"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

domingo, 28 de agosto de 2016

Renovemos na oração pelos vivos e pelos mortos!

Há uns tempos não muitos talvez um meses debati-me com um pensamento; será que valerá a pena os cristãos rezarem pelos falecidos ou será que não terá mais sentido, perante Deus rezarmos pelos vivos? Entendia eu que, uma vez os nossos familiares falecidos no dia em que vão ao encontro de Deus para morada eterna, partirão dando contas dos seus pecados cometidos na terra perante Deus e os homens e como tal, uma vez no Céu, estarão protegidos por Deus não tendo necessidade que lhe rezemos por eles. Ora vejo estes desejos de orar, como dizem os devotos, mandar rezar missa (orar a Deus) pelas almas dos que partiram. Não tenho duvida que também, quem reza pelas sua intenções pessoais, pedem porque têm necessidade de se sentir bem consigo próprio, manifestam com esse gesto as saudades que sentem pelos seus entre queridos. Por vezes mandam rezar, contratam estafetas-cumpridores-de-promessas, outros nem aparecem à cerimónia religiosa, à celebração da Eucaristia, já nem comento ao inúmeras de intenções que preenchem uma folha A4. 

Claro, que não devem ficar atrapalhados e ficarem pensativos que se devem ou não realmente rezar pelos seus entre queridos, rezar a Deus não é demais e não devemos rezar só quando nos apetece mas rezar a Deus, sempre e todos os dias, Deus assim o quer. 
Embora não tenha muita importância «será dada a que lhe dermos», para Deus pois os aceitará e depois de pedir contas pelo Bem ou pelo Mal que praticaram na terra, os aceita os recebe de braços abertos.

«Para que não haja duvidas contarei uma pequena passagem do Livro de Macabeus quando Judas Macabeu; livro 2 Mac 13- Versículo 43, mandou fazer uma colecta entre os seus homens para enviar a Jerusalém e serem oferecidos sacrifícios pelos pecados dos que tinham morrido. E o autor sagrado diz que esse era um santo e piedoso pensamento de rezar pelos mortos.. Como sabemos os primeiros cristãos celebravam os santos mistérios na catacumbas onde estavam sepultados os seus mortos...» 

  
Para mim não seja necessidade imperiosa porque penso que devíamos dar prioridade nas nossas orações, rezar a Deus pelos nossos familiares que estão vivos. Não será que os vivos têm necessidade que rezemos por eles. Ele não nos pedem para que rezemos a Deus por eles para que tenham saúde, tenham emprego, que Deus os cure de uma doença? claro que sim, sentem necessidade que nós cristão não nos esquecemos deles. 
Porque falo neste tema? - Este ano decidi a bom exemplo de minha mãe Quitéria, já falecida, quando era viva o padre Amaro, da igreja de São João Novo, um dia quis evidenciar numa homilia a bondade manifestada por se lembrar mandar rezar missa em acção de graças nos dias de aniversários dos seus filhos; uma santa e bondade espiritualidade cristã.

Portanto, não se esqueçam a quando pedirem para mandar rezar uma missa pelo seus familiares, não se esqueçam dos vivos, eles precisam das nossas orações. Rezem e lembrem aos presentes que estão a rezar a Deus pelos vivos, que estão ao nosso lado, que estão na cama doentes, que estão a trabalhar, que estão privados da liberdade. Não será  um ato de Misericórdia viver na Alegria do Evangelho é a nossa missão? «Com Maria, renovemos nas fontes da alegria»  


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

«CONFERÊNCIAS» Célula base da vida de S.S.V.P.

A S.S.V.P. CARACTERIZA-SE PELA SUA ESTRUTURA PRÓPRIA *

CONFERÊNCIAS - Unidade de base da sua acção directa, como escola, formação, santificação e centro programador da acção perante os casos de pobreza detectados e analisados.

- Grupos de pessoas animadas por um espírito de fraternidade e simplicidade cristã que, fazendo parte de um movimento católico internacional, terão sempre presente a Regra da S.S.V.P.

