"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

sábado, 24 de junho de 2017

O que sou hoje como vicentino!

O que sou hoje como vicentino!

No percurso do caminho como vicentino terei que transportar as minhas ideias no tempo da década anos 60, na Conferência São Nicolau, no Burgo da cidade do Porto, numa freguesia da beira-rio, de trabalhos pesados cargas e descargas de carvão e bacalhau, de gentes pobres com o seu trabalho ajudavam a descarregar os Barcos Rebelo com pipas de Vinhos do Porto vindos do Douro vinhateiro. Hoje os tempos são outros, outras vidas, hoje vivem do turismo e de hotéis.
Eu, ainda um jovem e o senhor Luciano, vicentino, carpinteiro de profissão, (lá pensou para ele, que eu podia servir a igreja através dos pobres), preencher com a minha presença a Conferência Vicentina endereçou-me o convite para ir a uma reunião (sem compromisso) de vicentinos em São Nicolau, às terças-feiras.
O chamado… tinha na sua génese orientações familiares cristãs, pois o meu pai vindo de Amarante, cedo passou por varias igrejas do Porto, chegando mais tarde a ser empregado numa empresa e como voluntário numa igreja bem perto do tribunal de S. João Novo. Os meus primeiros passos (por lá deixei) já como vicentino, aos 17 anos; «costumo dizer na idade da borga» comecei a dar os primeiros passos como Vicentino, como preparação, (faltava fazer o meu compromisso) visitando os pobres que me eram distribuídos. Não dizia que não, que não podia, nessa altura desconhecia que um vicentino nunca dizia que não. Hoje sei que é assim: um “Vicentino Faz”, bem podia dar uma desculpa, mas lá ia eu, pelas Rua dos Mercadores, Reboleira, Cais da Ribeira, Av. Gustavo Eiffel, Bairro do Barredo, era impensável que ser Vicentino está no “chamamento de Deus”. Muitas vezes como a Conferência era pobre embora o (pároco nos deixava fazer um peditório numa das missas, no ofertório da uma missa) e com algumas ajudas lá conseguíamos levar o barco a bom caminho. Mas, algumas vezes não levava nenhuma saca com alimentos, levava a minha visita como jovem, conversava e sei que a partir de determinada altura senti, que já não dava ir a casa de um pobre sem levar alguma coisa para eles comerem. Pensei; visitar uma família sentindo que os estômagos estavam vazios não dava certo, nesse tempo, de poucas posses para a maioria das pessoas, sentia o tal vazio no atendimento quando chegava e um dia reparei que um deles ao se aperceber que era eu, encolheu os seus ombros, como quem diria: para que vem chatear-me se não me trás nada… Eu apercebi-me disso e sem dar a perceber, o senhor com boa educação lá se abriu com um sorriso rasgado!
Em contrapartida um dia deram-me a tarefa de visitar o “Carlinhos da Sé” uma figura típica da cidade, um senhor que tinha uma doença genética, um problema que hoje seria resolvido com uma operação e mudança de sexo. Bom o agradável dessa visita, sem saca de alimentos ele o “Carlinhos da Sé”, ficou feliz, contou-me a sua estória da sua saúde, desabafou que não tinha culpa de ser assim, chorou da sua má sorte da sua vida, mas compensou-me esta visita, este senhor, sem pedir nada recebeu-me de braços aberto para conversar comigo. Da minha parte sem saber porque as razões do mau cheiro na sua casa, la fui, lá estive a ouvi-lo, em silencio, pois para mim era uma novidade o seu estado de alma e física…
Hoje como Vicentino da minha Conferência só tenho um casal para visitar estando eu atento aos movimentos de forma a que um dia possa dizer que a partir dessa altura consiga… com vontade dos próprios, devolver alguma dignidade e respeito que merecem como seres humanos, de homens com direito e deveres a serem olhados como pessoas importantes e independentes. Não é fácil pois é uma família com alguma falta escolaridade, de recursos e falta de empregos; quatro adultos.

Agora na minha caminhada foi mudando com mais responsabilidades são acrescidas pelas tarefas que exerço num conselho. Noites com algumas horas sem dormir escolhi partilhar o que sou como vicentino, pensar como posso contribuir para que os meus companheiros vicentinos possam ser mais ativos, mais participativos em ações vicentinas de forma a que se sintam realizados sempre a partir do seu Compromisso Vicentino. São tarefas que estamos comprometidos desde o nosso compromisso a Deus, aos confrades, aos pobres. Com estas ações de informação e ação vicentina que me preocupa, me alenta a fazer o melhor possível, mas sabendo que sou como pecador que também sou, por vezes satura-me esta complexa situação em que nos encontramos no país. Ralho a mim próprio para não desanimar, também desanimo… Eu tenho, melhor, posso gabar-me de ter uma equipa que trabalha comigo sempre disponível quando eu os chamo para reunir e preparar uma reunião, um evento. Isso é gratificante e faz-me lembrar uma ideia que tenho do nosso patrono: SVP é que tem a culpa disto tudo…
SVP não ficará certamente zangado, mas talvez me possa fazer um grande favor, mais um; que me ajude a mim e à minha equipa fazer o melhor e o que fizermos seja com os pobres e para eles.
Hoje debate-se na sociedade o que andamos a fazer se andamos a fazer Caridade ou fazer uma caridade assistencial. Podemos ficar só com a distribuição das sacas, mas verifico o que faz mais falta é a “visita ao domicílio” é fazemos exatamente aquilo que nos deixou S. Vicente Paulo e Frederico Ozanam
Acreditando que existe uma diferença como faz e o modo como haje um vicentino, muitas pessoas dizem que os vicentinos são pessoas mais velhas, que não tem que fazer e ocupam o seu tempo, outros como desculpa a uma pergunta que lhe seja endereçada; dizem que não tem tempo para estas coisas. Um Vicentino para alem de acompanhar no sofrimento de pessoas tocadas pela pouca sorte tem no seu espirito o serviço a Deus através dos pobres, das pessoas que num determinado tempo, precisam de ajuda. No espirito do vicentino o serviço ao Pobre é estar ao serviço de Deus, interage com os pobres reconhecendo nas pessoas que tem habilidades suficientes em sair das dificuldades. Aos vicentinos é-lhes pedido, amor pelas pessoas em dificuldade vendo neles do mesmo modo como vê uma mãe um filho seu:
Uma Mãe, ajuda-o, encaminha-o, tenta colocar o seu filho como homem e mulher no centro ensinando tomar decisões, dando-lhes a dignidade de pessoa humana. Já dizia o filosofo francês: Fabrice Hadjad ainda sobre a posição da mulher e o aborto: Devemos Recolocar o homem no Centro. 
Então perguntaria:
Será que conseguiremos pegar num pacote de boas intenções e conseguimos desembrulhar esse pacote tornado a missão de vicentinos numa visita ao domicilio?
Onde é que os pobres nos esperam é na rua ou é a porta de sua casa?
Temos receio do cheiro a bolor?


