"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os tempos quererão mudar o homem “situacionista”!

Interrogo-me se será que é o tempo que muda o homem ou será que o homem tenta mudar o tempo.
Alguns saberão que o universo de eventos é percebido por um referencial acelerado segundo a teoria da relatividade. Não irei aqui discutir o universo com pontinhos negros ou a relatividade (pois a minha formação não e cientifica), mas alerta o meu pensamento se será que algo estará a mudar ou será que o tempo força o homem à mudança…
Penso que o texto a seguir tem a ver como o “tempo será o seu mestre” com a postura a forma de abordagem que o Papa Francisco tem colocado desde o seu início papal, às questões da pastoral da igreja na sua forma de estar, comunicar, de caminhar de se identificar com os valores transmitidos nos evangelhos pelos apóstolos, nas palavras de seu mestre: Jesus Cristo.

O Papa tem-nos surpreendido com algumas afirmações “bombásticas”, na igreja que deixa alguns padres e bispos perplexos com as suas abordagens e afirmações dos problemas, melhor dizendo com os seus «apontar caminhos» que a igreja devia ter.
Ainda recentemente na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Brasil, o Papa Francisco aos bispos brasileiros abordava questões difíceis e exigentes do domínio da pastoral, em textos muito fortes.
Sabemos que a primeira encíclica do Papa Francisco intitula-se Lumen Fidei, publicado no começo de Julho, foi escrita principalmente por Bento XVI; Francisco contentar-se-ia acrescentar ma espécie de posfácio. 
Papa Francisco dirigindo-se aos bispos, aborda questões como; a igreja de ser de tal maneira exigente em seus “padrões” que desencoraja um conjunto de pessoas: “ muitos buscam atalhos, porque se apresenta demasiada alta a “medida” da Grande Igreja. Também exigem aqueles que reconhecem o ideal do homem e de vida proposto pela igreja, retraindo a audácia de abraça-la. Pensam que este ideal seja grande demais para eles, esteja fora das suas possibilidades; a meta a alcançar é inatingível”.

Bergoglio não tem medo das palavras e chama a uma igreja de: chata, rígida, fria, centrada no seu umbigo! Nunca Bento XVI e João Paulo II fizeram semelhante autocrítica. 
O Papa não hesita em tocar outro assunto na instituição: o lugar das mulheres. Hesitação do “desempenho das mulheres na igreja. Diz mais se a Igreja perde as mulheres, na sua dimensão global e real, ela corre o risco de esterilidade” A solução passa, segundo o Papa, pelo exercício da maternidade da Igreja, isto é, pelo exercício da misericórdia. “Ela gera, amamenta, faz crescer, corrige, alimenta, conduz pela mão…”

Nas suas alocuções aos bispos latino-americanos, numa reflexão profunda apela a uma verdadeira conversão pastoral, sob a forma de um verdadeiro exame de consciência.
O Papa exorta a uma revolução pastoral mais que administrativa. O Papa denuncia o funcionalismo que “olha para a eficácia” que deixa fascinar pelas estatísticas e “reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma Ong”.

Entre muitos “recados”: «A valorização dos leigos na missão». »A confiança no talento do “seu rebanho”». «O bispo deve guiar, o que não é o mesmo que dominar». Ecoando o que vem dizendo desde a sua eleição, o Papa denuncia o clericalismo: “Na sua maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade pecadora: o pároco clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize”
Citação partes de textos escrito por LBoff.
O que tem a ver tudo isto com a Sociedade São Vicente de Paulo? 
Uns dos aspectos que encontro é que a pastoral vicentina é ainda ineficaz, está ainda na incubadora, ainda não nasceu para enfrentar os caminhos a que se nos depara algumas vezes num acompanhamento de um assistido. Encontro alguns medos e receios de se expor ao desagradável nas perguntas e respostas que um pobre nos questiona. Questões que nos põe exigindo que tenhamos a solução de problema, algumas vezes do seu problema pois o que está em causa é, a sua família. As pessoas exigem de nós “que muitas vezes não temos a capacidade de resposta” e não conseguimos ouvir, retirámo-nos. «Dizem que a retirada no campo de batalha é a melhor defesa!..»
Sinto e felizmente não é em todos os casos, graças a Deus, pomo-nos numa posição cómoda de lugar, não damos respostas, não investimos na felicidade do ser humano. O homem em dificuldade sente à sua volta um certo situacionismo. Tudo numa boa. Tudo na mesma. 
Acho que O papa Francisco caiu-nos do Céu e com os seus ensinamentos os tempos irão virar os pensamentos do homem e se calhar estes tempos de poupança de contenção económica, seja o abrir caminhos para uma nova Esperança. É isto que vou sentindo diariamente. Primeiro o saldo de tesouraria e depois o homem…