e o homem da carta – O sacerdócio eterno – A palavra do semeador, 3 volumes – Conversa sobre patriotismo hodierno – discursos – A religião em face da política –
Orações fúnebres: - a José Bonifácio; - a D. Luís I; - ao Conde de São Salvador de Matosinhos.
Também escritos com o titulo: A Alta Educação do Clero; podem consultar os escritos em: http://www.nch.pt/biblioteca-virtual/bol-nch14/n14-20.html com prefácio de D. Manuel Clemente, Cardeal patriarca de Lisboa.
Embora dado às letras, chegara à conclusão que a Caridade estava à frente e acima das letras em que, aliás, fulgurantemente se impunha. Por isso a sua paixão pela mística vicentina. Sena de Freitas nas suas viagens por paris, Londres e aos sertões do Brasil, muitas vezes era um incómodo para Portugal. Não parava. Um dia em Lisboa, outro no Minho. Subia aos paços Episcopais, falava a banqueiros e empresários, a operários ou estudantes. Ora se era aceite, sorria ora se não era aceite insistia nos seus projetos.
Como Vicentino é assim que entra encena e durante as suas viagens e peregrino em missão como padre Lazarista, Sena de Freitas percorreu o País sobretudo no norte, em que não perdeu oportunidade de divulgar o espirito vicentino, nessa zona do País a que tornou mais sensível as gentes cristãs dessas terras.
Ainda em 1859, Sena de Freitas, junto do Padre Miel, trabalhou pela fundação da 1.ª Conferência de São Vicente de Paulo em Portugal – a Conferência de São Luis, Rei de França, fundada em Lisboa; colaborou com o engenheiro Barros Gomes na tradução do velho Manuel da SSVP-sociedade de São Vicente de Paulo.
Em 1877, passando por Braga, aí fundou uma Conferência (a 3.ª em Portugal).
Em 1879, após uma reunião no palacete da Condessa de Azevedo, com 300 presenças, falou de tal maneira sobre a vocação e missão da Sociedade S. Vicente de Paulo, que logo foi fundada no Porto a Conferência da Imaculada Conceição; em Santo Ildefonso a 4.ª Conferência em Portugal.
Em Guimarães, foi violentamente atacado por gente de feição maçónica, porque efetuara uma sessão no palacete do Conde de Vila Pouca e não numa Igreja. Retorquiu que faria a reunião em qualquer espaço, ainda que um barracão, se tivesse iguais dimensões.
Em 1880, passando por Penafiel, aí fundou a Conferência de Nossa Senhora do rosário e, seguindo até Coimbra, nesse mesmo ano, iria fazer nascer aí a Conferência Académica.
Aí começou por procurar D. Manuel Correia de Bastos Pina, o Arcebispo-Conde, que se entusiasmou com a fundação de uma Conferência vicentina para a qual se propôs como Presidente. Sena, compreendeu que o bondoso prelado desconhecia o caráter leigo da sociedade. Abordou então o catedrático Dr. Lino, seu amigo e falou ainda com o seu velho amigo Almeida Silvano, futuro professor do seminário de Lamego.
E numa sala do Palácio dos Coutinhos falou aos estudantes. Assim fundou a 1.ª Conferência Académica.
Ainda em 1844, contribuiu para a instituição em Lisboa do primeiro Conselho Particular da Sociedade em Portugal.  
Modelo vicentino, sem dúvida, porque o seu espírito vicentino motivou inúmeras vocações e adesões à Sociedade S. Vicente de Paulo.
Mas doente, perseguido pelas suas ideias, muito sofreu no Brasil, onde morreu em 1913.
Sofreu muito, lotou muito. Escreveu e trabalhou muito. Serviu muito. Amou muito.
Quando morreu tinha acabado de escrever as palavras – “Jesus Cristo”, esse Jesus simples, sem coroa, apenas servidor e amante dos pobres, como o de S. Vicente Paulo. Sena de Freitas, mais tarde, foi justamente e publicamente apreciado. Não só na Congregação dos Provinciais pelos Superiores, pela própria Igreja em que chegou a ser Cónego da Sé Patriarcal de Lisboa, como várias cartas e artigos a eles se referiram elogiosamente, em 19 de Dezembro de 1921, sido promovido pela Juventude Católica uma homenagem à memória do padre Sena de Freitas.
Finalmente, em 26 de Julho de 1968, foi elevado em Ponta Delgada, no jardim com o seu nome, uma estátua a este ilustre polígrafo açoriano.
José Joaquim Sena de Freitas, sem dúvidas modelo vicentino, imitado e seguido por tantos, sobretudo pelos que vieram a formar as Conferências de São Vicente de Paulo, que fundou, fez fundar, cuja o espírito vicentino propagador em Portugal, espírito até então desconhecido. 

