"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

sábado, 24 de junho de 2017

O que sou hoje como vicentino!

O que sou hoje como vicentino!

No percurso do caminho como vicentino terei que transportar as minhas ideias no tempo da década anos 60, na Conferência São Nicolau, no Burgo da cidade do Porto, numa freguesia da beira-rio, de trabalhos pesados cargas e descargas de carvão e bacalhau, de gentes pobres com o seu trabalho ajudavam a descarregar os Barcos Rebelo com pipas de Vinhos do Porto vindos do Douro vinhateiro. Hoje os tempos são outros, outras vidas, hoje vivem do turismo e de hotéis.
Eu, ainda um jovem e o senhor Luciano, vicentino, carpinteiro de profissão, (lá pensou para ele, que eu podia servir a igreja através dos pobres), preencher com a minha presença a Conferência Vicentina endereçou-me o convite para ir a uma reunião (sem compromisso) de vicentinos em São Nicolau, às terças-feiras.
O chamado… tinha na sua génese orientações familiares cristãs, pois o meu pai vindo de Amarante, cedo passou por varias igrejas do Porto, chegando mais tarde a ser empregado numa empresa e como voluntário numa igreja bem perto do tribunal de S. João Novo. Os meus primeiros passos (por lá deixei) já como vicentino, aos 17 anos; «costumo dizer na idade da borga» comecei a dar os primeiros passos como Vicentino, como preparação, (faltava fazer o meu compromisso) visitando os pobres que me eram distribuídos. Não dizia que não, que não podia, nessa altura desconhecia que um vicentino nunca dizia que não. Hoje sei que é assim: um “Vicentino Faz”, bem podia dar uma desculpa, mas lá ia eu, pelas Rua dos Mercadores, Reboleira, Cais da Ribeira, Av. Gustavo Eiffel, Bairro do Barredo, era impensável que ser Vicentino está no “chamamento de Deus”. Muitas vezes como a Conferência era pobre embora o (pároco nos deixava fazer um peditório numa das missas, no ofertório da uma missa) e com algumas ajudas lá conseguíamos levar o barco a bom caminho. Mas, algumas vezes não levava nenhuma saca com alimentos, levava a minha visita como jovem, conversava e sei que a partir de determinada altura senti, que já não dava ir a casa de um pobre sem levar alguma coisa para eles comerem. Pensei; visitar uma família sentindo que os estômagos estavam vazios não dava certo, nesse tempo, de poucas posses para a maioria das pessoas, sentia o tal vazio no atendimento quando chegava e um dia reparei que um deles ao se aperceber que era eu, encolheu os seus ombros, como quem diria: para que vem chatear-me se não me trás nada… Eu apercebi-me disso e sem dar a perceber, o senhor com boa educação lá se abriu com um sorriso rasgado!
Em contrapartida um dia deram-me a tarefa de visitar o “Carlinhos da Sé” uma figura típica da cidade, um senhor que tinha uma doença genética, um problema que hoje seria resolvido com uma operação e mudança de sexo. Bom o agradável dessa visita, sem saca de alimentos ele o “Carlinhos da Sé”, ficou feliz, contou-me a sua estória da sua saúde, desabafou que não tinha culpa de ser assim, chorou da sua má sorte da sua vida, mas compensou-me esta visita, este senhor, sem pedir nada recebeu-me de braços aberto para conversar comigo. Da minha parte sem saber porque as razões do mau cheiro na sua casa, la fui, lá estive a ouvi-lo, em silencio, pois para mim era uma novidade o seu estado de alma e física…
Hoje como Vicentino da minha Conferência só tenho um casal para visitar estando eu atento aos movimentos de forma a que um dia possa dizer que a partir dessa altura consiga… com vontade dos próprios, devolver alguma dignidade e respeito que merecem como seres humanos, de homens com direito e deveres a serem olhados como pessoas importantes e independentes. Não é fácil pois é uma família com alguma falta escolaridade, de recursos e falta de empregos; quatro adultos.