Teixeira

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Membros Conselho Zona Gaia Norte

Composição dos membros do Conselho de Zona de Gaia Norte
Vigararia Diocesana Gaia Norte

1-Conferência Vicentina Divino Salvador-Valadares
Presidente: - Paula Cristina Rocha Silva.
2-Conferência Vicentina Divino Salvador-Vilar Andorinho
Presidente: - Serafim Geraldo Moreira Meira
3-Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Hora-Madalena
Presidente: - Maria Adelaide Dias Santos.
4-Conferência Vicentina de Santa Eulália-Oliveira Douro
Presidente: - Fernando Gonçalves Ferreira
5-Conferência Vicentina de Santa Isabel-Candal
Presidente: - Arminda Jesus Leite Marques
6-Conferência Vicentina de Santo André-Canidelo
Presidente: - Pedro Miguel Branco Silva
7-Conferência Vicentina de Santo António-Valadares
Presidente: - Maria Olimpia Barbosa
8-Conferência Vicentina Santo Ovídio
Presidente: - José Carlos Baptista.
9-Conferência Vicentina de São Cristóvão-Mafamude
Presidente: - Maria da Conceição Silva Pereira
10-Conferência Vicentina de São Gonçalo-Mafamude
Presidente: - Maria da Glória Espirito Santo.
11-Conferência Vicentina de São Francisco Assis-Avintes
Presidente: - Ana Rita Ribeiro Vigário.
12-Conferência Vicentina de São Martinho-Vilar do Paraíso
Presidente: - Mimosa Rodrigues Guerra.
13-Conferência Vicentina de São Pedro-Afurada
Presidente: - Manuel Augusto Santos Ferreira Lapa
14-Conferência Vicentina de São Pedro-Avintes
Presidente: - Licínio Tomás Moreira Santos.
15-Conferência Vicentina de São Tiago-Oliveira do Douro
Presidente: - Joaquim Augusto Ferreira Silva.
16-Conferência Vicentina de Santo Afonso-Coimbrões
(em formação)


Atualizado em 2017-06-23

Conferência vicentina uma comunidade de fé esperança e caridade.

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      Fazer parte de uma conferência Vicentina é um magnifico presente de Deus. É lá que podemos praticar a bela fé católica, fazer amigos sinceros, conhecer pessoas novas, ajudar a quem precisa e aprimorar nossa condição espiritual. Só há benefícios para quem dela participa, pois nos tornamos cristãos melhores ao buscar uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Também os socorridos são extremamente favorecidos, ao receber uma mão amiga nos momentos de sofrimento e desespero.
      Portanto, qual é a mística das Conferências Vicentinas? O grande segredo delas é que, devido à inspiração divina, as Conferências são verdadeiros locais para a prática da fé, da esperança e da caridade. Em outras palavras, as Conferências são comunidades de fé, esperança e caridade. Podem ser assim definidas, pois contemplam Cristo no rosto do Pobre, executando um serviço concreto e prático, em coordenação e amizade entre os membros.
      Alem das obras assistenciais, a acção vicentina acontece no âmbito das Conferências, que são pequenas comunidades formadas por homens (confrades) e mulheres vicentinas, que se reúnem, semanalmente, para crescer na espiritualidade e servir ao próximo. É na Conferência que os vicentinos meditam se estão realmente vivendo, com devoção e entrega, o gesto evangélico de ajudar aos irmãos que vivem em situação de pobreza (material, moral, psicológica ou espiritual).
      As Conferências são “comunidade de fé” porque levam a Palavra de Deus para fora (momentos das visitas junto aos assistidos) e para dentro (reuniões semanais) da entidade, valorizando a visa sacramental e a participação ativa na Igreja. Cada vicentino, em todas as reuniões, aperfeiçoa a vida interior por meio das leituras espirituais que preenchem o espírito e renovam o olhar sobre a fé. Além da reunião, há ainda os retiros e eventos espirituais promovidos pelos Conselhos que oferecem inúmeras oportunidades de desenvolvimento na fé. Portanto, fica claro que as Conferências são comunidades autenticas de fé, a serviço dos irmãos.
      Cultivando a fé, acreditamos e vivenciamos a Santíssima Trindade: o Deus criador (que é o Pai), o Deus Salvador (que é Jesus Cristo) e o Deus Santificador (que é o Espírito Santo). E pela prática da fé, compreendemos a verdade que vem do Altíssimo, alimentado nosso espírito e testemunhando a Boa Nova a todos que nos rodeiam.
      As Conferências são também “comunidades de esperança”. Isso fica bem explícito no momento da visita domiciliaria, quando os confrades e as vicentinas estimulam os assistidos a confiarem na Providência Divina, no valor do trabalho e na certeza de que sairão do momento delicado em que vivem, sempre com Deus ao lado. O papel do vicentino é este: mostrar aos irmãos mais necessitados que só é possível vencer os desafios da vida “com Deus no comando”, guiando os passos e mostrando os caminhos. A esperança é tão forte no seio vicentino que o lema do Conselho Geral Internacional é “servindo na esperança”. Como se percebe, as conferências são evidentes “comunidades de esperança”.
      A esperança é a virtude que nos ajuda a desejar e a esperar tempos melhores em nossa vida (aqui na Terra) e a ter a segurança de que conquistaremos a vida eterna, isto é, nossa felicidade nos céus. O vicentino, ao se tornar amigo dos Pobres, também dirige a eles essa mensagem de esperança e confiança no senhor.
      As Conferências são, por natureza, “comunidades de caridade”, pois a razão principal da existência da sociedade de São Vicente de Paulo – e dos demais ramos vicentinos – é a prática da caridade integral, baseada nos Evangelhos e no amor de Cristo. Assim, as Conferências são o lugar ideal para se praticar a caridade e o

