"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Acolher a Palavra de Deus e conservar o ardor da caridade

7
Acolher a Palavra de Deus e
conservar o ardor da caridade

Uma das mais bonitas intenções da “Oração Universal” na Santa Missa é quando rogamos ao Pai Celestial para que “saibamos acolher a Palavra de deus, assim como fez a Virgem Maria e, como Ela, conservamos o ardor da caridade”. Nossa Senhora, exemplo incontestável para os cristãos, é modelo de santidade e de amor de Deus. Devemos ser como Ela, que nos ensinou a viver a Palavra e a praticar a caridade com os que viviam em situação de pobreza material e espiritual.
     
“Acolher a Palavra de Deus”, para nós vicentinos, é muito mais que simplesmente ler passagens bíblicas ou o Evangelho do domingo na residência dos assistidos. Significa entronizar, nos nossos corações e sentidos, o real amor de Cristo pela humanidade, na busca das virtudes essenciais para a vida em comunidade, como a simplicidade, a humildade e a generosidade. Acolher a Palavra é mais que levar a Bíblia debaixo do braço; é vivenciar cada alerta ou recomendação de Jesus no sentido de construir um mundo justo e solidário.

“Conservar o ardor da caridade”, assim como fez Maria Santíssima, é outro comendo expresso de Jesus, direcionado especialmente para todos nós, vicentinos. Não podemos jamais perder a esperança e o ardor na caridade, pois só assim mais perder a esperança e o ardor na caridade, pois só assim iremos atingir nossos objectivos maiores: a promoção dos socorridos e a santificação de todos os confrades e consorcias. Não há como negligenciar nesse quesito: ou somos caridosos nas 24 horas do dia, ou fingimos que somos cristãos.

O pedido da Igreja para que os fieis acolham a Palavra de Deus e conservem o ardor da caridade é, acima de tudo, um pedido divino. Deus mesmo, que amou tanto o mundo, pede-nos que façamos igualmente, em nome d’Ele, por meio da vivência do evangelho e da caridade. É impossível “acolher a Palavra” e não se entregar inteiramente à prática da caridade. Como nos falou São Tiago: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2,17).
     
É por isso que há plena conexão entre “fé” e “caridade”. Sem essa relação, a fé, sozinha, padece de prática efectiva para se manifestar; assim como a caridade, por si só, sofre de falta de conteúdo para se materializar. Em outras palavras, a fé sem obras é equivalente a um “egoísmo espiritual” e a caridade sem fé se reduz a mero “ativismo social”.  Em nenhuma hipótese, como filhos de Deus, batizados e missionários, podemos perder o ardor da caridade nem descuidar da vivência da Palavra, sob pena de deixamos de ser o que somos.
    
Por isso, nós, vicentinos, não podemos nos descuidar da nossa vida espiritual, para que nossos atos de caridade sejam sempre cheios de profundidade evangélica e força interior para modificar a situação tão excludente na sociedade. Se tivéssemos bastante fé, poderíamos mudar o mundo (“Se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda…”), como nos recordou Cristo em várias ocasiões (Lc 17,6). Fé e caridade andam de mãos dadas e com elas é possível buscar o Reino de Deus entre nós.  
   
Participar da santa missa dominical, frequentar retiros e horas santas, comparecer a eventos da espiritualidade promovidos pela Igreja ou pelos Conselhos Vicentinos, além da prática dos sacramentos e dos mandamentos, são actividades e posturas que constituem caminhos seguros para que o vicentino esteja sempre atualizado e preparado para os desafios que se apresentam no quotidiano da ação junto aos que sofrem. Sem esse combustível espiritual, a missão vicentina que empreendemos se enfraquece e morre. É isso que queremos?
 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não amemos com palavras mas com obras!

«Não amemos com palavras, mas com obras»
«Do Papa Francisco»

      Graças ao Senhor, muitas pessoas se encontram com Fé viva por meio da SSVP. É para nós Sociedade, louvor a Deus a confirmação que o caminho que percorremos está certo.
      Amar o pobre é o mesmo que como se ama a Deus e através dele, protegemos os mais fracos e desprotegidos. Todos sabemos que a caridade de faz dia-a-dia, mesmo que façamos estes dias de férias vicentinas como lhe querem rotular ao descanso. Mas Deus sabe bem o que faz, como «fez a SVP», deu-nos as voltas e lá estivemos a apoiar uma pessoa que pelo seu aspeto fisicamente um calmeirão, na casa dos 40 anos, mas diminuído moralmente e fisicamente pois parece uma pessoa na casa dos 60. Diminuído moralmente; porque ele como desabafo deixou-me um Apelo: «por favor ligue-me pois não tem ninguém como quem falar…» Diminuído fisicamente; porque foi-lhe amputado uma perna e como tal sente-se diminuído, deprimido, sobre a falta de um membro e perante os olhares dos outros. Ele olha para nós não de frente, mas de cabisbaixo… 
      O Para Francisco irá celebrar no próximo dia 19 novembro, instituído pela Carta Apostólica «Misericórdia et Misera» o “1.º Dia Mundial do Pobre”. Esperamos que ao ser instituído este dia seja marcante para toda a Igreja onde fazemos parte, um marco histórico para todos os cristão e sociedade civil.
      A convite do Papa Francisco fez apelo para que guardemos esse dia dedicado inteiramente aos nossos pobres, com muitos momentos de oração, convívio, solidariedade e “ajuda concreta”.
      O Domingo é dia do Senhor, por isso guarda esse dia para a Amar a Deus não através dos Pobres, mas com os Pobres. Será aqui, que debato com estas poucas palavra como reflexão, deixo a todos.

«por favor ligue-me para ter com quem falar!»

      É com esta frase como reflexão, vamos pensar um pouco nesta frase e pô-la em Obras de Caridade, no dia-a-dia e que não nos passe ao lado estes apelos semelhantes. Temos reafirmado que nas Obras que praticamos como vicentinos é no caminho que fazemos ao lado do Pobres, na visita, no viver um pouco as suas dores, é pratica da caridade, que fazemos o que os outros não sabem fazer: é substituirmos o estado do seu lugar, que não têm capacidade de saber. Amar. Um governo é uma instituição de homens frios, sem coração, sem alma. Como podemos entregar as nossas almas dos nossos pobres a pessoas sem rosto, e frias que se escondem nos gabinetes!

