«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" com dinheiro deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

domingo, 20 de maio de 2018

O homem e a mulher perante as crises económicas e pessoais!

Neste domingo de 20 maio, dia de descanso para os católicos e mesmo desanimado com algumas pessoas, pela seu trilho de caminho escolhido que perante Deus não será o melhor e muito mesmo será aos olhos do homens mas, esta é cego, não poderei deixar partilhar este tema interessante. Pode e dá algumas pistas de reflexão, como podemos trilhar as avenidas das nossa ruas, das nossas casas com muitos "degraus sujos, desalinhados pelos tempos". Será que conseguimos subir até ao ponto mais alto com perseverança até um dia?  O melhor, é ler o texto.

Diante da crise actual, “buscar a justiça de Deus” 

Uma reflexão semanal com Ozanam


O primeiro dever dos cristãos é não ter medo e o segundo, não assustar os outros. Pelo contrário, tranquilizar os espíritos perturbados, fazendo-os considerar a crise actual como uma tempestade que não pode durar muito tempo. A providência está lá e nunca se viu que esses choques financeiros que perturbam a ordem material das sociedades tenham durado mais do que alguns meses. Não se preocupe muito com o dia seguinte e não diga “o que vamos comer e o que vestiremos?” Tenhamos coragem, procuremos a justiça de Deus e o bem da Pátria e o resto nos será dado por acréscimo.

 Frederico Ozanam, carta a seu irmão, Pe. Alphonse Ozanam, 6 de março de 1848


Reflexão:


  1. Este texto parece escrito para a nossa época. Como nos tempos de Frederico, há mais de 150 anos, nossa sociedade atual passa por um período turbulento de crise e guerras que nos desencorajam. Não há dia em que notícias odiosas não apareçam a esse respeito, nos jornais e nas notícias.
  2. O contexto desta carta é o seguinte: Frederico está preocupado com os problemas decorrentes da recém-nascida revolução industrial, que afetou, muito particularmente, o sector marginal da sociedade: o proletariado. Com uma visão do futuro, ele levantou a necessidade de reestruturar novos conceitos de trabalho, salários, associativismo do trabalhador … Poderíamos cair no perigo de ver este homem como um “programador de ideias” sem mais. Mas não: ele buscou soluções concretas, humanas e cristãs em favor dos oprimidos, dos trabalhadores e dos pobres. Seguindo seu exemplo, hoje podemos tomá-lo como modelo, levando em consideração, como ele fez, a situação histórica do momento em que vivemos. Nem melhor nem pior, mas com uma ampla plataforma para gastar-nos e se desgastar em favor da construção do Reino de Deus.
  3. Frederico diz aos cristãos que nosso primeiro e segundo dever, nessas situações, é “não ter medo e não assustar os outros”: manter a calma e ajudar os outros a viver a situação com esperança, “como uma tempestade que não pode durar muito tempo”. No entanto, a esperança cristã de Frederico não é estática ou providencial. Ele sabe que para resolver os problemas, temos de começar a trabalhar: “tenhamos coragem, procuremos a justiça de Deus”… Os vicentinos sabem o que é essa justiça: estar ao lado dos pobres, dos quais a maioria está sofrendo os movimentos convulsivos económicos e de poder em nosso mundo.
  4. No final de 2013, o próprio Papa Francisco exortou as ordens religiosas a acolher refugiados em conventos vazios: “Conventos e monastérios vazios não devem ser convertidos em hotéis pela Igreja para ganhar dinheiro. (As construções) não são nossas, elas são para a carne de Cristo, que é o que os refugiados são”, disse o papa durante uma visita a um centro de recepção na capital italiana. “Certamente, isso não é algo simples, é preciso critério, responsabilidade, mas também coragem, temos feito muito [para os refugiados], mas talvez somos chamados a fazer mais”, acrescentou. O Papa também disse que “a caridade que deixa os pobres na mesma situação não é suficiente, […] não basta dar um sanduíche, […] a verdadeira misericórdia exige justiça, quer que os pobres encontrem o caminho para não sê-lo mais”.