Agora na minha caminhada foi mudando com mais responsabilidades são acrescidas pelas tarefas que exerço num conselho. Noites com algumas horas sem dormir escolhi partilhar o que sou como vicentino, pensar como posso contribuir para que os meus companheiros vicentinos possam ser mais ativos, mais participativos em ações vicentinas de forma a que se sintam realizados sempre a partir do seu Compromisso Vicentino. São tarefas que estamos comprometidos desde o nosso compromisso a Deus, aos confrades, aos pobres. Com estas ações de informação e ação vicentina que me preocupa, me alenta a fazer o melhor possível, mas sabendo que sou como pecador que também sou, por vezes satura-me esta complexa situação em que nos encontramos no país. Ralho a mim próprio para não desanimar, também desanimo… Eu tenho, melhor, posso gabar-me de ter uma equipa que trabalha comigo sempre disponível quando eu os chamo para reunir e preparar uma reunião, um evento. Isso é gratificante e faz-me lembrar uma ideia que tenho do nosso patrono: SVP é que tem a culpa disto tudo…
SVP não ficará certamente zangado, mas talvez me possa fazer um grande favor, mais um; que me ajude a mim e à minha equipa fazer o melhor e o que fizermos seja com os pobres e para eles.
Hoje debate-se na sociedade o que andamos a fazer se andamos a fazer Caridade ou fazer uma caridade assistencial. Podemos ficar só com a distribuição das sacas, mas verifico o que faz mais falta é a “visita ao domicílio” é fazemos exatamente aquilo que nos deixou S. Vicente Paulo e Frederico Ozanam
Acreditando que existe uma diferença como faz e o modo como haje um vicentino, muitas pessoas dizem que os vicentinos são pessoas mais velhas, que não tem que fazer e ocupam o seu tempo, outros como desculpa a uma pergunta que lhe seja endereçada; dizem que não tem tempo para estas coisas. Um Vicentino para alem de acompanhar no sofrimento de pessoas tocadas pela pouca sorte tem no seu espirito o serviço a Deus através dos pobres, das pessoas que num determinado tempo, precisam de ajuda. No espirito do vicentino o serviço ao Pobre é estar ao serviço de Deus, interage com os pobres reconhecendo nas pessoas que tem habilidades suficientes em sair das dificuldades. Aos vicentinos é-lhes pedido, amor pelas pessoas em dificuldade vendo neles do mesmo modo como vê uma mãe um filho seu:
Uma Mãe, ajuda-o, encaminha-o, tenta colocar o seu filho como homem e mulher no centro ensinando tomar decisões, dando-lhes a dignidade de pessoa humana. Já dizia o filosofo francês: Fabrice Hadjad ainda sobre a posição da mulher e o aborto: Devemos Recolocar o homem no Centro. 
Então perguntaria:
Será que conseguiremos pegar num pacote de boas intenções e conseguimos desembrulhar esse pacote tornado a missão de vicentinos numa visita ao domicilio?
Onde é que os pobres nos esperam é na rua ou é a porta de sua casa?
Temos receio do cheiro a bolor?


Teixeira

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Membros Conselho Zona Gaia Norte

Composição dos membros do Conselho de Zona de Gaia Norte
Vigararia Diocesana Gaia Norte

1-Conferência Vicentina Divino Salvador-Valadares
Presidente: - Paula Cristina Rocha Silva.
2-Conferência Vicentina Divino Salvador-Vilar Andorinho
Presidente: - Serafim Geraldo Moreira Meira
3-Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Hora-Madalena
Presidente: - Maria Adelaide Dias Santos.
4-Conferência Vicentina de Santa Eulália-Oliveira Douro
Presidente: - Fernando Gonçalves Ferreira
5-Conferência Vicentina de Santa Isabel-Candal
Presidente: - Arminda Jesus Leite Marques
6-Conferência Vicentina de Santo André-Canidelo
Presidente: - Pedro Miguel Branco Silva
7-Conferência Vicentina de Santo António-Valadares
Presidente: - Maria Olimpia Barbosa
8-Conferência Vicentina Santo Ovídio
Presidente: - José Carlos Baptista.
9-Conferência Vicentina de São Cristóvão-Mafamude
Presidente: - Maria da Conceição Silva Pereira
10-Conferência Vicentina de São Gonçalo-Mafamude
Presidente: - Maria da Glória Espirito Santo.
11-Conferência Vicentina de São Francisco Assis-Avintes
Presidente: - Ana Rita Ribeiro Vigário.
12-Conferência Vicentina de São Martinho-Vilar do Paraíso
Presidente: - Mimosa Rodrigues Guerra.
13-Conferência Vicentina de São Pedro-Afurada
Presidente: - Manuel Augusto Santos Ferreira Lapa
14-Conferência Vicentina de São Pedro-Avintes
Presidente: - Licínio Tomás Moreira Santos.
15-Conferência Vicentina de São Tiago-Oliveira do Douro
Presidente: - Joaquim Augusto Ferreira Silva.
16-Conferência Vicentina de Santo Afonso-Coimbrões
(em formação)


Atualizado em 2017-06-23

Conferência vicentina uma comunidade de fé esperança e caridade.