      Por último reforço o apelo feito (vêr o BP páginas 2 ao 7), o apelo do Papa dirigida aos irmãos; bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres – às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se «comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres», se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Cuidar do espírito e da nossa salvação

6
Cuidar do espírito e da nossa salvação

    A vida moderna é bastante agitada. Casa, trabalho, escola, contas a pagar, banco, reuniões, vizinhos, viagens, celular, parentes, facebook, televisão, computador, internet. São tantos afazeres e tantos atrativos, que às vezes pedimos a Deus que o dia tivesse umas 30 horas, pelo menos. Tudo muito corrido, superficial, descartável e efêmero; as aparências e os bens materiais tomam conta do cotidiano. Festas, bares, reuniões de amigos, carros, roupas…
        É evidente que a nossa existência deve ser plena em termos sociais e económicos; afinal, somos humanos e Deus nos deu uma vida cheia de oportunidades, ao nos conceder saúde, inteligência, disposição e criatividade. Mas, diante de tantos elementos que chamam a atenção do mundo, percebe-se que o tempo para as coisas divinas está cada vez menor. Por isso é tão difícil recrutar novos membros para as Conferências Vicentinas.
        Cuidamos do nosso físico (academias e parques lotados), do nosso intelecto (escolas, faculdades, mestrados), da nossa alimentação, vestuário, habitação, empregabilidade; mas será que temos dedicado tempo suficiente para Deus? Será que compartilhamos com os mais humildes os bens materiais que possuímos? Cuidamos da dimensão espiritual em nosso ser? Reservamos um tempo semanal para a caridade? Observando a sociedade civil que nos rodeia, percebemos que o tempo destinado aos assuntos religiosos, espirituais e santificados se reduz drasticamente a cada geração. A secularização (que ocorre quando a religião deixa de ser o aspeto cultural e agregação da sociedade) e os meios de comunicação contribuíram muito para que só temas sacros fossem substituídos pelo “politicamente correto”, sendo banalizados e tornados sem importância. Os valores da família, por exemplo, foram completamente destruídos e ai de alguém pensar diferente em relação à domesticação que contamina nossas mentes pelas telenovelas!  
        Ao tratar deste assunto, faz-se fundamental criar uma passagem bíblica em que Jesus nos ensina o que, de fato, deve ser o centro de nossas vidas. No Evangelho S. Lucas (capítulo 10, dos versículos 38,42), encontramos a visita de Jesus à casa de marta, que tinha uma irmã chamada Maria. Maria ficou sentada aos pés do mestre para ouvi-lo, enquanto Marta se distraía com as tarefas domésticas. Jesus, ao perceber as reclamações de Marta a respeito da irmã, disse: “Marta, Marta, está ansiosa e perturbada com muitas coisas. Mas uma coisa só é necessária e Mara escolheu a melhor parte, a qual não será tirada dela”.
        Assim como Marta, às vezes estamos tão preocupados co os afazeres diários que não percebemos a “visita do Senhor em nossas casas”, em nossos corações, em nossas vidas. Muitos nem notam ou sentem a presença Dele. Muitos não tem tempo para participar da missa ou receber os sacramentos. Muitos não colocam Deus como prioridade em sua caminhada. Muitos são ingratos com o Pai Celestial e não agradecem por tudo o que têm. Muitos se ocupam demasiadamente do trabalho, ficam estressados e precisam gastar verdadeiras fortunas com terapias e psicólogos.
        Noutro trecho das Escrituras (Mt 6,31-34), Jesus exorta à multidão. “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia do amanhã cuidará de si mesmo. Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas”. Primeiro, deus e o espirito; depois, as demais coisas. Jesus nos ensinou o mais importante, isto é, ouvir e seguir as palavras do Salvador; depois, o restante. Lamentável é constatar que a sociedade contemporânea consegue encontrar tempo e atenção para tudo, menos para o Altíssimo. Cuidemos do espirito! Cuidemos da nossa salvação! Cuidemos dos Pobres do Senhor!  
                                                                                                                                 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ser missionário, sempre com caridade

5
Ser missionário, sempre com caridade

      Durante o ano de 2014, o Conselho Nacional do Brasil (CNB) – nossos irmãos na caridade - da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) propôs que todos os vicentinos reflectissem sobre o tema “Missionários na Caridade”. Este assunto foi prioridade nas reuniões de Conferências e Conselhos naquele ano, nas leituras espirituais e nas capacitações que forem realizadas, tanto para vicentinos quanto para os assistidos.

      Essa proposta de reflexão aborda duas importantes vertentes do trabalho vicentino: o aspecto missionário e o aspecto caritativo. Ser caridoso e ser missionário são, na verdade, condições fundamentais para que os confrades e as consócias possam ser proclamados vicentinos e, assim, tenham a oportunidade de efectuar as visitas domiciliárias às pessoas humildes.
Não podemos misturar “missionários na caridade” com “missionários da caridade”. As duas preposições (“na” e “da”) podem soar como sinónimos, mas tem sentidos diferentes. Missionário da caridade transmite a ideia de que nós, vicentinos, somos “representantes da caridade" e para tal, na qualidade de missionários, desenvolvemos um papel social e espiritual. Contudo, missionários na caridade sinaliza um maior senso de pertencente, isto é, não somos meros representantes da caridade, mas estamos tão envolvidos mela que nos consideramos “dentro” dela. “Missionários na caridade” suscita empatia, participação, comunhão, compromisso e inserção.

      O espírito missionário move todos os confrades e consorcias para, inflamados pela caridade, deixarem o conforto de seus lares para se deslocarem, semanalmente, à reuniões das Conferências, às visitas e às celebrações na igreja. Esse primeiro passo, que pode parecer trivial para muitos, nem sempre é dado. Quantas pessoas nunca fizeram um ato de fraternidade, ou que não vão à santa missa apenas em baptizados ou funerais? Portanto, a primeira etapa da prática do “fogo missionário” começa no “levantar-se” e na disponibilidade de tempo e de talento para a causa vicentina.
Outro aspecto missionário que não pode ser esquecido tem a ver com a família. Se não defendermos a família “com unhas e dentes”, de nada vale ser missionário. Grande parte dos problemas existentes hoje na sociedade civil (violência, crimes, drogas, corrupção, materialismo, egoísmo etc) é oriunda da destruição da família. Combatemos essa tendência secular dotando o modelo da Sagrada Família (José, Maria e Jesus).

      Outro elemento fundamental para a prática do espírito missionário é saber evangelizar, não só levando a Palavra de Deus por meio da leitura dos Evangelhos nas visitas domiciliares, mas também por intermédio do testemunho vicentino. Os assistidos nos observam sempre e precisamos ser, para ele, exemplos de cristandade e de valores humanos.
Todas essas etapas só poderão ser efectivamente trilhadas se o fiel tiver, no coração, a caridade. A caridade é o que nos move. É ela que tudo perdoa e tudo suporta. Por ela, somos atraídos à obra de Cristo e ao amor fraterno para com os irmãos que sofrem. Sem ela, deixamos de ser “missionários” para sermos meros “activistas sociais”.

      Ser missionário na caridade é a dotar a mesma postura, fora ou dentro da SSVP, na hora da visita ou fora da visita; ou seja, é um estilo de vida que perpassa todas as dimensões do ser humano. Toda essa reflexão só terá êxito se houver também uma grande revitalização nas unidades vicentinas, com criatividade, caridade e espírito missionário.
                                                                                                                                 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

segunda-feira, 10 de julho de 2017

São Paulo, os vicentinos e os espinhos

4 
Há uma passagem bíblica que segue “indecifrada” até os dias de hoje. Tem a ver com o “espinho na carne” ao qual São pulo se refere na 2ª Carta aos Coríntios. Ele assim se expressou: “E para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim

de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: ‘A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na franqueza’. De boa vontade, pois, mais me gloriei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (II Cor 2,7-9).
Estudiosos da Bíblia afirmam que esse “espinho na carne” poderia ser tanto uma doença física quanto algo relacionado ao aspecto espiritual. De qualquer maneira, esse tal espinho era um incomodo na vida de Paulo; mesmo assim, apesar de ter pedido a Deus, por três vezes, que ficasse livre do sofrimento, ele aceitou aquela situação, entregando-o ao Senhor como prova de amor, obediência e fidelidade.
Para alguns, o espinho seria uma infecção recorrente dos olhos; para outros, a circuncisão (pois Paulo era judeu, mas havia se convertido a Cristo e precisava conviver com aquele símbolo judeu). A Bíblia não explica o que, em verdade, seria esse espinho. O que este trecho das Sagradas Escrituras tem a ver com o trabalho vicentino?
Na nossa caminhada, encontramos muitos espinhos, os quais, à vezes, podem atrapalhar nossos projectos e desejos. Vamos começar falando pelo “espinho da pobreza”, que deixa os assistidos em situação de fragilidade e vulnerabilidade. Como fazer para extirpar o 2espinho da pobreza” do seio da sociedade desigual em que vivemos? Oh espinho terrível de se combater! Como gostaríamos de exterminar esse espinho, mas temos que conviver com ele, amenizando, pelo menos, os efeitos desastrosos perante os que mais sofrem.
Outro “espinho da carne” que temos dentro da SSVP é a postura inadequada de certos dirigentes que se envaidecem com os cargos assumidos, como presidente de Obras Unida ou de conselho. Lamentável alguém pensar assim, pois na verdade somos meros instrumentos do senhor para que Ele, Deus, realize os prodígios por nossas mãos e talentos. Somos “servos inúteis” e não podemos ser presunçosos por nada que façamos, pois Jesus mesmo nos orientou: “Quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lucas 17,7-10).
Por fim, outro “espinho na carne” que acompanha os próprios vicentinos é a questão da indiferença e da acomodação que muitos têm em relação aos Pobres. Não podemos deixar que as visitas domiciliárias caiam na rotina e que nossa ação se restrinja à doação de bens materiais e gêneros alimentícios. Também não podemos ficar buscando desculpas por nossas faltas às reuniões e aos eventos vicentinos, pois isso nos enfraquece espiritualmente. A mortificação – uma das virtudes vicentinas – tem tudo a ver com essa incomodidade. Portanto, peçamos a Deus que mantenha esse espinho na nossa carne, para que nunca nos esqueçamos de que somos ferramentas Dele.
A nossa esperança reside na promessa de Deus para com os Pobres e para com aqueles que ajudam os Pobres: “Com equidade, Ele julgará os Pobres. Ele libertará o indigente que suplica e o Pobre ao qual ninguém quer ajudar “(Salmo 71). Deixamos algumas perguntas para reflexão na Conferência: Qual é o espinho que mais atrapalha no dia a dia da Sociedade de São Vicente de Paulo? É o espinho externo (ligado aos assistidos, como a miséria e a desigualdade) ou o interno (referente aos relacionamentos dentro das Conferências e Conselho)? Ou são os espinhos espirituais e físicos?    

Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

sábado, 24 de junho de 2017

O que sou hoje como vicentino!

O que sou hoje como vicentino!
         
          No percurso do caminho como vicentino terei que recuar no tempo dos anos 60, na cidade do Porto, numa freguesia da Beira-Rio, de gentes que dedicava a sua vida a trabalhar como estivadores em carga e descargas de carvão, do bacalhau os Barcos Rebelos que descarregavam nos Cais da Ribeira, o Vinhos do Porto. Hoje os tempos são outros, outras vidas, hoje vive-se do turismo e de hotéis.

          Eu ainda jovem, recebi um convite para ir a uma reunião de vicentinos em São Nicolau, às terças-feiras. Lá fui nem sequer sabia em que me ia meter… Mas fui. Os meus primeiros passos como vicentino, aos 17 anos, foi passar a assistir a umas reuniões, depois pediram-me para fazer umas visitas a casa de pessoas “Os Pobres”.  Logo ensinaram-me que na missão de um vicentino nunca devia dizer a palavra “NÃO”, a não ser por motivos fortes pois ajudar os pobres, era servir a Deus através deles.

          Os meus primeiros trabalhos como vicentino, passou na marginal da Foz do Douro na recolha de roupas, mobiliário entre outras, para o Farrapeiro. Depois percorri as ruas da paroquia: - Mercadores, Reboleira, o Cais da Ribeira, Av. Gustavo Eiffel e o Bairro do Barredo. Nas minhas deslocações que fazia estava longe de pensar que para “Ser Vicentino” passava pelas visitas ao domicílio, pensava eu, que era uma intromissão nas suas vidas privadas, mas na caminhada percebi que o fazer a “Visita ao domicílio estava o “chamamento de Deus” no serviço ao pobre, ir “cheirar” a pobreza, estava ali a Caridade.
          Muitas vezes a Conferência (como era pobre) o nosso pároco, graças a Deus hoje ainda vivo, (nos deixava fazer um peditório num dos ofertórios de uma das missas) e com algumas ajudas lá conseguíamos orientar as contas que, quase sempre a zero. Nesse tempo, recordo que o nosso assistente espiritual, nos dizia com esta frase: «Que não seja por falta de dinheiro que deixemos de fazer a Caridade». Às minhas visitas, algumas vezes não levava nenhuma saca com alimentos, não havia nessa altura abundância, levava a minha visita como jovem, a conversa e sei que a partir de determinada altura senti, que já não dava ir a casa de um pobre sem levar alguma coisa para eles comerem, partilhar. Pensei então; tenho que levar alguma coisita comigo. Estávamos nos anos 60 ao visitar uma família senti um vazio que pairava no ar pois no atendimento quando cheguei, reparei que um deles ao aperceber-se que era eu, encolheu os seus ombros olhou para o chão a memorar baixinho consigo: para que vem chatear-me se não me trás nada… Sem me desmanchar cumprimentei-o e o senhor com boa educação lá me atendeu: bom dia com um sorriso forçado…

          Em contrapartida um dia deram-me a tarefa de visitar o “Carlinhos da Sé”, no Barredo, uma figura típica da cidade, um senhor que tinha uma doença genética, problema que hoje seria resolvido com uma operação e mudança de sexo. Bom, o agradável dessa visita, sem levar a saca de alimentos o “Carlinhos da Sé”, ficou feliz contou-me a sua estória da sua saúde, desabafou que não tinha culpa de ser assim, chorou da sua má sorte da sua vida, mas compensou-me esta visita, este senhor, sem pedir nada recebeu-me de braços aberto para conversar comigo. Estava ali a verdade da chamada Caridade. Hoje como Vicentino da minha Conferência, já nos tempos de “fartura” visito um casal e a minha preocupação com eles e a promoção por uma vida melhor. Estou atento, aos movimentos de forma a que um dia possa dizer que a partir dessa altura consiga… com vontade dos próprios, devolver alguma dignidade e respeito que eles merecem e que possam não estar dependentes do pouco que lhe damos que, passem a ser homens e mulheres com direito e deveres a serem olhados como pessoas importantes e independentes. Não é fácil pois é uma família com alguma falta escolaridade, de recursos e falta de empregos; quatro adultos.