- O objectivo das suas reuniões será a santificação dos seus membros, sendo a assistência material o seu fim secundário, tendo sempre presente o espírito de justiça e caridade cristãs.

Como funcionam?

Num espírito de verdadeira fraternidade, tendo como finalidade o aprofundamento do amor ao próximo, seguindo em tudo a Regra da S.S.V.P. para que haja uma verdadeira unidade entre todas as conferências, em qualquer lugar do mundo em que se encontrem.

Ordem das Reuniões

- Oração da Regra
- Leitura Espiritual; comentário
- Leitura da acta da reunião anterior e feitura da acta do dia
- Partilha das experiências semanais das visitas domiciliárias, da acção evangelizadora, junto das famílias visitadas
- Coleta (secreta)
- Informações
- Oração final.

DEVERES

VISITA DOMICILIÁRIA - É o serviço e directo, por ser a mais rica e mais completa forma de relação pessoal e, é considerado o processo tradicional da actuação vicentina. Permite acompanhar junto dos assistidos a evolução da pobreza na humanidade.

- Devem os Vicentinos (membros da Conferência) em tudo estar ligados aos seus Conselhos de Zonas e Centrais, para que a S.S.V.P., seja una, só assim se compreende a inter-ajuda e a inter-partilha de experiências;

- Deve existir um verdadeiro espírito de amor, tendo sempre presente que a caridade começa para com aquele que está ao nosso lado;

- Devem relatar (através de relatórios, quadros estatísticos, etc) para os Conselhos de Zona e Centrais todas as experiências relevantes;

- Devem participar em todos as reuniões e assembleias propostas pelos Conselhos de que dependem.



CONSELHOS

- Coordenam, orientam, dinamizam, estruturam, informam e formam a S.S.V.P., a cada nível.


OBRAS ESPECIAIS

- Fundadas, geridas e mantidas pela S.S.V.P., que têm vida própria, tal como infantários, creches, lares e centro de dia, roupeiros, cantinas, casa de trabalho, etc., etc.



* - O suporte jurídico da S.S.V.P., em Portugal é assegurado pelas Associações das Obras Assistenciais e das Obras Sociais.





terça-feira, 16 de agosto de 2016

Visita domicílio e sua Importância


«Desempacotar uma tradição consagrada»


Olhando tradicionalmente à prática vicentina na visita domiciliária, outrora, dava-se bastante relevo nas visitas ao domicilio, pelo que me vou apercebendo hoje penso que nem tanto, pois temos outras técnicas de aproximação com pessoas e outras são recebe-las nas nossas sedes ou em instituições ligadas ao estado e/ou particulares. Entendo que, a visita a casa é uma questão de “Seguir as boas-venturanças”. Já São Vicente de Paulo, confiava vivamente e deixava às Irmãs da Caridade que não deixassem de visitar os pobres. Quis aqui deixar a técnica mais antiga e a mais directa a mais humana e nós Vicentinos podemos examinar o que é a visita domiciliária, porque o fazemos, como nós vamos a uma visita e o mais importante, o que queremos com isso alcançar e como podemos superar as razões o vicentino, têm o hábito de não fazer a visita ao domicílio.

                                                                                                              

Podemos em ordem dividi-las em 5 razões                       


1) Qual é a importância visita de casa?                      
2) Porque fazemos a visita ao Domicílio?       
3) Como nós vamos sobre a visita a casa?
4) O que Queremos realizar?
5) Como superar as razões para não fazer a Visita ao domiciliário?


Ouvimos dizer que se não fizermos a visita a casa o seu valor de vicentino não faz a coisa certa, eu também, estou em pleno razão, a visita domiciliária é o encontro de pessoas, quer dizer, ver com os nossos olhos a dor e necessidades. Claro que também não quer dizer que seja sempre em casa, se for um sem-abrigo, se for numa sala de venda de roupa, ou numa sala da igreja, mas se sentimos dificuldade então podemos solicitar ajuda a outro vicentino, ao seu conselho.

      ➢   QUAL É a importância Visita de Casa?