Questões para o diálogo:

  1. Qual é a minha atitude em relação à situação de necessidade causada pela actual crise? Vivo “sem medo e sem susto”, como Frederico sugere?
  2. Eu me preocupo com a situação de meus pessoas próximas, vizinhos, parentes, de todas as pessoas pobres ao meu redor?
  3. Tenho esperança de que a situação melhore para todos? Como meu trabalho é aliviar as necessidades daqueles que estão sofrendo mais com esta situação de desamparo?
  4. Eu sigo as notícias que me informam dessas situações? Eu denuncio injustiça?
  5. Como interpreto o texto anterior do Papa Francisco? Conheço iniciativas semelhantes no meu ambiente? E aqueles de nós que são seculares, podemos ajudar de alguma forma a tornar o pedido do Papa uma realidade? É apenas uma mensagem para os consagrados, ou envolve todos nós?

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A final o que fazer?


Antes de transcrever na integra, a 3.ª número das Crónicas Vicentinas do Pres do CGI eu, sinto que tenho de lançar um pensamento aos confrades, a que todos saiam da sua zona de conforto e pensemos um pouco: “a final o que fazemos”, nossos confrades na forma que colocam na sua metodologia a prática de caridade na Sociedade nas respostas que vamos dando?
Existe Conferências que fazem o seu trabalho na base da entrega de bens recebidos pelo B.A., ou outras situações de socorro e não sabemos notícias de que: A conferencia tal, ajudou, colaborou com os assistidos na promoção pessoal, no libertar da dependência da saca, do vale na forma de que os assistidos passaram da condição de pedinte para uma situação de oferta, não tenho conhecimento. Tenho pedido para que às conferências nas suas prestações de contas ao fim do ano escrevam no seu relatório final as atividades de uma forma geral, como tem funcionado ou funcionaram no ano terminado. Pensam: É para estatísticas […] Há isso é para os países em subdesenvolvimento […] mas, cá dentro, nem isso acontece na informação de divisão para efeitos de estatísticas, pois há conferências que são parcos em respostas.
Faço a pergunta para quem não percebeu:
Será que nos sentimos satisfeitos com a assistência da saca, do vale e, chega à conferência informando que em conjunto com outros ou sozinhos: ajudaram fulano e beltrano a estudar, arranjar trabalho, a deixar de viver na rua, a pedir? Já não falo nas estruturas ligadas à igreja pois em alguns casos também estão numa zona de conforto […] e vivem a paredes meias com a realidade o “Pobre faz da rua o seu lar”.
Ao título acima, poderia colocar como abriria esta crónica, mas prefiro deixar a quem tem direito de explicar a forma de AGIR; assim à pergunta ou desafio que lancei dará o nosso 16 presidente do CGI Renato Lima nas sua 3ª Crónica Vicentina. Espero, que cada um encontre a sua resposta e se tem duvidas reze a Deus e peça-lhe ajuda…


Só existe mudança com mobilização.