          Agora, nesta altura a minha caminhada foi mudando com mais responsabilidades pelas tarefas que exerço num conselho. Escolhi partilhar a pensar contribuir para que os meus caríssimos confrades, também, nos tempos de férias que se aproxima possam fazer uma paragem e pensar como vicentinos; «o que sou hoje como vicentino». São tarefas que estamos “Todos” comprometidos desde o nosso compromisso a Deus, à sociedade, aos pobres. O melhor e mais agradável no conselho é que eu tenho, uma equipa que trabalha comigo sempre disponível, com sentido pelos outros, pelo amor e com caridade que eu sinto a forma das suas decisões, é gratificante. “SVP é que tem a culpa disto tudo…”

          S.V. Paulo não ficará certamente zangado comigo se lhe pedir um favor, mais um; que tenha paciência em me aturar e que também ajude todos os outros vicentinos.

          Hoje debate-se na sociedade o que andamos a fazer dizem; se calhar fazemos uma caridade assistencial, da saca de compras, do ir buscar às sedes. Poderemos ficar só com a distribuição das sacas, e desleixarmos com a visita ao domicilio distribuindo “Afetos”; ouvir, pensar, ajudar, sofrer com eles e dar ideias para que eles se possam libertar da sua condição dependência?... Hoje tenho insisto com escritos e com palavras para que os vicentinos façam o que São Vicente de Paulo e Ozanam nos deixaram: A Visita Domiciliária.

          Eu acredito que existe uma diferença como se faz e o modo como haja um vicentino na Caridade. No espírito do vicentino o serviço ao Pobre é dar-se no serviço de Deus, interagir com os pobres reconhecendo nas pessoas que tem habilidades físicas e mentais suficientes para sair das dificuldades. 

          Recordo uma pequena passagem do filosofo, francês Fabrice Hadjad sobre a condição da mulher como mãe que do seu ventre tem um filho ele dizia: é preciso “Recolocar o Homem no Centro”. ele dizia uma Mãe, ama o seu filho ajudando-o, encaminha-o, tenta colocar o seu filho como homem e mulher no centro ensinando a tomar mais tarde as decisões, dando-lhes a dignidade de pessoa humana.


F.Teixeira

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Membros Conselho Zona Gaia Norte

Composição dos membros do Conselho de Zona de Gaia Norte
Vigararia Diocesana Gaia Norte

1-Conferência Vicentina Divino Salvador-Valadares
Presidente: - Paula Cristina Rocha Silva.
2-Conferência Vicentina Divino Salvador-Vilar Andorinho
Presidente: - Serafim Geraldo Moreira Meira
3-Conferência Vicentina de Nossa Senhora da Hora-Madalena
Presidente: - Maria Adelaide Dias Santos.
4-Conferência Vicentina de Santa Eulália-Oliveira Douro
Presidente: - Fernando Gonçalves Ferreira
5-Conferência Vicentina de Santa Isabel-Candal
Presidente: - Arminda Jesus Leite Marques
6-Conferência Vicentina de Santo André-Canidelo
Presidente: - Pedro Miguel Branco Silva
7-Conferência Vicentina de Santo António-Valadares
Presidente: - Maria Olimpia Barbosa
8-Conferência Vicentina Santo Ovídio
Presidente: - José Carlos Baptista.
9-Conferência Vicentina de São Cristóvão-Mafamude
Presidente: - Maria da Conceição Silva Pereira
10-Conferência Vicentina de São Gonçalo-Mafamude
Presidente: - Maria da Glória Espirito Santo.
11-Conferência Vicentina de São Francisco Assis-Avintes
Presidente: - Ana Rita Ribeiro Vigário.
12-Conferência Vicentina de São Martinho-Vilar do Paraíso
Presidente: - Mimosa Rodrigues Guerra.
13-Conferência Vicentina de São Pedro-Afurada
Presidente: - Manuel Augusto Santos Ferreira Lapa
14-Conferência Vicentina de São Pedro-Avintes
Presidente: - Licínio Tomás Moreira Santos.
15-Conferência Vicentina de São Tiago-Oliveira do Douro
Presidente: - Joaquim Augusto Ferreira Silva.
16-Conferência Vicentina de Santo Afonso-Coimbrões
(em formação)


Atualizado em 2017-06-23

Conferência vicentina uma comunidade de fé esperança e caridade.

3
      Fazer parte de uma conferência Vicentina é um magnifico presente de Deus. É lá que podemos praticar a bela fé católica, fazer amigos sinceros, conhecer pessoas novas, ajudar a quem precisa e aprimorar nossa condição espiritual. Só há benefícios para quem dela participa, pois nos tornamos cristãos melhores ao buscar uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Também os socorridos são extremamente favorecidos, ao receber uma mão amiga nos momentos de sofrimento e desespero.
      Portanto, qual é a mística das Conferências Vicentinas? O grande segredo delas é que, devido à inspiração divina, as Conferências são verdadeiros locais para a prática da fé, da esperança e da caridade. Em outras palavras, as Conferências são comunidades de fé, esperança e caridade. Podem ser assim definidas, pois contemplam Cristo no rosto do Pobre, executando um serviço concreto e prático, em coordenação e amizade entre os membros.
      Alem das obras assistenciais, a acção vicentina acontece no âmbito das Conferências, que são pequenas comunidades formadas por homens (confrades) e mulheres vicentinas, que se reúnem, semanalmente, para crescer na espiritualidade e servir ao próximo. É na Conferência que os vicentinos meditam se estão realmente vivendo, com devoção e entrega, o gesto evangélico de ajudar aos irmãos que vivem em situação de pobreza (material, moral, psicológica ou espiritual).
      As Conferências são “comunidade de fé” porque levam a Palavra de Deus para fora (momentos das visitas junto aos assistidos) e para dentro (reuniões semanais) da entidade, valorizando a visa sacramental e a participação ativa na Igreja. Cada vicentino, em todas as reuniões, aperfeiçoa a vida interior por meio das leituras espirituais que preenchem o espírito e renovam o olhar sobre a fé. Além da reunião, há ainda os retiros e eventos espirituais promovidos pelos Conselhos que oferecem inúmeras oportunidades de desenvolvimento na fé. Portanto, fica claro que as Conferências são comunidades autenticas de fé, a serviço dos irmãos.
      Cultivando a fé, acreditamos e vivenciamos a Santíssima Trindade: o Deus criador (que é o Pai), o Deus Salvador (que é Jesus Cristo) e o Deus Santificador (que é o Espírito Santo). E pela prática da fé, compreendemos a verdade que vem do Altíssimo, alimentado nosso espírito e testemunhando a Boa Nova a todos que nos rodeiam.
      As Conferências são também “comunidades de esperança”. Isso fica bem explícito no momento da visita domiciliaria, quando os confrades e as vicentinas estimulam os assistidos a confiarem na Providência Divina, no valor do trabalho e na certeza de que sairão do momento delicado em que vivem, sempre com Deus ao lado. O papel do vicentino é este: mostrar aos irmãos mais necessitados que só é possível vencer os desafios da vida “com Deus no comando”, guiando os passos e mostrando os caminhos. A esperança é tão forte no seio vicentino que o lema do Conselho Geral Internacional é “servindo na esperança”. Como se percebe, as conferências são evidentes “comunidades de esperança”.
      A esperança é a virtude que nos ajuda a desejar e a esperar tempos melhores em nossa vida (aqui na Terra) e a ter a segurança de que conquistaremos a vida eterna, isto é, nossa felicidade nos céus. O vicentino, ao se tornar amigo dos Pobres, também dirige a eles essa mensagem de esperança e confiança no senhor.
      As Conferências são, por natureza, “comunidades de caridade”, pois a razão principal da existência da sociedade de São Vicente de Paulo – e dos demais ramos vicentinos – é a prática da caridade integral, baseada nos Evangelhos e no amor de Cristo. Assim, as Conferências são o lugar ideal para se praticar a caridade e o