A visita domiciliária é uma visita com pessoas, com famílias. Hoje podemos entender algumas opções em fazer uma visita aos pares e muito bem pensado, é que: «Nós somos como os Apóstolos», viajavam aos pares. Realmente não importa onde, desde que a visita verifique as pessoas, as suas necessidades de curto e médio prazo. Há casos que eles vêm ao nosso encontro mas, essa deve ser uma excepção e não como regra vicentina.
A visita domiciliária não é que caia fora alimentos ou vales na porta. Os vales estão no meu bolso, até que dê concluída a visita, mas entrar na casa encontraremos «Deus neles». 
 
     ➢  Por que fazemos a visita domiciliária?

Pode haver duas razões para fazer a visita, as duas são importantes.

1)   Visitar uma pessoa ou família em sua casa dá-nos uma melhor compreensão deles, das suas necessidades. Somos seus convidados, e faz a situação mais confortável e relaxante para os nosso “vizinhos” com necessidade. Estes sentem confiança e a partir daí constrói-se uma relação que pode abrir caminhos às ajudas.
2)     Talvez não querendo ser egoísta vamos pensar que a segunda razão é igual à primeira.
Acreditamos, como vicentinos, vamos crescendo Espiritualmente, principalmente através de visitas domiciliar. A Espiritualidade, recebemos e conduz à paz interior pessoal e como o Bem-Aventurado Frederico Ozanam disse: “A paz do coração”, o mais valioso dos dons de Deus. Sem espiritualidade não conseguimos nada.

     Como nós vamos sobre a visita CASA?

SER-Diligente e NÂO-Passivo. Nós vicentinos temos várias formas de resolver isso, atender uma visita, pode ser receber uma chamada por telefone, por indicação da paróquia, pelo conselho directo ou da central, exterior.
Pessoalmente depois do inquérito das realidades a fazer com a maior urgência possível, podem elaborar uma «ficha visita ao domicílio» que, servirá para as notas. Devemos pensar que o nosso assistido não é propriedade nossa e deve-se repartir as tarefas as informações para que outro saiba a quando a sua visita. Se a visita for aos pares “ideal possível” ambos devem trocar opiniões sobre a visita. Verificar se os alimentos que levamos não estejam obsoletos. Sei que têm havido esse cuidado em maioria das conferências. Pedir documentos. O ideal era não pedir, há pessoas nossos visitados que de imediato oferecem para nós mas há outros que não e deve-se ter algum cuidado para não haver duplicações de pedidos por várias obras ou instituições. Pessoalmente, entendo que as conferências dentro da mesma freguesia deviam trocar informações de identificação. A falta dela pode possivelmente provocar prejuízos aos outros que precisam. A Espiritualidade do vicentino é, se possível, na visita antes ou depois dizer uma breve oração individual ou em conjunto, vão bem preparados com «dons do Espírito Santo», os vicentinos depois de agradecer ao Senhor pelo trabalho realizado, irá tomar as decisões corretas. Devemos sempre lembrar que sem a ajuda do Senhor não podemos fazer nada.

     O QUE QUEREMOS realizar?

Ao recebermos uma chamada essa pessoa de nós espera servir-lhe de bom agrado, da melhor forma possível a ajuda muitas vezes está numa necessidade de uma só vez.

Podemos lembrar que temos dois papéis ao servir o próximo.

Traga ajuda imediata de qualquer maneira possível.
Trazendo informações e o incentivo para ajudar o individuo.
Dar A Mão é o nosso papel mais importante do que manter a pessoa pobre por mais um mês.
Sei que muitas vezes fazemos também as suas coisas. Óptimo!
Se a nossa presença for para repetir como disse antes ao inquérito a realizar devemos classificar as pessoas:

A mãe solteira com várias crianças e dinheiro apenas pode não ser o suficiente para, satisfazer as suas necessidades. Termos a sorte de ter os recursos para ajudar essa pessoa por um período mais ou menos longo.
Também uma pessoa, família, idoso com dinheiro pode não ser o suficiente para as despesas.
Pode que eles precisem de um vale, cartão carregável nos híper para fazer face até ao fim do mês. Temos o privilégio de ser capaz de ajudar!
O próximo pode ter problemas mentais. Esta pessoa não pode ajudar-se a si próprio por isso o nosso atendimento, convém amar o pobre a pessoa com um afecto especial. Se possível acompanho-o com ajuda de uma pessoa especializada e/ou ir ao médico.
Não abandone a pessoa por ter um trato difícil. Esta pessoa é o nosso desafio mais importante. Tenhamos o pensamento que ao vermos um pobre é o próprio Deus nele. Ajudar a pessoa permanecer na posição de pobreza é uma injustiça. Ajudar a injustiça é um desserviço. 
Cada comunidade, região etc., tem muitos programas para ajudar as pessoas comunitários.
Cabe às nossa conferência acompanhar e procurar saber de programas comunitários e grupos que podem ajudar. A Caritas, a “Abraço” e a “Refood” entre outros no nosso Concelho. Existem outros também importantes que não damos muita atenção é empresas de ofertas ao emprego. Vão a Sites por exemplo: net-emprego e inscrevam-se para receber informações por via E-mail.

     Como superar as razões para não fazer VISITAS em casa?

As conferências afastam-se às visitas ao domicílio, por muitas razões, incluindo o seguinte:

     A razão mais comum é a falta de membros vicentinos para servir…
    Um aumento no número de novas pessoas que necessitam de ser assistidas às vezes pode ser
esmagador.
     Aceitar ofertas de outros grupos da comunidade para unir forças.
Há muitos paroquianos que querem servir. Cabe a você, sua Conferência ou Conselho encontrar essas pessoas. Eles estão lá… Converse fora do altar. Diga aos paroquianos o que você precisa. Dê-lhes exemplos de algumas famílias que você serve. Convide para uma pequena formação. Faculte-lhe o ABC Vicentino. Uma triagem, entrevista é importante… Não tenha medo de recusar pessoas.

Geralmente do número que precisam, surge nas alturas de dificuldade económicas numa comunidade. Portugal atravessa esses tempos e têm-se acentuado os pedidos de ajudas. Aproveite para dinamizar a sua Conferência e não descore a possibilidade de socorrer-se aos meios económicos disponíveis ou outras campanhas a nível do seu conselho, de subscrição de benfeitores, cremasses, peditórios nas igrejas.
Fale com o seu pároco e pense com ele, escolher um peditório na missa destinado aos pobres. Normalmente os paroquianos aderem com afabilidade nesses peditórios.
Não se esqueça que a Câmara Municipal de V. N. Gaia, tem diversos organismos constituídos chamado “Constituição do Concelho Local da Acção Social”, da Câmara Municipal de Gaia, podem dar um contributo importante para resolver situações que ultrapassam as capacidades das Conferências.  

Juntarmo-nos a outros grupos não é solução Vicentina atraente ou aceitável se as seguintes coisas não-vicentinas acontecer:

»      Os vizinhos “assistidos como é conhecido” recebem em bancos de alimentos em vez de sua casa.
»      São-lhes pedidos documentos em alguns casos de casamento.
»      Um grupo governa as quantidades das vezes as pessoas para obter ajuda e em quantidade
em vez de ser feita por necessidade concreta às suas necessidades diárias.
»      Dando comida envelhecida...
»      Crianças recebem ajuda e os mais idosos ficam excluídos.
»      Às pessoas, são cortadas por uma variedade de razões.

Verifica-se algumas acções acima indicadas, não atendendo a nossa missão principal que é a «Visita a Casa», mas neste artigo espera-se ao transmitir os pontos de vista possa virar a página.
Sentimo-nos tristes de algum modo com a desistência em algumas conferências das visitas a fazer mas, espero que a reflexão nas conferências seja boa, o nosso trabalho seja profícuo nos meios em que os vicentinos estão inseridos na comunidade, visto que é nesta que a nossa missão de Vicentinos é importante. A ideia é fazer que o vicentino vá ao encontro do Pobre, praticando a Caridade com carinho. Frederico Ozanam nos diz: “Vamos aos Pobres”


"Algumas formas que os vicentinos devem ter em conta no seu primeiro contacto
na sua visita a casa de que nos pede ajuda."