amor, entre nós, vicentinos e com os necessitados. Essa dupla dimensão da caridade vicentina (com os Pobres e entre os membros da SSVP) fortalecer o carácter missionário e leigo da entidade, atingindo cada vez mais pessoas e levando a mensagem salvadora de Jesus sacramentado para todos os lados.
      Sobre a caridade, vale a pena recordar que o amor a Deus e o amor ao próximo são a mesma coisa, de modo que um (amor) depende do outro (amor); por isto, quanto mais amarmos ao próximo, nas Conferências Vicentinas, mais amaremos a Deus; e, por sua vez, quanto mais amarmos a Deus, mais amaremos ao próximo. Reside aí o cerne da “comunidade de caridade” da qual fazemos parte.
      Em resumo, as Conferências são, assim por dizer, as legítimas “comunidades das virtudes teologais”, pois lá se pode praticar a fé, a esperança e a caridade, elementos que nos conectam directamente a Deus. Pela fé, reconhecemos a santidade de Deus; pela caridade, mostramos essa santidade ao mundo e conquistamos nossa santificação; e pela esperança, espalhamos a alegria do porvir, que seguramente será ao lado de Deus.
      Assim, é missão de todo confrade e vicentina dar o testemunho de que as conferências Vicentinas são, de facto, comunidade de fé, esperança e caridade, dentro de uma espiritualidade leiga que tem como objetivo servir aos mais Pobres dos Pobres. Somos muito abençoados por fazer parte de uma Conferência Vicentina! Uma pergunta para reflexão: nossa Conferência é realmente uma comunidade de fé, esperança e caridade, ou se reduziu a um agrupamento de pessoas de bem que exercem um activismo social?
Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi



terça-feira, 13 de junho de 2017

O legado de Ozanam para os dias de hoje

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      As Cartas de Ozanam foram os primeiros textos, além da Regra Vicentina, pelos quais tive a satisfação de conhecer o pensamento deste extraordinário e santo homem chamado António Frederico Ozanam, modelo de jovem, adulto, pai, profissional, marido, cidadão e fiel leigo comprometido.

      Em Cartas, Ozanam pode comunicar-se com liberdade e desenvoltura, dirigindo-se com simplicidade a seus amigos, conhecidos, parentes, religiosos e académicos. Até nas missivas de cunho profissional, encontramos o “tempero” das virtudes tão caras a Ozanam, sempre com elegância nas palavras, caridade no aconselhamento e esperança na mudança das estruturas sociais.

      Suas Cartas são estimulantes, reconfortantes, pedagógicas e, acima de tudo, verdadeiras orações. As frases que citamos, hoje em dia, mais expressivas de Ozanam, foram colhidas justamente das correspondências que ele escreveu. Que riqueza, que legado, que presente divino!

      Não podemos deixar de reconhecer o grande esforço literário que a família de Ozanam empreendeu para poder recolher os escritos dele, consolidando-se em livros. Sem essa investigação histórica, talvez hoje não pudéssemos saborear esse lindo conteúdo. Também não podia ser diferente: os ascendentes de Ozanam eram e literatos, assim como seus descendentes. Considero que o Espírito Santo, soprou forte sobre esta família, brindando-a com as características de perpetuação da memória e da transmissão do conhecimento. A humanidade agradece!

      As Cartas que Ozanam escreveu ao longo do século XIX são pérolas para nossa realidade. É como se ele tivesse deixado “sinais” para as gerações futuras sobre a maneira evangélica e caritativa de superar as dificuldades e ajudar àqueles que estão em situação de vulnerabilidade e de exclusão social. Ozanam, visionário e vanguardista, deixa para a posteridade suas Cartas e nos recomenda práticas adequadas para o mundo de hoje, tão  maltratado pelo egoísmo, pela ganância, pelo poder e pelos holofotes da fama passageira.

      A leitura das Cartas de Ozanam nas Conferências Vicentinas é sempre propícia, especialmente quando celebramos a data do nascimento do principal fundador da sociedade de São Vicente de Paulo ou da criação da entidade. São datas memoráveis que não podemos passar em branco.