amor, entre nós, vicentinos e com os necessitados. Essa dupla dimensão da caridade vicentina (com os Pobres e entre os membros da SSVP) fortalecer o carácter missionário e leigo da entidade, atingindo cada vez mais pessoas e levando a mensagem salvadora de Jesus sacramentado para todos os lados.
      Sobre a caridade, vale a pena recordar que o amor a Deus e o amor ao próximo são a mesma coisa, de modo que um (amor) depende do outro (amor); por isto, quanto mais amarmos ao próximo, nas Conferências Vicentinas, mais amaremos a Deus; e, por sua vez, quanto mais amarmos a Deus, mais amaremos ao próximo. Reside aí o cerne da “comunidade de caridade” da qual fazemos parte.
      Em resumo, as Conferências são, assim por dizer, as legítimas “comunidades das virtudes teologais”, pois lá se pode praticar a fé, a esperança e a caridade, elementos que nos conectam directamente a Deus. Pela fé, reconhecemos a santidade de Deus; pela caridade, mostramos essa santidade ao mundo e conquistamos nossa santificação; e pela esperança, espalhamos a alegria do porvir, que seguramente será ao lado de Deus.
      Assim, é missão de todo confrade e vicentina dar o testemunho de que as conferências Vicentinas são, de facto, comunidade de fé, esperança e caridade, dentro de uma espiritualidade leiga que tem como objetivo servir aos mais Pobres dos Pobres. Somos muito abençoados por fazer parte de uma Conferência Vicentina! Uma pergunta para reflexão: nossa Conferência é realmente uma comunidade de fé, esperança e caridade, ou se reduziu a um agrupamento de pessoas de bem que exercem um activismo social?
Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi



terça-feira, 13 de junho de 2017

O legado de Ozanam para os dias de hoje

2
      As Cartas de Ozanam foram os primeiros textos, além da Regra Vicentina, pelos quais tive a satisfação de conhecer o pensamento deste extraordinário e santo homem chamado António Frederico Ozanam, modelo de jovem, adulto, pai, profissional, marido, cidadão e fiel leigo comprometido.

      Em Cartas, Ozanam pode comunicar-se com liberdade e desenvoltura, dirigindo-se com simplicidade a seus amigos, conhecidos, parentes, religiosos e académicos. Até nas missivas de cunho profissional, encontramos o “tempero” das virtudes tão caras a Ozanam, sempre com elegância nas palavras, caridade no aconselhamento e esperança na mudança das estruturas sociais.

      Suas Cartas são estimulantes, reconfortantes, pedagógicas e, acima de tudo, verdadeiras orações. As frases que citamos, hoje em dia, mais expressivas de Ozanam, foram colhidas justamente das correspondências que ele escreveu. Que riqueza, que legado, que presente divino!

      Não podemos deixar de reconhecer o grande esforço literário que a família de Ozanam empreendeu para poder recolher os escritos dele, consolidando-se em livros. Sem essa investigação histórica, talvez hoje não pudéssemos saborear esse lindo conteúdo. Também não podia ser diferente: os ascendentes de Ozanam eram e literatos, assim como seus descendentes. Considero que o Espírito Santo, soprou forte sobre esta família, brindando-a com as características de perpetuação da memória e da transmissão do conhecimento. A humanidade agradece!

      As Cartas que Ozanam escreveu ao longo do século XIX são pérolas para nossa realidade. É como se ele tivesse deixado “sinais” para as gerações futuras sobre a maneira evangélica e caritativa de superar as dificuldades e ajudar àqueles que estão em situação de vulnerabilidade e de exclusão social. Ozanam, visionário e vanguardista, deixa para a posteridade suas Cartas e nos recomenda práticas adequadas para o mundo de hoje, tão  maltratado pelo egoísmo, pela ganância, pelo poder e pelos holofotes da fama passageira.

      A leitura das Cartas de Ozanam nas Conferências Vicentinas é sempre propícia, especialmente quando celebramos a data do nascimento do principal fundador da sociedade de São Vicente de Paulo ou da criação da entidade. São datas memoráveis que não podemos passar em branco.

      Por fim gosto sempre de encerrar meus textos com algumas perguntas, para que nós, vicentinos do século XXI, possamos também reflectir sobre a postura que adoptamos, na condição de imitadores de Ozanam. Utilizamo-nos dos meios de comunicação, pessoais e colectivos, analógicos ou digitais, para disseminar a cultura da caridade? Usamos as redes sociais e a mídia para propagar a Boa Nova e libertar os oprimidos? Limitamo-nos a criticar o sistema económico e político, e não fazemos nada de concreto para alterá-lo o oferecer caminhos alternativos?

      Se Ozanam estivesse fisicamente entre nós, hoje, o que ele faria? Quantos e-mails (que são as “cartas virtuais” dos tempos presentes), não teria ele enviado aos quatro cantos do mundo para defender e proteger os mais necessitados? Somos vicentinos e, portanto, temos que ser “espelho” de Ozanam, usando especialmente as novas tecnologias a serviço dos Pobres.
     

Crónicas Vicentinas IV Cgi. Renato Lima

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A pobreza da ingratidão e o diploma da santidade

1

     Um dos sentimentos mais dolorosos que uma pessoa pode vivenciar é a ingratidão. Muito mais que a ira ou o desamor, a ingratidão é como um ácido que corrói profundamente por dentro, afectando o coração do individuo que sofreu tal dissabor: Porém, como vicentinos que somos, ao buscarmos a santidade, temos que estar acima desse sentimento nocivo, que às vezes percebemos no momento da visita, no relacionamento com as famílias assistidas e até no seio da nossa entidade.
      Certa vez, um Conferência, por ocasião do Dia das Mães, decidiu doar Kits de cremes para embelezar as mães assistidas. Grande foi a surpresa quando nem todas as senhoras beneficiadas disseram uma palavra de agradecimento, como por exemplo: “muito obrigada!”. Nem um sorriso, nem uma demonstração de afecto. Na verdade, são pessoas sofridas, que nem sempre têm forças ou ânimo para a vida; mas daí demonstrar tamanha indiferença, é uma dor muito forte para quem proporcionou aquele gesto genuíno de caridade.
      O próprio Jesus Cristo também “reclamou” dos ingratos. Ele mesmo, que era Deus, após curar dez leprosos, indagou porque apenas um havia regressado para agradecer. E Jesus perguntou: “Onde estão os outros nove?” (Lucas 17,17). Na caminhada vicentina, muitos “leprosos” passarão por nós, mas poucos serão agradecidos. É bem verdade que fazemos esse trabalho de caridade sem buscar reconhecimento ou gratidão; tais sentimentos são humanos e fazem parte da educação das pessoas. O que pode nos consolar, um pouco, é que uma pessoa ingrata é também vítima do problema, pois não teve acesso à cultura.
      Ser grato a uma pessoa pode ser algo tão simples para muitos, especialmente àqueles que tive acesso à educação e nasceram numa família que lhes ensinou valores, princípios e posturas socias. É bem verdade que boa parte dos socorridos de nossas Conferências não possui essas características. É por isso que, juntamente com as cestas de alimentos e outros bens materiais, os vicentinos devem levar “exemplos”, “conselhos”, “orientações” e, acima de tudo, “ensinamentos”. Tudo o que dissermos de valores e virtuoso a um assistido produzirá frutos no futuro.
      Contudo, uma certeza pode-se ter: da mesma maneira que Jesus ofereceu a “outra face” a quem lhe quisesse machucar (Mateus 5,39), a ingratidão com que, às vezes, estamos sujeitos (pelos assistidos, por alguns representantes da Igreja e pelos próprios companheiros de caminhada vicentina), será a chave para abrirmos as portas do paraíso. Essa ingratidão nos condecorará com um “diploma invisível de santidade”, que São Vicente e Ozanam nos entregará quando estivermos entrando nos céus, um dia.