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      Fazer parte de uma conferência Vicentina é um magnifico presente de Deus. É lá que podemos praticar a bela fé católica, fazer amigos sinceros, conhecer pessoas novas, ajudar a quem precisa e aprimorar nossa condição espiritual. Só há benefícios para quem dela participa, pois nos tornamos cristãos melhores ao buscar uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Também os socorridos são extremamente favorecidos, ao receber uma mão amiga nos momentos de sofrimento e desespero.
      Portanto, qual é a mística das Conferências Vicentinas? O grande segredo delas é que, devido à inspiração divina, as Conferências são verdadeiros locais para a prática da fé, da esperança e da caridade. Em outras palavras, as Conferências são comunidades de fé, esperança e caridade. Podem ser assim definidas, pois contemplam Cristo no rosto do Pobre, executando um serviço concreto e prático, em coordenação e amizade entre os membros.
      Alem das obras assistenciais, a acção vicentina acontece no âmbito das Conferências, que são pequenas comunidades formadas por homens (confrades) e mulheres vicentinas, que se reúnem, semanalmente, para crescer na espiritualidade e servir ao próximo. É na Conferência que os vicentinos meditam se estão realmente vivendo, com devoção e entrega, o gesto evangélico de ajudar aos irmãos que vivem em situação de pobreza (material, moral, psicológica ou espiritual).
      As Conferências são “comunidade de fé” porque levam a Palavra de Deus para fora (momentos das visitas junto aos assistidos) e para dentro (reuniões semanais) da entidade, valorizando a visa sacramental e a participação ativa na Igreja. Cada vicentino, em todas as reuniões, aperfeiçoa a vida interior por meio das leituras espirituais que preenchem o espírito e renovam o olhar sobre a fé. Além da reunião, há ainda os retiros e eventos espirituais promovidos pelos Conselhos que oferecem inúmeras oportunidades de desenvolvimento na fé. Portanto, fica claro que as Conferências são comunidades autenticas de fé, a serviço dos irmãos.
      Cultivando a fé, acreditamos e vivenciamos a Santíssima Trindade: o Deus criador (que é o Pai), o Deus Salvador (que é Jesus Cristo) e o Deus Santificador (que é o Espírito Santo). E pela prática da fé, compreendemos a verdade que vem do Altíssimo, alimentado nosso espírito e testemunhando a Boa Nova a todos que nos rodeiam.
      As Conferências são também “comunidades de esperança”. Isso fica bem explícito no momento da visita domiciliaria, quando os confrades e as vicentinas estimulam os assistidos a confiarem na Providência Divina, no valor do trabalho e na certeza de que sairão do momento delicado em que vivem, sempre com Deus ao lado. O papel do vicentino é este: mostrar aos irmãos mais necessitados que só é possível vencer os desafios da vida “com Deus no comando”, guiando os passos e mostrando os caminhos. A esperança é tão forte no seio vicentino que o lema do Conselho Geral Internacional é “servindo na esperança”. Como se percebe, as conferências são evidentes “comunidades de esperança”.
      A esperança é a virtude que nos ajuda a desejar e a esperar tempos melhores em nossa vida (aqui na Terra) e a ter a segurança de que conquistaremos a vida eterna, isto é, nossa felicidade nos céus. O vicentino, ao se tornar amigo dos Pobres, também dirige a eles essa mensagem de esperança e confiança no senhor.
      As Conferências são, por natureza, “comunidades de caridade”, pois a razão principal da existência da sociedade de São Vicente de Paulo – e dos demais ramos vicentinos – é a prática da caridade integral, baseada nos Evangelhos e no amor de Cristo. Assim, as Conferências são o lugar ideal para se praticar a caridade e o