Uma das propostas mais interessantes que a Família Vicentina já fez aos ramos que dela fazem parte (como a Sociedade São Vicente de Paulo) é o Projeto “Mudança Sistémica” ou “Mudança de Estruturas”. Essa iniciativa pretende romper a tendência de pobreza e promover, efetivamente, as famílias mais humildes de todo o planeta. Algumas Conferências Vicentinas que experimentaram e praticaram essas ideias viram os inúmeros benefícios gerados para as pessoas atendidas.
Mas de nada adianta propor um projeto revolucionário como a “Mudança de Estruturas” se duas condições não ocorrerem simultaneamente. A primeira passa pela transformação pessoas dos confrades, que precisam também “mudar” em sua forma de enxergar a pobreza e “mudar” as estratégias de reduzi-la. A segunda condição tem a ver com a mobilização social para a verdadeira mudança. Só existe mudança se houver forte mobilização social, tanto dos Vicentinos quanto dos assistidos.
Se os assistidos não se mobilizarem, serão eternamente socorridos e ficarão “dependentes das doações de alimentos, roupas e utensílios feitos, arranjados pelas Conferências”. Por outro lado, se os vicentinos não se mobilizarem, a assistência prestada aos mais carentes se resumirá a uma mera entrega de alimentos, desprovida de estímulo, vontade e garra para vencer na vida. Sem mobilização popular, a caridade junto aos mais necessitados, às pessoas em situação de pobreza torna-se quase uma ação filantrópica; benemérita com certeza, mas muito frágil em suas estruturas.
Nesta linha de análise, «diz Renato Lima», também podemos afirmar que não existe “sociedade saudável” quando há miséria ao nosso redor. Afirma ainda com um sentido muito critico: De que adianta termos “Ilhas de desenvolvimento” se, ao nosso lado, um irmão está sofrendo ou dorme debaixo de papelões nas noites frias das nossas cidades? Uma sociedade saudável – conceito moderno que vem sendo utilizado pelos organismos internacionais que atuam no campo da superação da pobreza – é aquela em que a desigualdade social é reduzida e as oportunidades são para todos.
Mudar a sociedade em que vivemos pode parecer uma tarefa complexa e, acima de tudo, muito além de nossas forças. Mas é responsabilidade de todo cidadão, ainda mais se for cristão e vicentino, melhorar esse mundo injusto e deplorável em que vivemos. Se não, de que adianta participarmos de uma Conferência Vicentina? Somos vicentinos e vicentinas para sermos “soldados de Cristo” na construção de um mundo mais fraterno e melhor ou apenas para agradar nossa família, o sacerdote, o bispo ou os amigos?
É por isso que não me canso “o 16 presidente do CGI” de defender, em minhas crónicas, que o trabalho excecional desempenhando pelas Conferências vicentinas precisa ser modernizado no sentido de agregar novos elementos, como a participação popular e o engajamento da sociedade nas ações que realizamos na comunidade. Doar cestos básicos a quem precisa, qualquer pessoa pode fazer, até um ateu de boa vontade; mas «doar-se a si próprio», de tal maneira, a ponto de indignar-se com a exclusão social e colocar a “mão na massa” para reverter tendências, isso é para poucos! […]
Portanto, é preciso que as nossas Conferências saiam da rotina, da zona de conforto […] e busquem um novo olhar sobre a atuação implementada durante as visitas domiciliárias e também na gestão das obras sociais. Podemos fazer muito mais, até com menos dinheiro, (já me disse alguém; que não seja por falta de dinheiro que não se faça Obras), se mudarmos a postura e incorporarmos a verdadeira dimensão da caridade, que envolve, acima de tudo, mobilização. Recordemos das passagens bíblicas em que os enfermos, de alguma maneira, mobilizaram-se para ver ou tocar em Jesus, pois sabiam que desta maneira seriam salvos e curados. E nós, mobilizamo-nos para a prática da caridade com eficiência?

Crónicas Vicentinas do 16º presidente Renato Lima.