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Mudança Sistêmica

Mudança Sistémica, é um modelo um método que se utiliza de forma organizada resolver, envolvendo varias pessoas, grupos e organizações de forma que possamos diminuir a pobreza, diminuir a dificuldades de integração na sociedade de jovens e adultos se inserirem na sociedade, proteger os mais frágeis como as crianças mais pobres, estando nestas condições ficam vulneráveis ao seu desenvolvimento físico e intelectual e dificultando o amor na família, através de projectos e adaptados às realidades do local ou país onde estamos inseridos... Estas mudanças estão a ser implementadas no Brasil e em África, países mais vulneráveis provocada pela pobreza estrema.
No nosso pais pode existir casos de extrema pobreza, poucos mas existe mas, o povo português é demasiado solidário e tem uma constituição que protege de alguma maneira os mais pobres, embora contra vontades de certos poderes mais conservadores.
Eu, tenho dito e afirmo: é necessário dar continuidade às visitas domiciliárias, não desistir (há quem desista) da tarefa a que fomos chamados na Missão da Caridade. 

Como dar respostas neste exemplo?

A Janete, deixou a sua casa alugada nas Praias do Sado e veio viver para um andar de sete pisos, situado no bairro dos Índios, centro da cidade de Setúbal. A casa deixada custava-lhe 250€ mês, valor muitas vezes após pedido sofria exortações e ralhos dizia o senhoria: «Não pode ser. Um de vós pode muito bem arranjar trabalho. A gente mexe-se, Procura-se. Se não é uma coisa é outra. Assim, é que não pode ser...». 
O andar onde mora custa-lhe só 100€ mas, não tinha nada. Nem mobília, nem electrodomésticos, nada. Dormiam no chão, ela, o marido e os filhos em cima de um cobertor. Tudo lhe foi arranjado incluindo um esquentador e um frigorífico. Moram no 3º o prédio tem elevador avariado há décadas.Escadas estreitas e esburacadas, sujas. Na entrada do prédio montes de lixo com papeis, plásticos, garrafas, sacos atirados ao chão como se fosse uma estrumeira. O cenário de desleixo e imundice era comum a toda a escadaria. A porta do que foi elevador arrombadas, pedaços de tábuas pregadas sobre ela, arrepiante. 
Socialmente vivam no prédio pessoas com algum nível humano (vê-se pela qualidade das portas de entrada, se é que marca a qualidade de posição), a maioria é gente a quem não repugna esta confusão. 
Diz o autor: Meu Deus! Fala-se tanto do Social, mas quando se chega a situações concretas, ninguém se mexe, nem se incomoda. toda a gente tem posições sociais que não se coadunam, na sua mentalidade,com a missão de ir a estes prédios, na sua maioria camarários, tratar da sua limpeza, exigir asseio e dar a mão, sim, Dar a Mão. 
A Igreja, normalmente, aqui na cidade, fecha-se na sacristia, nos Centros Sociais e no seu apostoladozinho, que são sempre lugares menos arriscados e mais cómodos. Julga mesmo que velar por estes pobres, pertence ao Estado e que a Igreja, pertence todavia faz muito. Estes bairros são campos abertos para manifestar a justiça Divina, para se ter noção das injustiças e a visão delas. 
Não podemos ficar só com relatórios, estudos ou reportagens, é preciso, como insiste continuadamente o Papa Francisco "ir lá cheirar as ovelhas" para se ver a largueza da miséria humana, em tantas periferias das cidades. 
O corrimão das escadas escavacado, também tive dificuldade em subir. É contra a lei portuguesa ter prédios sem condomínio organizado, sem elevar, sem o mínimo de dignidade, respirando um ambiente demolidor. 
Para acreditar a Fé Cristã no Deus vivo e o valor da nossa Igreja, é necessário vencer o indiferentismo, pois, assim, tudo se vai esvaziando como fumo de uma labareda apagada. 
Tanta gente a peregrinar a pé para Fátima e tão pouca a percorrer os ambientes pobres das suas cidades. Tenho a certeza que seria mais agradável à Mãe do Céu, a Pobre de Nazaré, que estamos este ano «Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria». Eu diria de outra maneira interiorizada « renove-mos nas fontes da alegria». 
Minhas ricas Conferências Vicentinas! Meu rico ideal da pobreza...        
Adaptado.Texto de: Pe. Acílio-O Gaiato.