amor, entre nós, vicentinos e com os necessitados. Essa dupla dimensão da caridade vicentina (com os Pobres e entre os membros da SSVP) fortalecer o carácter missionário e leigo da entidade, atingindo cada vez mais pessoas e levando a mensagem salvadora de Jesus sacramentado para todos os lados.
      Sobre a caridade, vale a pena recordar que o amor a Deus e o amor ao próximo são a mesma coisa, de modo que um (amor) depende do outro (amor); por isto, quanto mais amarmos ao próximo, nas Conferências Vicentinas, mais amaremos a Deus; e, por sua vez, quanto mais amarmos a Deus, mais amaremos ao próximo. Reside aí o cerne da “comunidade de caridade” da qual fazemos parte.
      Em resumo, as Conferências são, assim por dizer, as legítimas “comunidades das virtudes teologais”, pois lá se pode praticar a fé, a esperança e a caridade, elementos que nos conectam directamente a Deus. Pela fé, reconhecemos a santidade de Deus; pela caridade, mostramos essa santidade ao mundo e conquistamos nossa santificação; e pela esperança, espalhamos a alegria do porvir, que seguramente será ao lado de Deus.
      Assim, é missão de todo confrade e vicentina dar o testemunho de que as conferências Vicentinas são, de facto, comunidade de fé, esperança e caridade, dentro de uma espiritualidade leiga que tem como objetivo servir aos mais Pobres dos Pobres. Somos muito abençoados por fazer parte de uma Conferência Vicentina! Uma pergunta para reflexão: nossa Conferência é realmente uma comunidade de fé, esperança e caridade, ou se reduziu a um agrupamento de pessoas de bem que exercem um activismo social?
Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi



terça-feira, 13 de junho de 2017

O legado de Ozanam para os dias de hoje

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      As Cartas de Ozanam foram os primeiros textos, além da Regra Vicentina, pelos quais tive a satisfação de conhecer o pensamento deste extraordinário e santo homem chamado António Frederico Ozanam, modelo de jovem, adulto, pai, profissional, marido, cidadão e fiel leigo comprometido.

      Em Cartas, Ozanam pode comunicar-se com liberdade e desenvoltura, dirigindo-se com simplicidade a seus amigos, conhecidos, parentes, religiosos e académicos. Até nas missivas de cunho profissional, encontramos o “tempero” das virtudes tão caras a Ozanam, sempre com elegância nas palavras, caridade no aconselhamento e esperança na mudança das estruturas sociais.

      Suas Cartas são estimulantes, reconfortantes, pedagógicas e, acima de tudo, verdadeiras orações. As frases que citamos, hoje em dia, mais expressivas de Ozanam, foram colhidas justamente das correspondências que ele escreveu. Que riqueza, que legado, que presente divino!

      Não podemos deixar de reconhecer o grande esforço literário que a família de Ozanam empreendeu para poder recolher os escritos dele, consolidando-se em livros. Sem essa investigação histórica, talvez hoje não pudéssemos saborear esse lindo conteúdo. Também não podia ser diferente: os ascendentes de Ozanam eram e literatos, assim como seus descendentes. Considero que o Espírito Santo, soprou forte sobre esta família, brindando-a com as características de perpetuação da memória e da transmissão do conhecimento. A humanidade agradece!

      As Cartas que Ozanam escreveu ao longo do século XIX são pérolas para nossa realidade. É como se ele tivesse deixado “sinais” para as gerações futuras sobre a maneira evangélica e caritativa de superar as dificuldades e ajudar àqueles que estão em situação de vulnerabilidade e de exclusão social. Ozanam, visionário e vanguardista, deixa para a posteridade suas Cartas e nos recomenda práticas adequadas para o mundo de hoje, tão  maltratado pelo egoísmo, pela ganância, pelo poder e pelos holofotes da fama passageira.

      A leitura das Cartas de Ozanam nas Conferências Vicentinas é sempre propícia, especialmente quando celebramos a data do nascimento do principal fundador da sociedade de São Vicente de Paulo ou da criação da entidade. São datas memoráveis que não podemos passar em branco.

      Por fim gosto sempre de encerrar meus textos com algumas perguntas, para que nós, vicentinos do século XXI, possamos também reflectir sobre a postura que adoptamos, na condição de imitadores de Ozanam. Utilizamo-nos dos meios de comunicação, pessoais e colectivos, analógicos ou digitais, para disseminar a cultura da caridade? Usamos as redes sociais e a mídia para propagar a Boa Nova e libertar os oprimidos? Limitamo-nos a criticar o sistema económico e político, e não fazemos nada de concreto para alterá-lo o oferecer caminhos alternativos?

      Se Ozanam estivesse fisicamente entre nós, hoje, o que ele faria? Quantos e-mails (que são as “cartas virtuais” dos tempos presentes), não teria ele enviado aos quatro cantos do mundo para defender e proteger os mais necessitados? Somos vicentinos e, portanto, temos que ser “espelho” de Ozanam, usando especialmente as novas tecnologias a serviço dos Pobres.
     