Padre Sena de Freitas

Francisco Coutinho - Conde de Aljezur

Conde de Aljezur, fundador da SSVP no Brasil e em Portugal

A formidável história de vida do Conde de Aljezur e a importância dele para a SSVP do Brasil e de Portugal

Confrade Renato Lima (*)

Na caminhada vicentina, jamais podemos nos esquecer do legado deixado pelos fundadores da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP). Em 1833, em Paris (França), aqueles pioneiros – Ozanam, Bailly, Clavé, Devaux, Le Taillandier, Lallier e Lamache – receberam a inspiração divina de fundar essa obra maravilhosa, que vem produzindo incontáveis frutos de caridade, de conversão e de evangelização pelo mundo, até aos nossos dias.
Da mesma maneira, nos diversos países, devemos sempre fazer um resgate histórico, buscando identificar os primórdios da SSVP. No caso do Brasil e de Portugal, uma figura humana se sobressai: Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, mais conhecido como Conde de Aljezur. Vamos conhecer um pouco da história desse importante confrade, responsável pela fundação da Sociedade no Brasil e em Portugal. Um homem escolhido por Deus para espalhar o carisma vicentino em terras lusitanas e brasileiras.
Francisco Coutinho nasceu em 12 de setembro de 1820, na cidade do Rio de Janeiro (Brasil). Àquela altura, o país ainda não era uma nação independente (o que só aconteceria em 7 de setembro de 1822), e, portanto, Francisco Coutinho era cidadão português, nascido na então colônia Brasil. No dia 3 de junho de 1845, em Portugal, com 25 anos de idade, ele se casou com Maria Rita de Noronha (ela nascera na cidade de Tavira, em Portugal, em 21 de janeiro de 1826). O casal não teve filhos. 
Em 15 de setembro de 1858, por meio de decreto, o rei de Portugal, Dom Pedro V, concedeu o título de Viscondessa de Aljezur à senhora Maria Rita, e na mesma data, estendeu o título a Francisco Coutinho, que adotou a designação de Visconde de Aljezur. No Brasil, o imperador Dom Pedro II confirmou o título de visconde a Coutinho, por meio de portaria de 23 de dezembro de 1858. Mais tarde, em 10 de abril de 1878, Francisco Coutinho teve o título de visconde elevado à categoria de conde, em ambos os países. Como se percebe, ele detinha os mesmos títulos de nobreza, tanto em Portugal como no Brasil. 
Na concessão de títulos, os reis e imperadores escolhem nomes aleatórios, geralmente vilas, cidades ou acidentes geográficos (como lagos, rios, montanhas, vales e serras). Assim, a palavra “Aljezur” em Portugal tem duas origens: é uma pequena vila, na região do Algarve, atualmente com 6.000 habitantes; e é também nome de um rio (ou ribeira) que nasce na Serra de Monchique e deságua no Oceano Atlântico, na bela Praia da Amoreira. Dom Pedro V escolheu “Viscondessa de Aljezur” (para Dona Maria) e “Visconde de Aljezur” (para Francisco Coutinho) por mera liberalidade, sem nenhuma razão específica. “Aljezur” é uma palavra de origem árabe e significa “ilhas” (al jazair). “Al jazira” é o singular (“a ilha”). Em espanhol, “aljezur” pode ser traduzido como “Algeciras”. Do mesmo radical, surgiu a palavra Argélia.
Francisco Coutinho era funcionário da Coroa e servia ao Império do Brasil, desempenhando inúmeras funções, encargos e missões. Ele comandou, por exemplo, o 7º Corpo de Cavalaria da então Província do Rio de Janeiro, sediada na Vila de Iguaçu, região que hoje conhecemos como município de Nova Iguaçu. Ele também foi fidalgo de Dona Maria Leopoldina (Imperatriz do Brasil, a primeira esposa de Dom Pedro I), responsável contábil de Dona Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Beauharnais (Imperatriz do Brasil, a segunda esposa de Dom Pedro I), e assessor direto do imperador Pedro II, chegando a acompanhá-lo até no exílio em Portugal, após a proclamação da República (em 15 de novembro de 1889). Coutinho foi companheiro inseparável de Dom Pedro II, sendo-lhe leal até a morte do monarca, em 1891. Depois, regressou ao Brasil e foi viver em Petrópolis, onde já havia se estabelecido durante o reinado de sua majestade imperial, Dom Pedro II.