quinta-feira, 19 de abril de 2018

185 anos de mãos dadas

     Recentemente publiquei por aqui, uma das Recomendações para ser um bom presidente,  das Crónicas Vicentinas do Presidente do CGI, talvez seja bom reforçar agora o papel do presidente nas conferências que trabalham em equipa nas próprias conferências, numa altura que vamos recordar no dia 23 de abril em 2018 o que aconteceu à 185 anos aqui fica o que se deu à 185 anos.
          Há 185 anos, no dia 23 de abril de 1833, um grupo de leigos franceses católicos, devotos e visionários, reuniu-se para fundar a primeira “Conferência de Caridade”, anos depois conhecida como “Sociedade de São Vicente de Paulo”. O que motivou aqueles homens de fé foi a prática da caridade, a santificação pessoal, a amizade entre eles e a construção de um mundo mais justo, baseado nos valores do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     Em poucos anos, a entidade nascente crescia rapidamente dentro da França, vindo a atingir outros países da Europa e do mundo. Atualmente, a SSVP está presente em 153 países ou territórios, reunindo 800.000 membros e mais de 1 milhão de voluntários, ajudando a 30 milhões de pessoas por ano. Aquela primeira Conferência (Saint-Étienne-du-Mont) transformou-se em 50.000 novas “comunidades de fé e de serviço”. Um verdadeiro milagre de Deus operado pela intercessão dos nossos fundadores! A Igreja também, por meio de diversos Breves Papais, conferiu amplo reconhecimento institucional à SSVP, em diversas oportunidades.
  Todos nós, vicentinos do Século XXI, precisamos estar conscientes de que, com a graça de Deus, o trabalho que realizamos, embora bastante discreto, é muito efetivo e tem gerado inúmeros frutos para as pessoas socorridas. São incontáveis os benefícios proporcionados a milhões de seres humanos necessitados, que contam com a mão amiga vicentina para continuar a superar os desafios da vida. Nem sempre percebemos a importância e a relevância que a ação caritativa da SSVP exerce no mundo.
     Vale, aqui, mencionar algumas palavras de estímulo que o 1º Presidente Geral, Emmanuel Joseph Bailly de Surcy, incluiu na introdução da Regra de 1835, as quais eu muito aprecio: “Os sentimentos de fraternidade entre os confrades converterão os nossos corações num só coração, e todas as nossas almas numa única alma (“cor unum et anima una”), e isso tornará mais querida a nossa Sociedade fraterna. Ainda que amemos muito a nossa humilde Sociedade, temos que saber que ela é uma obra nascida pela misericórdia de Deus”.
     Eu não poderia terminar essa reflexão sem mencionar as vicentinas e os confrades já falecidos nestes 185 anos de existência da SSVP. Recordamos respeitosamente a sua memória, e a eles dirigimos uma oração amorosa, pois os nossos predecessores que já se encontram na Casa do Pai fazem parte da “Conferência Celestial”, e seguem intercedendo por nós aqui na Terra. É por isso que nossa SSVP pode ser considerada uma verdadeira “escola de santidade”, uma vez que já temos cerca de 50 membros em processos de canonização em diferentes etapas, entre eles o bem-aventurado Ozanam.
     Na condição de 16º Presidente Geral, e em nome da direção internacional, gostaria que essa mensagem chegasse a todos os vicentinos do mundo, felicitando-os pelos relevantes serviços prestados à humanidade, à Igreja e à sociedade civil. Mantenham-se firmes na fé, na caridade e na esperança, sempre em unidade com o Conselho Geral, que é o guardião da Regra e das origens da nossa Sociedade.
Que Deus continue nos cumulando de bênçãos e que a Virgem Maria nos proteja de todos os males. Muito obrigado, Ozanam, Bailly, Lallier, Clavé, Le Taillandier, Lamache e Devaux! Obrigado, irmã Rosalie Rendu! Parabéns a todos os vicentinos do mundo. Viva a França! Viva a SSVP!
Cfd. Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O VALOR DA ORAÇÃO NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA


Do Evangelho segundo S. João 20, 19-31 domingo 8 abril

Após a Ressurreição de Jesus os discípulos, passaram a reunirem-se no primeiro dia da semana que traduzida é o dia de Domingo. Ao lermos o texto os discípulos começaram a encontrar-se e reunidos num lugar seguro com medo da chegada dos judeus, aparece Jesus e dirigindo-se aos presentes diz: “A paz esteja convosco”. Mostrou as suas mãos e o seu lado e volta a repetir a saudação: «A paz esteja convosco».
O texto não diz, mas podemos traduzir hoje que Jesus logo ali, criou muitas dúvidas entre os presentes se realmente era o Jesus Cristo, se era mesmo como tinha dito que voltaria e Tomé bem duvidas teve.  ELE Jesus, de volta ao segundo encontro dirigindo-se de novo anuncia os deveres que os discípulos terão que ter a partir dessa altura, ao pregar pelo mundo. «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós» Dito isto soprou sobre eles e disse a seguir: «Recebei o Espírito Santo». Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; e àqueles que retiverdes serão retidos…  
Tomé, já presente do primeiro dia da semana Domingo, duvidando se realmente era ou não que estava ali Jesus dizendo que só tocando introduzindo com os seus dedos nos cravos, é que acreditaria. Jesus responde-lhe e pede-lhe para que Tomé toca-se. Perplexo do momento por causa da sua dúvida de Fé… diz: «Meu Senhor e meu Deus»
Sobre esta parte do Evangelho de S. João, o que me merece na reflexão, não só o interesse de ser o dia de Domingo que qualquer cristão deve cumprir é, o sentido que poderíamos dar ao colocar como um exemplo passado numa das nossas paróquias.
Numa das nossas aldeias um pároco conhecendo todos os seus paroquianos, reparou que o sr. António (nome fictício), deixou de aparecer à missa, então o pároco resolve visita-lo, sentados próximos da lareira, em determinada altura o pároco pega numa acha, coloca-a mais ao lado. A conversa continua e passados uns minutos o pároco pega na acha e faz-lhe a pergunta: Vê esta acha sem chama já em cinca queimada, negra!
É o que acontece connosco quando não nos comprometemos com Deus nas orações e na Eucaristia, ficamos sem alegria, tristes, depressivos, distanciados de tudo e de todos, afastamo-nos de nós próprios com Deus e com a comunidade familiar.
Tomemos por outro lado outro exemplo bem mais do nosso tempo moderno. Sinto que alguns casais que não frequentam a Eucaristia Dominical, estão propensos a não conseguirem superar as arrelias próprias de um casal. Com a oração Deus, dá-nos forças para ultrapassar os obstáculos muitos são derivados de varias ordem; emprego, doenças, problemas do fora de sexualidade que tem levado a tantos divórcios, ao respeito mutuo.
Então que todos nós, peguemos, na “tocha em brasa”, levantemos bem alto e iluminemos os nossos pensamentos e desejos e digamos; se é isto que supera as dificuldades do modo de vida, se é isto que salva o meu casamento então, digamos: PRESENTE… Deus está à nossa espera ao domingo pois se nos dá sete dias da semana e vinte e quatro horas por dia, talvez consignemos arranjar, uma hora por semana de oração e encontro com o Senhor.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Recomendações para ser um bom presidente

"Deus capacita os escolhidos"

Muitos vicentinos e vicentinas, quando são eleitos para ocuparem cargos na estrutura da sociedade de São Vicente de Paulo, ficam preocupados se darão conta do recado, muitas vezes se consideram incapazes não preparados para tal missão. Não podemos nos esquecer, contudo, daquela breve frase dita por São Vicente de Paulo, nas cartas que escrevia para os membros da Congregação da Missão e das filhas da caridade: «Deus capacita os escolhidos».
Para refletir sobre o tema, selecionamos duas passagens na Bíblia em que Jesus deixa uma espécie de “receita” para todos aqueles que venham ocupar funções no serviço religioso e, porque não dizer também, no serviço vicentino. É uma mensagem especial para todos os dirigentes vicentinos, desde o presidente de Conferência, passando pelos presidentes de Conselho e de Obras especiais, chegando até o cargo mais destacado na estrutura; a de presidente geral internacional.
No Evangelho de São Lucas, capítulo 22, surgiu uma discussão, entre os discípulos, sobre qual deles seria o “maior” perante os olhos de Cristo. O mestre, paciente, assim se expressou: “Os reis dominam como senhores e exercem sobre eles autoridade. Entre vocês não sejam assim: quem quiser ser o maior, que se torne o último; e o que governa, que seja como o servo”.
Noutra passagem, no Evangelho de São Mateus, capítulo 18, perguntaram novamente a Jesus: “Quem é o maior no reino dos céus?”. O Salvador apontou para uma criança, que estava ali perto e disse: “Se não se converterem e não se fizerem como meninos, de modo algum entrarão no reino dos céus. Portanto, aquela que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus”.
Nessas duas passagens das Sagradas Escrituras, encontrarão os três elementos para quem está ocupando funções consideradas social e humanamente “importantes” dentro da estrutura ou da hierarquia eclesial ou religiosa; a humildade (quando Jesus disse “torna-se o último…”); o serviço (quando Jesus disse “seja como o servo…”); e a pureza (quando Jesus disse “sejam como crianças…”)