      Qual é o pior defeito do ser humano? – Como podemos lidar com essa situação nos trabalhos vicentinos, especialmente junto aos assistidos? 
Crónicas Vicentinas IVCgi. Renato Lima

domingo, 21 de maio de 2017

8 - O MEU FOLLEVILLE

video

Depois de 400 anos aqui estamos, em Folleville chamados a ir novamente para o nosso próprio Folleville. No início Vicente não estava realmente animado, mas foi feliz até ao final, passando por diferentes obstáculos para ter esta experiência, que foi uma dádiva de Deus. E agora nós somos chamados a passar por obstáculos, não a determo-nos por caminhos longos, ou pelo mau tempo, a neve, a chuva ou qualquer outro obstáculo que possamos encontrar durante o caminho. Somos chamados a alcançar o nosso próprio Folleville.
Folleville está à nossa espera. Está esperando-nos em muitas partes do mundo, em cidades, povos: pequenos, médios, grandes. Em todos os continentes há Follevilles: a experiência da pobreza espiritual que Vicente experimentou tanto em Folleville, encontra-se também agora no mundo de hoje, em todos os continentes.

7 - IR A FOLLEVILLE

video

“Percorrer as estradas, as esquinas que Vicente fez há 400 anos. Foi para chegar à vila de Folleville, tocando o chão, sentir a erva, ver os animais, inclusive encontrar um cavalo, como se passou com Vicente.

Fui para experimentar a neve, o frio e o sol, como também fizeram os outros que foram ao povo e viam a igreja de longe. A igreja, na verdade era o lugar onde Vicente queria ir. A experiência na igreja de Folleville foi o que começou a mudar a sua vida, o seu interior, o seu coração. Foi um chamado que ele experimentou. Foi um momento de graça. Foi um momento em que atou o Espírito Santo nele, e desde então a sua vida nunca mais foi a mesma”.

3 - As sandálias da caridade

video

Esta preciosa relíquia, estas sandálias de São Vicente de Paulo que tenho em minhas mãos, falam por si mesmas, sem precisar palavras… Nem parece mais um par de sandálias. Está cheia de buracos, toda gasta. Elas falam de Vicente de Paulo andando e caminhando sem descanso, indo sempre em direcção de Jesus Cristo e dos Pobres. Ele não se importava com o estado de conservação que elas se encontravam. Quantos quilómetros andou estes sapatos? A quantos Pobres foram esses sapatos, estas sandálias? Diga-me, quantas vezes Vicente de Paulo encontrou-se com Jesus calçando essas sandálias?

Vamos fazer a mesma coisa. Vamos aprofundar nossa proximidade com Jesus Cristo e com os Pobres. Vamos!!!

02 - Cubramo-nos com a capa de São Vicente

video



Esta é a Capa de São Vicente de Paulo, que o acompanhou por muitos anos enquanto caminhava para fazer o bem. É um símbolo de completo e total de despojamento, de não pensar em si mesmo, mas de viver ao extremo seus votos, os próprios votos, de pobreza, obediência, castidade. É o símbolo da total entrega à Missão e da perseverança até o fim. Quão que forte intensidade esta Capa, esta relíquia, fala também a todos nós. Nós nos inclinamos diante dela, com uma oração para cada um de nós, membros da Família Vicentina, para cada uma das novas vocações para o sacerdócio, ou para ser Irmãos, ou para dedicar-se à vida consagrada. Jesus está nos chamando e pedimos através da intercessão de São Vicente de Paulo que nos permita prosseguir na nossa caminhada e que nossos sonhos se tornem realidade. Este foi o sonho de Jesus. Este é o nosso sonho, Vicente de Paulo!!! É o nosso desejo e é o nosso sonho fazer, hoje, da globalização da caridade, uma realidade.

01 - NO CAMINHO PARA OS POBRES

video

Chapéu de Vicente. Usado, desgastado. Pode-se ver buracos por todas as partes. Podemos imaginar Vicente de Paulo andando pelas ruas de Paris e de outras cidades, utilizando-se este chapéu para proteger-se do frio e da neve. Mas, novamente, o chapéu era uma ferramenta. Uma ferramenta para servir. Esta relíquia também nos fala e nos convida a refletir sobre Vicente de Paulo e sobre o seu itinerário. Nos leva a refletir o porquê que o levou a apaixonar-se por Jesus Cristo. Sabemos que ele sempre caminhou incansavelmente até à exaustão física, até quando já não podia andar. É o período último de sua vida onde permanecia em seu quarto. Hoje, porém, somos convidados a sair, sempre com Jesus.



sábado, 6 de maio de 2017

No coração da Mãe

(Peregrinação Anual da Sociedade de São Vicente de Paulo, 
Fátima, abril de 2017)