      Por fim gosto sempre de encerrar meus textos com algumas perguntas, para que nós, vicentinos do século XXI, possamos também reflectir sobre a postura que adoptamos, na condição de imitadores de Ozanam. Utilizamo-nos dos meios de comunicação, pessoais e colectivos, analógicos ou digitais, para disseminar a cultura da caridade? Usamos as redes sociais e a mídia para propagar a Boa Nova e libertar os oprimidos? Limitamo-nos a criticar o sistema económico e político, e não fazemos nada de concreto para alterá-lo o oferecer caminhos alternativos?

      Se Ozanam estivesse fisicamente entre nós, hoje, o que ele faria? Quantos e-mails (que são as “cartas virtuais” dos tempos presentes), não teria ele enviado aos quatro cantos do mundo para defender e proteger os mais necessitados? Somos vicentinos e, portanto, temos que ser “espelho” de Ozanam, usando especialmente as novas tecnologias a serviço dos Pobres.
     

Crónicas Vicentinas IV Cgi. Renato Lima

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A pobreza da ingratidão e o diploma da santidade

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      Um dos sentimentos mais dolorosos que uma pessoa pode vivenciar é a ingratidão. Muito mais que a ira ou o desamor, a ingratidão é como um ácido que corrói profundamente por dentro, afectando o coração do individuo que sofreu tal dissabor: Porém, como vicentinos que somos, ao buscarmos a santidade, temos que estar acima desse sentimento nocivo, que às vezes percebemos no momento da visita, no relacionamento com as famílias assistidas e até no seio da nossa entidade.
      Certa vez, um Conferência, por ocasião do Dia das Mães, decidiu doar Kits de cremes para embelezar as mães assistidas. Grande foi a surpresa quando nem todas as senhoras beneficiadas disseram uma palavra de agradecimento, como por exemplo: “muito obrigada!”. Nem um sorriso, nem uma demonstração de afecto. Na verdade, são pessoas sofridas, que nem sempre têm forças ou ânimo para a vida; mas daí demonstrar tamanha indiferença, é uma dor muito forte para quem proporcionou aquele gesto genuíno de caridade.
      O próprio Jesus Cristo também “reclamou” dos ingratos. Ele mesmo, que era Deus, após curar dez leprosos, indagou porque apenas um havia regressado para agradecer. E Jesus perguntou: “Onde estão os outros nove?” (Lucas 17,17). Na caminhada vicentina, muitos “leprosos” passarão por nós, mas poucos serão agradecidos. É bem verdade que fazemos esse trabalho de caridade sem buscar reconhecimento ou gratidão; tais sentimentos são humanos e fazem parte da educação das pessoas. O que pode nos consolar, um pouco, é que uma pessoa ingrata é também vítima do problema, pois não teve acesso à cultura.
      Ser grato a uma pessoa pode ser algo tão simples para muitos, especialmente àqueles que tive acesso à educação e nasceram numa família que lhes ensinou valores, princípios e posturas socias. É bem verdade que boa parte dos socorridos de nossas Conferências não possui essas características. É por isso que, juntamente com as cestas de alimentos e outros bens materiais, os vicentinos devem levar “exemplos”, “conselhos”, “orientações” e, acima de tudo, “ensinamentos”. Tudo o que dissermos de valores e virtuoso a um assistido produzirá frutos no futuro.
      Contudo, uma certeza pode-se ter: da mesma maneira que Jesus ofereceu a “outra face” a quem lhe quisesse machucar (Mateus 5,39), a ingratidão com que, às vezes, estamos sujeitos (pelos assistidos, por alguns representantes da Igreja e pelos próprios companheiros de caminhada vicentina), será a chave para abrirmos as portas do paraíso. Essa ingratidão nos condecorará com um “diploma invisível de santidade”, que São Vicente e Ozanam nos entregará quando estivermos entrando nos céus, um dia.

      Qual é o pior defeito do ser humano? – Como podemos lidar com essa situação nos trabalhos vicentinos, especialmente junto aos assistidos? 
Crónicas Vicentinas IVCgi. Renato Lima

domingo, 21 de maio de 2017

8 - O MEU FOLLEVILLE

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Depois de 400 anos aqui estamos, em Folleville chamados a ir novamente para o nosso próprio Folleville. No início Vicente não estava realmente animado, mas foi feliz até ao final, passando por diferentes obstáculos para ter esta experiência, que foi uma dádiva de Deus. E agora nós somos chamados a passar por obstáculos, não a determo-nos por caminhos longos, ou pelo mau tempo, a neve, a chuva ou qualquer outro obstáculo que possamos encontrar durante o caminho. Somos chamados a alcançar o nosso próprio Folleville.
Folleville está à nossa espera. Está esperando-nos em muitas partes do mundo, em cidades, povos: pequenos, médios, grandes. Em todos os continentes há Follevilles: a experiência da pobreza espiritual que Vicente experimentou tanto em Folleville, encontra-se também agora no mundo de hoje, em todos os continentes.

7 - IR A FOLLEVILLE

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“Percorrer as estradas, as esquinas que Vicente fez há 400 anos. Foi para chegar à vila de Folleville, tocando o chão, sentir a erva, ver os animais, inclusive encontrar um cavalo, como se passou com Vicente.

Fui para experimentar a neve, o frio e o sol, como também fizeram os outros que foram ao povo e viam a igreja de longe. A igreja, na verdade era o lugar onde Vicente queria ir. A experiência na igreja de Folleville foi o que começou a mudar a sua vida, o seu interior, o seu coração. Foi um chamado que ele experimentou. Foi um momento de graça. Foi um momento em que atou o Espírito Santo nele, e desde então a sua vida nunca mais foi a mesma”.