Vamos meditar um pouco sobre essas três virtudes. A humildade é o cartão de visitas de todo dirigente vicentino. Quando se apresenta, por exemplo, uma proposta de projeto, temos que ser humildes e ouvir a opinião dos demais membros do Conselho, buscando a unidade. O serviço (desinteressado) é a principal caraterística dos dirigentes vicentinos. Ele o faz não em busca de autopromoção, mas em benefício da entidade que preside e das Pessoas em situação de pobreza. Faz-se as coisas pensando efetivamente nos outros e, nunca com fins políticos. Já a pureza, que neste caso significa simplicidade, é condição fundamentar para conduzir um grupo tão grande como o nosso. É ter caridade, acima de tudo, nos atos que irá propor, para que as decisões a serem tomadas sejam consideradas consensuais, sempre buscando a melhoria contínua.
Na nossa ótica, para ser um bom presidente, deve-se possuir essas caraterísticas, E nunca se esquecer da recomendação que São Paulo prescreveu a Timóteo, que também serve para todos nós, hoje em dia: “Guarda o teu mandato íntegro e sem manchas; procura a justiça e a mansidão; combate o bom combate” (ITm 6, 11-16).
Deixamos, agora, uma pergunta para reflexão na Conferência: na sua opinião, quais são as virtudes mais importantes para que um vicentino possa, após ser eleito presente, desempenhar os encargos administrativos com eficácia e em benefício das Pessoas em situação de pobreza?
Crónicas vicentinas IV - CGI Renato Lima


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Os pobres são nossos mestres e nós somos seus servos • Uma reflexão semanal com Ozanam

por Javier F. Chento | 2 abr, 2018 | FormationReflexões espirituais


E nós, meu querido amigo, não faremos nada para nos assemelhar aos santos que amamos? Será que nos contentaremos em lamentar a esterilidade do tempo presente, quando cada um de nós carrega em nossos corações um germe de santidade que simplesmente desejar seria suficiente para fazê-lo florescer? Se não sabemos amar a Deus como o amavam, não há dúvida de que merecemos um opróbrio; talvez nossa fraqueza possa encontrar uma sombra de desculpa, porque parece que amar devemos ver, e só vemos Deus com os olhos da fé, e nossa fé é tão fraca! Mas para os homens, para os pobres, nós os vemos com os olhos da carne, eles estão lá, e podemos colocar o dedo e a mão em suas feridas, e os traços da coroa de espinhos são visíveis em suas testas; aqui não podemos mais não acreditar, e devemos cair a seus pés e dizer-lhes com o Apóstolo: “Tu est Dominus et Deus meus”: vocês são nossos mestres e nós seremos seus servos, vocês são para nós as imagens sagradas daquele Deus que não vemos e, não sabendo como amá-lo de outra maneira, nós o amamos em suas pessoas. […] a)
A questão que divide os homens hoje não é mais uma questão de formas políticas, é uma questão social, é saber quem vai ganhar, seja o Espírito do Egoísmo ou o Espírito de Sacrifício; se a sociedade será apenas uma grande exploração em benefício dos mais fortes ou uma consagração de cada um para o bem de todos e, acima de tudo, para a proteção dos fracos. Há muitos homens que possuem muito e querem mais ainda; há muitos outros que não têm o suficiente, que não têm nada e que querem receber se não forem dados. Entre as duas classes de homens, uma luta é preparada e essa luta ameaça ser terrível; De um lado, o poder do ouro; por outro, o poder do desespero. Entre esses lados inimigos devemos nos apressar, se não impedir, pelo menos amortecer o golpe. Nossa idade de jovens, nosso status social médio torna mais fácil para nós desempenhar o papel de mediadores que nosso título de cristãos nos torna obrigatórios. Existe um uso possível da nossa sociedade de São Vicente de Paulo.
a) «Você é o senhor Deus!»   
      