Vou falar de amor. Vou falar de uma Mulher que, por pura fé, deixou que o seu coração fosse “coberto pela sombra do Altíssimo” e disse que sim ao projeto que Deus tinha para a Humanidade. 
Quem é esta Mulher que, há 100 anos, como agora, nos pede que baixemos as armas e que nos deixemos guiar pela dimensão de infinito que existe dentro de nós? 
A quem pertence, afinal, esta voz que aplacou os medos dos pastorinhos: “Sou do Céu” e que nos toma nos braços e nos pega ao colo e nos diz aquilo que disse a Lúcia naquele dia de junho de 1917:
«Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus».
Na nossa vida, Maria é, normalmente trazida pela voz primeira de uma mulher: da mãe, da avó, de uma madrinha…(uma voz de beijo, que as mães, as avós e as tias velhas têm muitas vozes) e está guardada como memória de um tempo doce, de um lugar de ternura, de um refúgio, de um lugar para onde se corre quando se tem medo ou quando se tem vontade de chorar. 
E foi-nos ensinada como Mãe, como aquela que, apesar das nossas fraquezas está sempre pronta para nos receber – e nós rezamos, todos os dias: rogai por nós pecadores; porque Maria é aquela que, na hora de agora e na hora do fim, não nos deixa sozinhos: agora e na hora da nossa morte. 
É Ela que nos recebe aqui. É neste silêncio que veste Fátima de branco que os pastorinhos se encontram com Deus e experimentam a sua proximidade. Fátima representa, hoje, para nós, esse Imaculado Coração e a promessa dessa “janela de esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta, como disse o Papa Bento XVI, quando veio aqui em 2010. 
Para os pastorinhos, o coração da Senhora era o santuário do seu encontro com Deus. Este coração é Imaculado. 
Estamos em Portugal. A Imaculada Conceição é rainha desde que D. João IV lhe entregou a sua coroa. 
O povo conhece bem o sentido de proteção que o termo “Imaculado” possui e sabe que “coração” é coisa de dentro, coisa de amor, coisa de mãe. 
E Maria é sobretudo isso: Mãe. E é sempre à procura de colo que vimos aqui: pedir ou agradecer, mas, sobretudo, estar, nesta intimidade de coração com coração com Aquela que, no limiar da morte, Cristo nos entregou, como herança.  
Com as mãos da minha mãe entre as minhas, eu aprendi a rezar a esta “cheia de graça” que é a Mãe de Deus e aprender dela as coisas do coração: a fé, a disponibilidade, o serviço, o silêncio, a fidelidade. 
Talvez por isso, a tenho sentido tão presente, tão companheira, tão participante na minha história. Mesmo nos momentos em que eu tive mais dúvidas, nos momentos em que eu achei que a religião não tinha as respostas que eu precisava, ou que eu queria que tivesse. 
Apesar de ter tentado fugir, e eu tentei algumas vezes, Maria foi sempre um lugar seguro. Sempre. Percebi que podia contar com ela quando a noite me metia mais medo. E senti-a Mãe. E percebi que com a mão dela a segurar a minha, eu nunca me perderia. Se isso já acontecia com a minha mãe… 
São Vicente de Paulo tem uma frase extraordinária: “Nunca se tem Deus como Pai, se não se tem Maria como Mãe”. 
E eu aprendi-a assim. Beijo de Deus à humanidade. Modelo de fé e de vida. Em todos os momentos. 
Vejam:
Naquele dia branco, em que o Anjo se aproximou com o Recado de Deus, Maria disse que Sim e deixou que o seu coração se inundasse de Amor. Na entrega daquele Faça-se, a sua vida mudou, a nossa vida mudou e Ela permitiu que o Plano que Deus tinha para a humanidade se concretizasse. A partir desse dia, Maria deixou de servir Deus, ela passou a viver Deus, num silêncio impressionantemente fecundo.
É num momento de silêncio que Maria entra na História. Ela cala tudo à sua volta, apenas para ouvir o recado de Deus e nem lhe pediu um sinal. Só lhe perguntou o como (Como pode ser isso se eu não conheço homem?), para não errar. Queria obedecer com amor. E só um coração sem mácula pode entregar-se assim.
Ao escutar o anjo Maria traça o 1º passo para quem quer entrar numa relação de intimidade verdadeira e atira-se, deste modo, pno abismo de Deus, sabendo que Ele lhe daria as asas  necessárias quando fosse preciso (porque é preciso ter asas quando se ama o abismo, como diz Thomas Mann, em Morte em Veneza).  
O seu “Faça-se em mim” decidiu, da parte humana, o cumprimento do Mistério Divino e, se tornou, como diz o Papa João Paulo II, na encíclica “Mãe do Redentor”, “sinal de segura esperança”, “o teu refúgio”, como ela própria disse, em Fátima, a Lúcia, e nos diz, a nós, todos os dias.  
Depois, o Coração Imaculado dessa Mulher que o Antigo Testamento já tinha anunciado, como a promessa da vitória sobre a serpente; como a primeira entre todos aqueles que esperam e recebem a salvação vai pôr-se a caminho, vai ter com Isabel. Vai, na sua lógica de mulher que tem Deus no peito, ajudar quem precisa dela. E só o amor permite esse “ir” que os senhores fazem todos os dias. Ao encontro. E Isabel reconhece nela “a mãe do Senhor” e dá testemunho daquela fé que alterou, completamente, o rumo da humanidade – “Feliz daquela que acreditou”. Que acreditou e que ensina a acreditar. Ela foi a primeira que “ouviu a Palavra de Deus e a pôs em prática” e que, mesmo sem entender muitas coisas - a conceção; a pobreza em que o Príncipe da Paz, o Filho de Deus nasceu; a profecia do velho Simeão; a necessidade de fugir para o Egito; as respostas de Jesus, nomeadamente naquele dia do templo, em que, face à preocupação de Maria, ele lhe responde que tinha de tratar das “coisas de meu pai”; a vida pública daquele seu filho que tinham uma maneira diferente de ver o mundo e que falava de amor e de dar e dar a vida pelos amigos; a paixão e a dor de ver sofrer e morrer um filho que, mesmo sabendo que era de Deus e que tinha uma missão a cumprir, lhe  terá custado muito. 
No Imaculado Coração de Maria, mora o silêncio, mora a contemplação. E se escutar é ouvir com o coração, contemplar é ver com o coração, porque, como diz Saint Exupéry, no Principezinho, “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. 
Nas Bodas de Caná, o Imaculado Coração de Maria volta a desenhar-se como um refúgio, mas também como caminho para Deus. 
Ela está atenta às necessidades de quem tem necessidades.    
- Filho, não têm vinho! 
e vinho é tudo o nos falta: pão, dinheiro, saúde, trabalho, esperança, coragem, um sentido para continuar aqui. 
E, depois,  indica o caminho. 
- Fazei o que Ele vos disser!
E o que Ele diz é apenas isto:
“Amai-vos uns aos outros”