3 - As sandálias da caridade

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Esta preciosa relíquia, estas sandálias de São Vicente de Paulo que tenho em minhas mãos, falam por si mesmas, sem precisar palavras… Nem parece mais um par de sandálias. Está cheia de buracos, toda gasta. Elas falam de Vicente de Paulo andando e caminhando sem descanso, indo sempre em direcção de Jesus Cristo e dos Pobres. Ele não se importava com o estado de conservação que elas se encontravam. Quantos quilómetros andou estes sapatos? A quantos Pobres foram esses sapatos, estas sandálias? Diga-me, quantas vezes Vicente de Paulo encontrou-se com Jesus calçando essas sandálias?

Vamos fazer a mesma coisa. Vamos aprofundar nossa proximidade com Jesus Cristo e com os Pobres. Vamos!!!

02 - Cubramo-nos com a capa de São Vicente

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Esta é a Capa de São Vicente de Paulo, que o acompanhou por muitos anos enquanto caminhava para fazer o bem. É um símbolo de completo e total de despojamento, de não pensar em si mesmo, mas de viver ao extremo seus votos, os próprios votos, de pobreza, obediência, castidade. É o símbolo da total entrega à Missão e da perseverança até o fim. Quão que forte intensidade esta Capa, esta relíquia, fala também a todos nós. Nós nos inclinamos diante dela, com uma oração para cada um de nós, membros da Família Vicentina, para cada uma das novas vocações para o sacerdócio, ou para ser Irmãos, ou para dedicar-se à vida consagrada. Jesus está nos chamando e pedimos através da intercessão de São Vicente de Paulo que nos permita prosseguir na nossa caminhada e que nossos sonhos se tornem realidade. Este foi o sonho de Jesus. Este é o nosso sonho, Vicente de Paulo!!! É o nosso desejo e é o nosso sonho fazer, hoje, da globalização da caridade, uma realidade.

01 - NO CAMINHO PARA OS POBRES

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Chapéu de Vicente. Usado, desgastado. Pode-se ver buracos por todas as partes. Podemos imaginar Vicente de Paulo andando pelas ruas de Paris e de outras cidades, utilizando-se este chapéu para proteger-se do frio e da neve. Mas, novamente, o chapéu era uma ferramenta. Uma ferramenta para servir. Esta relíquia também nos fala e nos convida a refletir sobre Vicente de Paulo e sobre o seu itinerário. Nos leva a refletir o porquê que o levou a apaixonar-se por Jesus Cristo. Sabemos que ele sempre caminhou incansavelmente até à exaustão física, até quando já não podia andar. É o período último de sua vida onde permanecia em seu quarto. Hoje, porém, somos convidados a sair, sempre com Jesus.



sábado, 6 de maio de 2017

No coração da Mãe

(Peregrinação Anual da Sociedade de São Vicente de Paulo, 
Fátima, abril de 2017)