Crónicas Vicentinas IV Cgi. Renato Lima

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A pobreza da ingratidão e o diploma da santidade

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      Um dos sentimentos mais dolorosos que uma pessoa pode vivenciar é a ingratidão. Muito mais que a ira ou o desamor, a ingratidão é como um ácido que corrói profundamente por dentro, afectando o coração do individuo que sofreu tal dissabor: Porém, como vicentinos que somos, ao buscarmos a santidade, temos que estar acima desse sentimento nocivo, que às vezes percebemos no momento da visita, no relacionamento com as famílias assistidas e até no seio da nossa entidade.
      Certa vez, um Conferência, por ocasião do Dia das Mães, decidiu doar Kits de cremes para embelezar as mães assistidas. Grande foi a surpresa quando nem todas as senhoras beneficiadas disseram uma palavra de agradecimento, como por exemplo: “muito obrigada!”. Nem um sorriso, nem uma demonstração de afecto. Na verdade, são pessoas sofridas, que nem sempre têm forças ou ânimo para a vida; mas daí demonstrar tamanha indiferença, é uma dor muito forte para quem proporcionou aquele gesto genuíno de caridade.
      O próprio Jesus Cristo também “reclamou” dos ingratos. Ele mesmo, que era Deus, após curar dez leprosos, indagou porque apenas um havia regressado para agradecer. E Jesus perguntou: “Onde estão os outros nove?” (Lucas 17,17). Na caminhada vicentina, muitos “leprosos” passarão por nós, mas poucos serão agradecidos. É bem verdade que fazemos esse trabalho de caridade sem buscar reconhecimento ou gratidão; tais sentimentos são humanos e fazem parte da educação das pessoas. O que pode nos consolar, um pouco, é que uma pessoa ingrata é também vítima do problema, pois não teve acesso à cultura.
      Ser grato a uma pessoa pode ser algo tão simples para muitos, especialmente àqueles que tive acesso à educação e nasceram numa família que lhes ensinou valores, princípios e posturas socias. É bem verdade que boa parte dos socorridos de nossas Conferências não possui essas características. É por isso que, juntamente com as cestas de alimentos e outros bens materiais, os vicentinos devem levar “exemplos”, “conselhos”, “orientações” e, acima de tudo, “ensinamentos”. Tudo o que dissermos de valores e virtuoso a um assistido produzirá frutos no futuro.
      Contudo, uma certeza pode-se ter: da mesma maneira que Jesus ofereceu a “outra face” a quem lhe quisesse machucar (Mateus 5,39), a ingratidão com que, às vezes, estamos sujeitos (pelos assistidos, por alguns representantes da Igreja e pelos próprios companheiros de caminhada vicentina), será a chave para abrirmos as portas do paraíso. Essa ingratidão nos condecorará com um “diploma invisível de santidade”, que São Vicente e Ozanam nos entregará quando estivermos entrando nos céus, um dia.

      Qual é o pior defeito do ser humano? – Como podemos lidar com essa situação nos trabalhos vicentinos, especialmente junto aos assistidos? 
Crónicas Vicentinas IVCgi. Renato Lima

domingo, 21 de maio de 2017

8 - O MEU FOLLEVILLE

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Depois de 400 anos aqui estamos, em Folleville chamados a ir novamente para o nosso próprio Folleville. No início Vicente não estava realmente animado, mas foi feliz até ao final, passando por diferentes obstáculos para ter esta experiência, que foi uma dádiva de Deus. E agora nós somos chamados a passar por obstáculos, não a determo-nos por caminhos longos, ou pelo mau tempo, a neve, a chuva ou qualquer outro obstáculo que possamos encontrar durante o caminho. Somos chamados a alcançar o nosso próprio Folleville.
Folleville está à nossa espera. Está esperando-nos em muitas partes do mundo, em cidades, povos: pequenos, médios, grandes. Em todos os continentes há Follevilles: a experiência da pobreza espiritual que Vicente experimentou tanto em Folleville, encontra-se também agora no mundo de hoje, em todos os continentes.

7 - IR A FOLLEVILLE

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“Percorrer as estradas, as esquinas que Vicente fez há 400 anos. Foi para chegar à vila de Folleville, tocando o chão, sentir a erva, ver os animais, inclusive encontrar um cavalo, como se passou com Vicente.

Fui para experimentar a neve, o frio e o sol, como também fizeram os outros que foram ao povo e viam a igreja de longe. A igreja, na verdade era o lugar onde Vicente queria ir. A experiência na igreja de Folleville foi o que começou a mudar a sua vida, o seu interior, o seu coração. Foi um chamado que ele experimentou. Foi um momento de graça. Foi um momento em que atou o Espírito Santo nele, e desde então a sua vida nunca mais foi a mesma”.