No aspecto vicentino, Francisco Coutinho foi um dos fundadores (e 1º Vice-presidente) da Conferência “São Luís Rei de França”, da Igreja de São Luís dos Franceses, em Lisboa (Portugal), fundada em 31 de outubro de 1859, juntamente com o padre Joaquim José Sena de Freitas (CM), padre Emílio Eugênio Miel (CM), Conde de Samodães e outros. Ele também colaborou com o confrade francês M. Thiberge na fundação da Conferência “São Pedro”, a segunda em terras portuguesas, no Funchal (Madeira), em 1875. Francisco foi vice-presidente do Conselho Superior de Portugal, tendo ação de grande relevância.
No Brasil, juntamente com outros confrades (Pedro Fortes Marcondes Jobim, secretário, e Antônio Secioso Moreira de Sá, tesoureiro), fundou, em 4 de agosto de 1872, a Conferência “São José”, sendo o Visconde de Aljezur eleito o primeiro presidente de uma Conferência Vicentina em terras brasileiras. Vale ressaltar que, no momento da fundação da Conferência “São José”, o confrade Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho detinha o título de “visconde” (pois o grau de conde só lhe fora concedido em 1878, como já mencionado).
Após a morte de Dona Maria Rita, Francisco Coutinho contraiu novas núpcias, desta vez com Ana Carolina de Saldanha da Gama, nascida em 1º de agosto de 1834, no Rio de Janeiro. O casal não deixou descendentes. Francisco Coutinho possuía, também, inúmeras comendas, como a Ordem Sueca da Estrela Polar, Ordem de Cristo (no Brasil) e Ordem de São Gregório (na Itália). Uma curiosidade: em 12 de agosto de 1903, foi inaugurada a Estação Aljezur, em Nova Iguaçu (RJ), integrante da Linha Auxiliar da Estrada de Ferro Central do Brasil, em homenagem ao conde que possuía terras naquela localidade. Lamentavelmente, a Estação Aljezur encontra-se, desde 1996, abandonada, ocasião em que a referida linha férrea foi desativada.
O Conde de Aljezur, homem brilhante de dois continentes (América e Europa) e de duas nações irmãs (Brasil e Portugal), faleceu em 2 de abril de 1909, em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro (Brasil), aos 99 anos de vida. Empregou toda a sua existência no exercício da caridade cristã. Peçamos a Deus pela alma deste memorável confrade, que fundou a SSVP em Portugal e no Brasil. Só podemos projetar o futuro se conhecermos o passado e se soubermos valorizar os nossos antepassados, desbravadores da história, que abriram as portas para a existência da Sociedade de São Vicente de Paulo pelo mundo. Que a memória, vida e biografia do confrade Francisco Coutinho seja amplamente difundida no seio da SSVP e da Família Vicentina!

(*) Renato Lima de Oliveira é o 16º Presidente Geral da SSVP (2016/2022).


domingo, 20 de agosto de 2017

Deus está no nosso meio!

Já ouviu esta frase e já pensou nela?
«Quando estiveram um ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles. Mateus.18:22.»
Hábito que se foi perdendo aos longos dos tempos em nossa casa!


Caro vicentino do Conselho de Zona de Gaia Norte:
Deixo um convite a todos: um dia quando tiverem que resolver um problema de uma família, de uma pessoa que viva na rua, não fuja deles, tente ajudá-los.
Se tiver alguma dificuldade ao fazer visita a um nosso irmão desprotegido, entre numa igreja, sente-se, supira fundo e conta-lhe da tua dificuldade na resolução do problema.
O teu Grande Amigo; Jesus Cristo, te dirá como proceder. Não tenhas pressa se não te disser na altura, aguarda.