Vou falar de amor. Vou falar de uma Mulher que, por pura fé, deixou que o seu coração fosse “coberto pela sombra do Altíssimo” e disse que sim ao projeto que Deus tinha para a Humanidade. 
Quem é esta Mulher que, há 100 anos, como agora, nos pede que baixemos as armas e que nos deixemos guiar pela dimensão de infinito que existe dentro de nós? 
A quem pertence, afinal, esta voz que aplacou os medos dos pastorinhos: “Sou do Céu” e que nos toma nos braços e nos pega ao colo e nos diz aquilo que disse a Lúcia naquele dia de junho de 1917:
«Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus».
Na nossa vida, Maria é, normalmente trazida pela voz primeira de uma mulher: da mãe, da avó, de uma madrinha…(uma voz de beijo, que as mães, as avós e as tias velhas têm muitas vozes) e está guardada como memória de um tempo doce, de um lugar de ternura, de um refúgio, de um lugar para onde se corre quando se tem medo ou quando se tem vontade de chorar. 
E foi-nos ensinada como Mãe, como aquela que, apesar das nossas fraquezas está sempre pronta para nos receber – e nós rezamos, todos os dias: rogai por nós pecadores; porque Maria é aquela que, na hora de agora e na hora do fim, não nos deixa sozinhos: agora e na hora da nossa morte. 
É Ela que nos recebe aqui. É neste silêncio que veste Fátima de branco que os pastorinhos se encontram com Deus e experimentam a sua proximidade. Fátima representa, hoje, para nós, esse Imaculado Coração e a promessa dessa “janela de esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta, como disse o Papa Bento XVI, quando veio aqui em 2010. 
Para os pastorinhos, o coração da Senhora era o santuário do seu encontro com Deus. Este coração é Imaculado. 
Estamos em Portugal. A Imaculada Conceição é rainha desde que D. João IV lhe entregou a sua coroa. 
O povo conhece bem o sentido de proteção que o termo “Imaculado” possui e sabe que “coração” é coisa de dentro, coisa de amor, coisa de mãe. 
E Maria é sobretudo isso: Mãe. E é sempre à procura de colo que vimos aqui: pedir ou agradecer, mas, sobretudo, estar, nesta intimidade de coração com coração com Aquela que, no limiar da morte, Cristo nos entregou, como herança.  
Com as mãos da minha mãe entre as minhas, eu aprendi a rezar a esta “cheia de graça” que é a Mãe de Deus e aprender dela as coisas do coração: a fé, a disponibilidade, o serviço, o silêncio, a fidelidade. 
Talvez por isso, a tenho sentido tão presente, tão companheira, tão participante na minha história. Mesmo nos momentos em que eu tive mais dúvidas, nos momentos em que eu achei que a religião não tinha as respostas que eu precisava, ou que eu queria que tivesse. 
Apesar de ter tentado fugir, e eu tentei algumas vezes, Maria foi sempre um lugar seguro. Sempre. Percebi que podia contar com ela quando a noite me metia mais medo. E senti-a Mãe. E percebi que com a mão dela a segurar a minha, eu nunca me perderia. Se isso já acontecia com a minha mãe… 
São Vicente de Paulo tem uma frase extraordinária: “Nunca se tem Deus como Pai, se não se tem Maria como Mãe”. 
E eu aprendi-a assim. Beijo de Deus à humanidade. Modelo de fé e de vida. Em todos os momentos. 
Vejam:
Naquele dia branco, em que o Anjo se aproximou com o Recado de Deus, Maria disse que Sim e deixou que o seu coração se inundasse de Amor. Na entrega daquele Faça-se, a sua vida mudou, a nossa vida mudou e Ela permitiu que o Plano que Deus tinha para a humanidade se concretizasse. A partir desse dia, Maria deixou de servir Deus, ela passou a viver Deus, num silêncio impressionantemente fecundo.
É num momento de silêncio que Maria entra na História. Ela cala tudo à sua volta, apenas para ouvir o recado de Deus e nem lhe pediu um sinal. Só lhe perguntou o como (Como pode ser isso se eu não conheço homem?), para não errar. Queria obedecer com amor. E só um coração sem mácula pode entregar-se assim.
Ao escutar o anjo Maria traça o 1º passo para quem quer entrar numa relação de intimidade verdadeira e atira-se, deste modo, pno abismo de Deus, sabendo que Ele lhe daria as asas  necessárias quando fosse preciso (porque é preciso ter asas quando se ama o abismo, como diz Thomas Mann, em Morte em Veneza).  
O seu “Faça-se em mim” decidiu, da parte humana, o cumprimento do Mistério Divino e, se tornou, como diz o Papa João Paulo II, na encíclica “Mãe do Redentor”, “sinal de segura esperança”, “o teu refúgio”, como ela própria disse, em Fátima, a Lúcia, e nos diz, a nós, todos os dias.  
Depois, o Coração Imaculado dessa Mulher que o Antigo Testamento já tinha anunciado, como a promessa da vitória sobre a serpente; como a primeira entre todos aqueles que esperam e recebem a salvação vai pôr-se a caminho, vai ter com Isabel. Vai, na sua lógica de mulher que tem Deus no peito, ajudar quem precisa dela. E só o amor permite esse “ir” que os senhores fazem todos os dias. Ao encontro. E Isabel reconhece nela “a mãe do Senhor” e dá testemunho daquela fé que alterou, completamente, o rumo da humanidade – “Feliz daquela que acreditou”. Que acreditou e que ensina a acreditar. Ela foi a primeira que “ouviu a Palavra de Deus e a pôs em prática” e que, mesmo sem entender muitas coisas - a conceção; a pobreza em que o Príncipe da Paz, o Filho de Deus nasceu; a profecia do velho Simeão; a necessidade de fugir para o Egito; as respostas de Jesus, nomeadamente naquele dia do templo, em que, face à preocupação de Maria, ele lhe responde que tinha de tratar das “coisas de meu pai”; a vida pública daquele seu filho que tinham uma maneira diferente de ver o mundo e que falava de amor e de dar e dar a vida pelos amigos; a paixão e a dor de ver sofrer e morrer um filho que, mesmo sabendo que era de Deus e que tinha uma missão a cumprir, lhe  terá custado muito. 
No Imaculado Coração de Maria, mora o silêncio, mora a contemplação. E se escutar é ouvir com o coração, contemplar é ver com o coração, porque, como diz Saint Exupéry, no Principezinho, “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. 
Nas Bodas de Caná, o Imaculado Coração de Maria volta a desenhar-se como um refúgio, mas também como caminho para Deus. 
Ela está atenta às necessidades de quem tem necessidades.    
- Filho, não têm vinho! 
e vinho é tudo o nos falta: pão, dinheiro, saúde, trabalho, esperança, coragem, um sentido para continuar aqui. 
E, depois,  indica o caminho. 
- Fazei o que Ele vos disser!
E o que Ele diz é apenas isto:
“Amai-vos uns aos outros”