      Frederico Ozanam, carta a Louis Janmot, 13 de novembro de 1836     

 

Reflexão:
1.    Estamos diante de um texto fundamental de Frederico Ozanam. Pouco mais de três anos após a fundação da primeira Conferência de Caridade, a origem da Sociedade de São Vicente de Paulo, isso se espalha e começa a atrair muitos franceses jovens, preocupados com o abandono dos pobres e as classes oprimidas. A sociedade francesa está experimentando tempos convulsivos.
2.    É importante notar que Frederico escreve isso com 23 anos. Acabou de obter seu PhD em Direito e voltou a Lyon para estar perto de sua mãe, que está gravemente doente. Ele tenta esculpir um futuro profissional como professor na cadeira de Direito de Lyon, ainda a ser criada. Embora ele não seja fascinado por esta profissão, ele é obrigado a fazê-lo para estar perto e cuidar de sua mãe. Permanece, portanto, uma pessoa sem um futuro pessoal ou profissional definido. Suas palavras vêm em um momento pessoal de incerteza e de pesquisa profissional, no entanto, eles não podem ser mais enfático e claro: ele é um crente que tem muito claro o que Deus está pedindo a ele, à Sociedade de São Vicente de Paulo e também à Igreja do seu tempo.
3.    Em várias ocasiões, vi a primeira parte deste texto mal traduzida. Quando Federico diz “Tu est Dominus et Deus meus” não está levantando a voz para reconhecer a soberania e majestade de Deus, mas dirigindo-a para os pobres (“Vocês são nossos mestres e senhores”), para reconhecer neles o rosto sofredor de Jesus Cristo bem como São Vicente de Paulo disse as Filhas da Caridade: “os pobres são nossos mestres, são os nossos reis; devemos obedecê-los, e não é exagero chamá-los assim, porque o nosso Senhor está nos pobres” (SVP ES, IX, 1137). Frederico é claro que bebeu das fontes de São Vicente para definir sua viagem vital como cristão, endossando as mesmas expressões do nosso fundador. A frase “Tu est Dominus et Deus meus” aparece na boca do apóstolo São Tomé, em João 20, 19-31; a passagem nos soa: Jesus ressuscitado pedindo a duvidar Tomé colocar os dedos nas feridas e que é um crente e não um incrédulo.
Questões para o diálogo:
1.    Eu convido você a trazer o texto inteiro para sua reflexão e oração. Vale a pena saboreá-lo e meditá-lo com tranquilidade.
2.    “A questão que divide os homens hoje […] é uma questão social […]; se a sociedade será apenas uma grande exploração em benefício dos mais fortes ou uma consagração de cada um para o bem de todos e, acima de tudo, para a proteção dos fracos”. É aplicável aos nossos dias? Em que sentido? Qual o papel que os cristãos devem desempenhar? E os vicentinos? Onde estão nossas prioridades?
3.    É o nosso olhar de fé, como o de Frederico? Reconhecemos, nas feridas e sofrimentos dos pobres, os mesmos sofrimentos que Jesus Cristo sofreu?
4.    O que você “vê” quando “olha” ao seu redor? Que realidades escondem um rosto diferente, que precisa ver a luz? O que nós, os vicentinos, fazemos para que essa mudança aconteça?



sábado, 31 de março de 2018

Fundador dos Irmãos de S.Vicente de Paulo

Jean-Léon Le Prevost nasceu em Caudebec-en-Caux na Normandie no dia 10 de agosto de 1803.
Com a ajuda de Clément Myionnet e Maurice Maignen, fundo o Instituto dos Irmãos de São Vicente de Paulo no dia 3 de março de 1845.
Morreu em Chaville perto de Paris no dia 30 de outubro de 1874.
Foi declarado Venerável pelo Papa João Paulo II no dia 21 de dezembro de 1998.

“É a caridade que suscita tudo ao redor de nós; é ela que desperta as almas, as impulsiona e as unifica. É ela também que nos leva e nos envolve na sua ação. A caridade não fraqueja e não fica no meio da jornada. Uma vez acesa, é preciso que se espalhe, brilhe e leve longe seu calor. Tudo também lhe serve de alimento. Não tenhamos medo, portanto, queridos amigos, não olhemos demais à nossa indignidade, que nos freia frequentemente e nos torna tímidos. A caridade, como a chama, consome e purifica; por ela seremos penetrados, vivificados, por ela seremos transfigurados. Oh! que esse pensamento nos anime e nos console. É a caridade que nos impulsiona e nos pressiona, somos movidos por ela; por ela tão ardente, tão poderosa; por ela, que é força, vontade, amor, amor infinito, amor de Deus!” Carta 177 – 26 de agosto de 1847