  

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pai Américo há 60 Anos

Pai Américo - foi há 60 Anos

Foi há 60 anos que Pai Américo partiu. Quando disse, antes de partir, «a minha Obra começa quando eu morrer», deixou-nos claro, pela sua e nossa fé, que a sua partida não se traduzia num corte radical com a realidade que deixava. Poderia, por outras palavras, ter dito: «Eu parto, mas continuo, antes vou começar uma nova maneira de trabalho nesta Obra que, um dia, Deus por mim fez nascer, porque me encheu de fome e sede de justiça por aqueles para quem não se olhava nem se cuidava. A minha missão de «recoveiro dos pobres», que cumpri, entrego-a totalmente a vós que a continuais como eu a comecei e fiz crescer. Estarei junto d’Aquele que a pensou, a acalentou e tudo Providenciou, a fim de que vós, que a abraçastes e vos dais inteiramente a ela, não vos guies pelo tino da evidência das realidades, mas pela loucura da fé no divino: o «padre da rua» «é um obreiro do Senhor que vê a Obra feita antes de começada».
69 anos é muto tempo para a vida humana, mas, a obra continua e vai certamente continuar porque o homem também é generoso. Foram anos transformando um pedaço do tempo «que não para», que muitas vidas se doaram e gastaram, entrem muitos (padres, senhoras, e os rapazes), nesta missão de cuidar dos Pobres à maneira de Pai Américo: do Rapaz de rua, do Doente incurável, dos Pobres de muitas outras pobrezas e também dos que não as tendo a condicionar-lhes a vida, perceberam que nas palavras, no testemunho e nas acções de Pai Américo e dos que o seguiram, mereciam um enriquecimento para a vida, de ânimo, de luz, de verdade e de eternidade. É assim que a Obra da Rua aquilo que explicitamente aparece. Há um dentro e um de fora, duas realizações do seu ser família. Delas, uma complementaridade irrompe, de meios e de contributos para a realização vital de uns e de outros, pois a família é um dom e uma capacidade dados ao ser humano para que, na inter-relação, reciprocidade e complementaridade, alcance o desiderato na sua vida, que tem como meta última, pertencer, em pleno, à Família do Criador. Por este anseio, Pai Américo suspirou, exprimindo-se assim: «eu que os meus filhos no Céu». «Somos a família para os sem família».

Nota: o texto é longo e por hoje ficamos prometendo continuar…  

Dados biográficos:
Fundador da Obra "Os Meninos de Rua", colocando o seu altruísmo ao serviço dos mais necessitados.
Nasceu a 13 Outubro de 1887, em Galegos,
Penafiel. Faleceu a 16 Julho 1956, vítima de um acidente de viação.
Apesar da sua vocação sacerdotal teve de enfrentar a oposição do seu pai que o conduziu para a área do comércio.
Trabalhou em Moçambique vários anos e regressou a Portugal em 1923, onde decidiu enveredar definitivamente pela vida sacerdotal. Ingressou no Seminário de Coimbra, em 1925 e a sua ordenação sacerdotal ocorreu em Julho de 1929.
Durante algum tempo, encarregou-se da "Sopa dos Pobres", em Coimbra, concelho onde fundou a primeira "Casa do Gaiato" - em Miranda do Corvo - no ano de 1940.
A de Penafiel viria a ser construída na freguesia de Paço de Sousa, em 1943. Da sua obra destacam-se ainda um lar de estudantes no Porto, fundado em 1945; o "Património dos Pobres" dedicado às famílias sem casa, em 1951 e o Calvário destinado aos doentes incuráveis e abandonados, em 1957.
Referência, ainda, para a fundação do jornal "O Gaiato" cujos artigos contam com a participação dos "Meninos de Rua".
Atualmente, as oito Casas do Gaiato existentes (cinco em Portugal, duas em Angola e uma em Moçambique) ainda continuam a acolher crianças e jovens privados de uma vida familiar normal.