Maria indica o caminho de Deus. Proporciona o nosso encontro com Cristo. Ela, que tinha sido o sacrário do Filho de Deus, é também o altar do Seu filho. 
Já o tinha sido no princípio: é ela que apresenta o seu menino aos pastores, aos magos, a Simeão e a Ana, aos esposos de Caná. 
E depois, há a cruz. Aquele momento de carne-viva. Aquele instante de eternidade, em que um fio de amor faz o triângulo entre os olhares de Jesus, da Mãe e da humanidade inteira. Aquele instante que nos garantia o refúgio eterno no Imaculado Coração de Maria. 
De João: 
Neste texto, MÃE é a palavra mais importante. Em meia dúzia de linhas, o evangelista repete-a 5 vezes:  no princípio, Maria é a “sua mãe” – e só esta expressão aparece 3 vezes; depois, “disse à mãe”, assim, sem nenhum possessivo, quase como se a maternidade de Maria fosse esvaziada – o seu único filho estava a ser-lhe tirado. 
Jesus há de olhá-la com a ternura de sempre. Ele sabe que quando tudo se consumar, ela estará à espera do seu corpo para o tomar nos braços, mais uma vez, para o embalar pela última vez. 
Num terceiro momento, transfere a Maternidade -  Eis a tua mãe! - para João, para nós, numa espécie de  novo parto, de nova maternidade. 
Em nome dela, Maria é ajudada a depor aquela dor. Na hora da morte, Jesus pronuncia palavras de vida: diz MÃE, diz FILHO, e ajuda-(n)os a reatar o fio quebrado da existência. E pronto. Já não estávamos sós. Maria ficaria sempre connosco, mesmo nas horas da cruz. E do mesmo modo que ela embalou o seu filho morto, há de embalar-nos, a nós e isso ajuda-nos a ter um bocadinho de menos medo do escuro. 
Ela continuaria de pé, ao lado a minha cruz, das nossas cruzes de todos os dias, segurando as mãos que nos vão caindo, limpando as lágrimas que vamos chorando, cobrindo - nos com o céu do seu manto. Ela seria o nosso refúgio. 
No Evangelho da Alegria, O Papa Francisco volta a falar-nos da hora suprema da Nova Criação, em que Cristo nos conduz a Maria – ao olhar de Maria, ao abraço de Maria, à ternura de Maria, aos cuidados de Maria. A Mãe. E que esta imagem materna reúne todos os Mistérios do Evangelho: os da alegria, os da luz, os da dor e os da glória. E é sobre eles que meditamos quando rezamos o terço. É neles que temos de viver, quando desfiamos as contas da nossa vida.  
Isto volta a acontecer em Fátima. O mundo estava sem vinho. Em Fátima, O coração que Nossa Senhora mostra a Lúcia, na 1ª aparição, está cercado de espinhos. O verdadeiro cenário desses dias era o de um mundo em conflito, desesperançado, de um mundo em guerra. Uma mãe conhece a dor do filho. Uma mãe sabe quando o filho precisa de colo. E, nesse tempo, era preciso. 
Hoje, continuamos sem vinho. O mundo é um cemitério de cruzes. A nossa vida (o nosso coração) tem muitos mortos dentro. O verdadeiro cenário destes dias não é muito diferente do desse tempo…
Se a Senhora voltasse hoje, talvez dissesse exatamente a mesma coisa que disse no dia 13 de julho de há 100 anos atrás: “Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão, e muitas almas terão paz”. 
Quando ela veio a Fátima, trouxe-nos recados do céu. Ensinou-nos o caminho: pediu Penitência – na aceitação da cruz do dia-a-dia, na construção da vida com os olhos postos em Deus; no esforço em sermos cada dia um bocadinho melhores; pediu-nos oração e as orações ensinadas em Fátima (por Nossa Senhora, pelo anjo e pelos pastorinhos) não são dirigidas a ela, mas a Deus: “Senhor, eu creio, adoro, espero e amo-vos” e peço-vos perdão”; pediu-nos mudança de vida. 
O  caminho mais curto e mais direto entre nós e Deus é Jesus. Primeiro nos braços da mãe. Depois nos braços da cruz. 
Maria deu à luz o Céu. E nós temos a obrigação de, por Ela, chegar mais perto de Deus. E podemos estar certos de que temos uma Mãe que nos acolhe – acolher é verbo de mãe”- com um coração imaculado onde há lugar para todos os filhos.  
Em 2010, a Imagem Peregrina esteve na Madeira. Por essa altura, escrevi isto:
Mãe, 
guardei o meu coração para te oferecer nestes tempos em que vieste visitar-me. Trouxe-te a luz dos caminhos, o canto dos peregrinos, o silêncio das noites. Trouxe-te o melhor de mim, apesar da vida e do tempo e do medo. Trouxe-te quem sou: às vezes sorriso, às vezes desespero, às vezes abraço, às vezes solidão. 
Vim, Mãe Santíssima, porque em ti encontrei a minha casa. Mesmo quando a noite me apagou a esperança, quando a dor me choveu nos olhos e me derramei no chão. Vim, Senhora de todos meus passos, porque sempre houve lugar para mim no abrigo azul do teu manto, na ternura branca dos teus silêncios, nas palavras caladas, guardadas na cruz do teu Filho.  
Senti-te à beira da minha cama, nos momentos de pedra; senti-te estrela, nas alturas de alegria; senti-te presença na hora das lágrimas. 
Por isso, só me resta colar os meus olhos aos teus, as tuas mãos às minhas e agradecer-te, da pequenez da minha humildade por nunca teres largado o meu coração. 
Senhora de Fátima, peço-te, hoje, aquilo que eu, no segredo de mim, pedia à minha mãe antes de dormir: Se eu me perder, encontra-me. Ámen.

Que, neste século louco e solitário, a gente aprenda com a Imagem da Senhora de Fátima a elevar as mãos para o céu, mas a pousar os olhos nos irmãos. E que nunca nos esqueçamos de que o Seu Imaculado Coração é refúgio e é caminho. Porque Maria, Senhora de Fátima e de nós, foi o primeiro sacrário e o primeiro altar de Jesus. Por Ela, chegaremos, de certeza absoluta, a Deus.
Graça Alves 
(Funchal – Fátima, abril de 2017)

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Caminhos do rosário

«Pensamento»

Pois é, o dia 13 está a caminho, o nosso caminho vem ali, ele é a única hipótese de chegares a ELE.
Vais encontrar algumas estações, algumas serão dolorosos outras gozosos, outros gloriosos e ainda luminosos, poderás ter que parar, às vezes para acender as luzes, mas para chegares ao fim vais encontrar Ele com a sua cruz.
Terás que percorrer uma circular e para saíres não precisas de um colete reflector, poderás encontrar alguns atalhos, mas encontras várias luzes, luzes que chegam para te aquecer, luzes que dará para distribuir. Mas, convém, convinha que tenhas o teu carro com as revisões em dia.