Maria indica o caminho de Deus. Proporciona o nosso encontro com Cristo. Ela, que tinha sido o sacrário do Filho de Deus, é também o altar do Seu filho. 
Já o tinha sido no princípio: é ela que apresenta o seu menino aos pastores, aos magos, a Simeão e a Ana, aos esposos de Caná. 
E depois, há a cruz. Aquele momento de carne-viva. Aquele instante de eternidade, em que um fio de amor faz o triângulo entre os olhares de Jesus, da Mãe e da humanidade inteira. Aquele instante que nos garantia o refúgio eterno no Imaculado Coração de Maria. 
De João: 
Neste texto, MÃE é a palavra mais importante. Em meia dúzia de linhas, o evangelista repete-a 5 vezes:  no princípio, Maria é a “sua mãe” – e só esta expressão aparece 3 vezes; depois, “disse à mãe”, assim, sem nenhum possessivo, quase como se a maternidade de Maria fosse esvaziada – o seu único filho estava a ser-lhe tirado. 
Jesus há de olhá-la com a ternura de sempre. Ele sabe que quando tudo se consumar, ela estará à espera do seu corpo para o tomar nos braços, mais uma vez, para o embalar pela última vez. 
Num terceiro momento, transfere a Maternidade -  Eis a tua mãe! - para João, para nós, numa espécie de  novo parto, de nova maternidade. 
Em nome dela, Maria é ajudada a depor aquela dor. Na hora da morte, Jesus pronuncia palavras de vida: diz MÃE, diz FILHO, e ajuda-(n)os a reatar o fio quebrado da existência. E pronto. Já não estávamos sós. Maria ficaria sempre connosco, mesmo nas horas da cruz. E do mesmo modo que ela embalou o seu filho morto, há de embalar-nos, a nós e isso ajuda-nos a ter um bocadinho de menos medo do escuro. 
Ela continuaria de pé, ao lado a minha cruz, das nossas cruzes de todos os dias, segurando as mãos que nos vão caindo, limpando as lágrimas que vamos chorando, cobrindo - nos com o céu do seu manto. Ela seria o nosso refúgio. 
No Evangelho da Alegria, O Papa Francisco volta a falar-nos da hora suprema da Nova Criação, em que Cristo nos conduz a Maria – ao olhar de Maria, ao abraço de Maria, à ternura de Maria, aos cuidados de Maria. A Mãe. E que esta imagem materna reúne todos os Mistérios do Evangelho: os da alegria, os da luz, os da dor e os da glória. E é sobre eles que meditamos quando rezamos o terço. É neles que temos de viver, quando desfiamos as contas da nossa vida.  
Isto volta a acontecer em Fátima. O mundo estava sem vinho. Em Fátima, O coração que Nossa Senhora mostra a Lúcia, na 1ª aparição, está cercado de espinhos. O verdadeiro cenário desses dias era o de um mundo em conflito, desesperançado, de um mundo em guerra. Uma mãe conhece a dor do filho. Uma mãe sabe quando o filho precisa de colo. E, nesse tempo, era preciso. 
Hoje, continuamos sem vinho. O mundo é um cemitério de cruzes. A nossa vida (o nosso coração) tem muitos mortos dentro. O verdadeiro cenário destes dias não é muito diferente do desse tempo…
Se a Senhora voltasse hoje, talvez dissesse exatamente a mesma coisa que disse no dia 13 de julho de há 100 anos atrás: “Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão, e muitas almas terão paz”. 
Quando ela veio a Fátima, trouxe-nos recados do céu. Ensinou-nos o caminho: pediu Penitência – na aceitação da cruz do dia-a-dia, na construção da vida com os olhos postos em Deus; no esforço em sermos cada dia um bocadinho melhores; pediu-nos oração e as orações ensinadas em Fátima (por Nossa Senhora, pelo anjo e pelos pastorinhos) não são dirigidas a ela, mas a Deus: “Senhor, eu creio, adoro, espero e amo-vos” e peço-vos perdão”; pediu-nos mudança de vida. 
O  caminho mais curto e mais direto entre nós e Deus é Jesus. Primeiro nos braços da mãe. Depois nos braços da cruz. 
Maria deu à luz o Céu. E nós temos a obrigação de, por Ela, chegar mais perto de Deus. E podemos estar certos de que temos uma Mãe que nos acolhe – acolher é verbo de mãe”- com um coração imaculado onde há lugar para todos os filhos.  
Em 2010, a Imagem Peregrina esteve na Madeira. Por essa altura, escrevi isto:
Mãe, 
guardei o meu coração para te oferecer nestes tempos em que vieste visitar-me. Trouxe-te a luz dos caminhos, o canto dos peregrinos, o silêncio das noites. Trouxe-te o melhor de mim, apesar da vida e do tempo e do medo. Trouxe-te quem sou: às vezes sorriso, às vezes desespero, às vezes abraço, às vezes solidão. 
Vim, Mãe Santíssima, porque em ti encontrei a minha casa. Mesmo quando a noite me apagou a esperança, quando a dor me choveu nos olhos e me derramei no chão. Vim, Senhora de todos meus passos, porque sempre houve lugar para mim no abrigo azul do teu manto, na ternura branca dos teus silêncios, nas palavras caladas, guardadas na cruz do teu Filho.  
Senti-te à beira da minha cama, nos momentos de pedra; senti-te estrela, nas alturas de alegria; senti-te presença na hora das lágrimas. 
Por isso, só me resta colar os meus olhos aos teus, as tuas mãos às minhas e agradecer-te, da pequenez da minha humildade por nunca teres largado o meu coração. 
Senhora de Fátima, peço-te, hoje, aquilo que eu, no segredo de mim, pedia à minha mãe antes de dormir: Se eu me perder, encontra-me. Ámen.

Que, neste século louco e solitário, a gente aprenda com a Imagem da Senhora de Fátima a elevar as mãos para o céu, mas a pousar os olhos nos irmãos. E que nunca nos esqueçamos de que o Seu Imaculado Coração é refúgio e é caminho. Porque Maria, Senhora de Fátima e de nós, foi o primeiro sacrário e o primeiro altar de Jesus. Por Ela, chegaremos, de certeza absoluta, a Deus.
Graça Alves 
(Funchal – Fátima, abril de 2017)

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Caminhos do rosário

«Pensamento»

Pois é, o dia 13 está a caminho, o nosso caminho vem ali, ele é a única hipótese de chegares a ELE.
Vais encontrar algumas estações, algumas serão dolorosos outras gozosos, outros gloriosos e ainda luminosos, poderás ter que parar, às vezes para acender as luzes, mas para chegares ao fim vais encontrar Ele com a sua cruz.
Terás que percorrer uma circular e para saíres não precisas de um colete reflector, poderás encontrar alguns atalhos, mas encontras várias luzes, luzes que chegam para te aquecer, luzes que dará para distribuir. Mas, convém, convinha que tenhas o teu carro com as revisões em dia.

domingo, 23 de abril de 2017

09 - VOLTAR AO ESPIRITO

video

«Ao aproximar-se da igreja, Vicente viu de perto, primeiro de longe e depois, encontrou-se mesmo à frente da porta.
O que teria sentido, quando entrou aí, um lugar frio?
Era inverno.
Muita gente?
Provavelmente não, ele estava muito interessado em quantas pessoas encontraria ali.
E em seguida, aproximou-se do altar, subindo lentamente em direção ao púlpito, experimentando esse momento, aqueles minutos, segundos, até as escadas para chegar ao lugar onde ele começou a falar.
De verdade já não era mais Vicente.
Era Deus.
Era Jesus que falava através dele.
O que sentiu nessa experiência depois do seu sermão foi um milagre.
Ele começou a compreender que Deus trabalha através das pessoas. Ele começou a acreditar que as pessoas têm que ser instrumentos nas mãos de Deus e os milagres começaram a acontecer. As conversões começaram há 400 anos.

Mas hoje, estamos aqui, olhando para o nosso próprio Folleville.
Os nossos Follevilles de todo o mundo, como Família Vicentina, como seguidores do Carisma Vicentino anima-nos, em primeiro lugar, para voltar a experimentar esse momento de novo e
em seguida, partilhá-lo com o mundo.

Quantas pessoas estão à espera?
Quantas pessoas precisam de apoio espiritual, ajuda física e material?
Temos que considerar a pessoa inteira e não apenas uma parte, mas como um todo.
Foi isto que Vicente alcançou a ver.
Mais uma vez ele percebeu que Jesus o tinha chamado para ajudar a pessoa necessitada em toda a sua integridade.
Vamos aos nossos Follevilles à volta do mundo e voltemos para reviver o nosso próprio fogo, reavivemos o carisma dentro de nós mesmos e incentivemos outros a seguir os passos de Vicente, que é a passagem de Jesus no Evangelho.
Precisamos fazer algo maravilhoso.
Somos chamados a fazer algo maravilhoso para Deus.
E aqui estamos.
Este ano é a nossa oportunidade e, belo presente para fazê-lo.»

Tomaz Mavric-CM  
Superior Geral

Dia 25 01 dia de conversão de São Paulo
Tempo leitura: 8m12s