Da sua obra literária, destaque para os seguintes títulos: "Pão dos Pobres", "Obra da Rua", "Isto é Casa do Gaiato", "Barredo", "Viagens", "Doutrina", "Ovo de Colombo" e "O Fundamento da Obra da Rua e Teor dos seus Obreiros", reconhecida como seu testamento espiritual.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

«Vocação, apelo ao serviço direto dos pobres»

Da Regra
II A «Vocação Vicentina»,
Coração da unidade da S.S.V.P.

A palavra "Vocação" foi empregada diversas vezes pelo Papa Paulo VI ao dirigir-se à Soc. S. Vicente Paulo, exprime claramente o significado profundo da unidade tão concretamente é sentida por todos os seus membros.
Uma «vocação no sentido lato é um "apelo" da consciência esclarecida pela graça do Espirito Santo. Quem quer que um dia tenha desejado um dia ser "vicentino" traduz-se em ato, uma consequência da nossa fé cristã: não é somente o apelo absolutamente universal de Cristo ao espirito da caridade, pois é ainda uma nota particular desse apelo: o último desejo de particular «pessoal e directamente» no «serviço dos pobres» por um « contacto de homem para homem», pelo «dom pessoal do próprio coração com a sua amizade» - e de o fazer numa comunidade fraternal de leigos animados da mesma vocação».

Há uma infinidade de matrizes e de diversidades para exprimir esta vocação: traduzi-la, concretamente em actos,  «deu-me», adapta-la ao mundo variado e imutável, é toda a vida do vicentino, toda a vida da Sociedade de São Vicente de Paulo.

Na origem desta, na época de Ozanam, ela exprimir-se pela «visita aos pobres nos seus domicílios», que se considerava o protótipo das atividades vicentinas. Numa linguagem mais moderna, diríamos que não nos contentamos com a simples distribuição de «esmolas» mas devemos procurar o diálogo pessoal com os que sofrem (seja qual for o sofrimento), sem o menor sinal de paternalismo, numa atitude de confiança mútua, de respeito pelas pessoas e pelo lugar sagrado que é o seu lar, de partilha da amizade e pelo lugar sagrado que é o seu lar, de partilha da amizade e de reciprocidade de serviços, de todas as delicadezas de amor.
Nota ao parágrafo: {todo vicentino deve preocupar-se não só em fazer a visita sempre ao domicilio e não menos importante fazer o acompanhamento de perto a fim de podermos ajudá-los caso necessário, em livrarem-se da dependência da esmola ou ajuda. É importante ajudar a criar maior autonomia econômica e social}.

É certo que esta vocação pode viver-se isoladamente, mas não é menos certo que ela só pode ser plenamente sentida e apoiada numa certa comunidade, onde se encontra a alegria de participar fraternalmente no mesmo ideal, além de um respeito mais rigoroso pela dignidade dos pobres, anonimamente ajudados pó elo grupo, do qual pode ser mandatário tanto p mais pobre como o mais rico.

A fonte da vocação vicentina é ao mesmo tempo humano e divina: é a angustia causada pelo espetáculo do sofrimento do outro ser humano, a espontânea reação de simpatia e ate de revolta perante as injustiças de que são vitimas os nosso irmãos em humanidade.
Mas é também a atitude do cristão impregnado da palavra de Deus, que vive da esperança do mistério pascal da Ressurreição, portador dessa mensagem de esperança que contem toda a fraternidade humana pelos que sofrem e suportam a sua cruz pela fé nesse mistério da presença de Cristo nos pobres e nos atribulados.

O objectivo e igualmente duplo: o humano socorro dos infelizes, tanto quanto possível a salvação dos seus destinos de homens: e pelos canais interiores da graça e do testamento, a salvação comum participação no Reino de Deus.