domingo, 23 de abril de 2017

09 - VOLTAR AO ESPIRITO

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«Ao aproximar-se da igreja, Vicente viu de perto, primeiro de longe e depois, encontrou-se mesmo à frente da porta.
O que teria sentido, quando entrou aí, um lugar frio?
Era inverno.
Muita gente?
Provavelmente não, ele estava muito interessado em quantas pessoas encontraria ali.
E em seguida, aproximou-se do altar, subindo lentamente em direção ao púlpito, experimentando esse momento, aqueles minutos, segundos, até as escadas para chegar ao lugar onde ele começou a falar.
De verdade já não era mais Vicente.
Era Deus.
Era Jesus que falava através dele.
O que sentiu nessa experiência depois do seu sermão foi um milagre.
Ele começou a compreender que Deus trabalha através das pessoas. Ele começou a acreditar que as pessoas têm que ser instrumentos nas mãos de Deus e os milagres começaram a acontecer. As conversões começaram há 400 anos.

Mas hoje, estamos aqui, olhando para o nosso próprio Folleville.
Os nossos Follevilles de todo o mundo, como Família Vicentina, como seguidores do Carisma Vicentino anima-nos, em primeiro lugar, para voltar a experimentar esse momento de novo e
em seguida, partilhá-lo com o mundo.

Quantas pessoas estão à espera?
Quantas pessoas precisam de apoio espiritual, ajuda física e material?
Temos que considerar a pessoa inteira e não apenas uma parte, mas como um todo.
Foi isto que Vicente alcançou a ver.
Mais uma vez ele percebeu que Jesus o tinha chamado para ajudar a pessoa necessitada em toda a sua integridade.
Vamos aos nossos Follevilles à volta do mundo e voltemos para reviver o nosso próprio fogo, reavivemos o carisma dentro de nós mesmos e incentivemos outros a seguir os passos de Vicente, que é a passagem de Jesus no Evangelho.
Precisamos fazer algo maravilhoso.
Somos chamados a fazer algo maravilhoso para Deus.
E aqui estamos.
Este ano é a nossa oportunidade e, belo presente para fazê-lo.»

Tomaz Mavric-CM  
Superior Geral

Dia 25 01 dia de conversão de São Paulo
Tempo leitura: 8m12s 

sábado, 15 de abril de 2017

06 - Até às Periferias

Vídeo de P. Tomaz Mavic 
Superior Geral - CM
Como Família Vicentina, somos chamados para ir para as periferias, mas não sozinhos, ou apenas como um ou dois Ramos. A Família Vicentina está crescendo. E, é muito importante que vamos caminhemos juntos como Família, que planeamos juntos e que vamos sempre juntos. Que ao iniciar este projecto de saída, rezemos também juntos. O Papa Francisco nos disse “sair para as periferias”. E é isso que Vicente de Paulo começou fazendo. Ele saiu. O quanto ele gostaria de encontrar a cada um de nós, encontrar a todos os membros da Família Vicentina e encantar a cada pessoa assim como ele foi tocado há 400 anos.

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

05 - SEU Chamado

Vídeo de P. Tomaz Mavic 

Superior Geral - CM
Estou convencido de que, no momento que vivemos o 400º aniversário de nascimento do Carisma de São Vicente de Paulo, o ponto de partida de seu carisma e de sua espiritualidade, nós temos a oportunidade de olhar para a juventude, os jovens que são o futuro da Igreja e o futuro da humanidade. Se estamos totalmente convencidos do nosso caminho, então estaremos também dispostos a compartilhá-lo com os outros. Para a juventude e também para você, eu gostaria de dedicar algumas palavras. Aceite o plano que Jesus Cristo tem para você. Cada pessoa tem sua própria vocação e tem a sua missão na vida. Jesus confia e dá confiança a cada pessoa, a cada um de vocês, os jovens, que ainda estão reflectindo sobre o futuro, sobre a sua vocação. Aceite, se Jesus te chama para a vida consagrada.

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terça-feira, 11 de abril de 2017

04 - A globalização da Caridade

Vídeo de P. Tomaz Mavic 
Superior Geral - CM

Estamos em um período da história em que a palavra “globalização” é usada para coisas diferentes, definindo diferentes áreas. Mas se falamos de nossa vocação, nossa missão e vocação na vida, a nossa prioridade é globalizar a caridade, fazer caridade, a mensagem de Jesus, a sua mensagem central, a mensagem central do Evangelho, vivo e presente nos cantos do mundo . E nós podemos fazer isso, a partir de um ponto de vista, um sonho. Se uma pessoa sonha sozinho, se eles fazem dois ou três, muito provavelmente continuará a ser um sonho. Mas se sonhar mais e mais juntos, cada vez mais unir os nossos esforços, unindo os nossos talentos, que foram dadas por Jesus para cada pessoa, esse sonho pode se tornar realidade. E precisamos pensar dessa forma. É possível, porque não é nós que estamos fazendo é Jesus que está fazendo. Jesus tocou Vicente tão profundamente que mudou sua vida. Sua pessoa se tornou. E sua conversão fez a mística da caridade.

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Peregrinação Nacional Fátima 2017

Caros Confrades.
Para quem não teve a possibilidade de poder participar na Peregrinação Nacional a Fátima, fica aqui, uma das partes mais importante do guião.

No ano 2018 espero poder abrir essa possibilidade a todas as Conferencias. 
Vamos trabalhar para isso.






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Acha oportuno que todas as Conferências do Conselho, possam estar presentes na Peregrinação Nacional a Fátima no próximo ano 2018?