"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

¿Retorno ao carisma vicentino?


Sentir os afetos de São Vicente de Paulo é retornar 25 janeiro, em Folleville,  a Chatillon a 23 agosto de 1617. Retorno, voltar a trás, reviver o que foi feito, faz sentido ao atribuir ao sentido do carisma vicentino e conviver em sociedade este carisma a que todos somos convidados.

Em termos económicos «estornar ou retorno, tem o significado de devolver uma verba que foi indevida». Talvez por determinado erro mau lançamento deu azo a um retorno do valor que não nos pertence ou devemos devolver.

Ao ler o texto do B.P., sobre uma iniciativa Global da Família Vicentina, leva a cabo este ano. Celebramos os 400 anos do Carisma Família Vicentino que remonta aos anos em 1617 com SVP nas suas primeiras pregações em Chatillon, sua paroquia e quando foi chamado por uma senhora, a deslocar-se na visita a socorrer uma família que sofrem com doenças e a passar fome. 
SVP socorreu e depois, pediu na comunidade paroquial para dar continuidade a família de forma organizada, foi assim que se prosseguiu ate aos dias de hoje. Mas o mais importante é o retorno que conseguiu dar a esta família. Retornou a essa família uma “dívida-de-afetos”. Esta família outrora e hoje recordamos, servirá para criar boas práticas vicentinas como exemplo: as nossas famílias aos “afetos” que lhes foram retirados ontem e hoje em pleno século XXI.

Muitas vezes ouvimos ou dizemos: - não temos tempo, por falta de empregos, não damos respostas e emigram, pelos sem teto, os que encontram sozinhos enfrentam as enfermidades físicas, ou doenças depressivas ou mentais, pela criminalidade e divorciados compulsivos muitas vezes por falta de trabalho e falta de amor «não estou para aturar o que está mais próximo», os nossos jovens e mais velhos presos pelas drogas muitos deles desacompanhados, idosos que muitas vezes são colocados em lares porque dão muito trabalho etc, etc. Pela nossa pouca vontade de reconhecer a família dos afectos.
Pe. José Frazão, deixa-nos um pensamento; «Somos gerados e dados à luz e ao respiro, confiamos o nosso corpo e a palavra à força dos afectos. Porém, prometidos a nós mesmos pelo compromisso, não temos por onde fugir.» Acrescenta ainda; Só, a palavra por si já nos afecta.

O apóstolo São Mateus 25:35, lembrando-nos a Família de Nazaré na sua fuga de Rei Herodes: «Fui peregrino e me recebeste». O exemplo da Família de Nazaré é um bom testemunho de união e amor aos afetos que distribui. Eles, são a forma mais fácil na distribuição dos afetos em casa, na rua, quando visitamos um doente ou quando encontramos uma pessoa a pedir nos abeiramos dele ou dela e tentamos consolamos, mesmo que ele não aceite a nossa proposta de tentar resolver o seu problema. 

Acho que o mais nos identifica como vicentinos servidores é sermos um Cristo identificado entre os que mais precisam. Fazer, fazer de forma a que nós, devolvamos a dignidade das pessoas humanas com os mesmos direitos de todos nós.

Como vicentinos só terá sentido que as palavras ditas sejam carisma vicentinos fazendo. Faz!

sábado, 21 de janeiro de 2017

O que são os afectos?

Dizemos muitas vezes que um pobre pode ter falta de afectos, da família, amigos, vizinhos e acredito que sim mas, também há-os que tem estes vizinhos por perto e não, sente o afecto de saber aceitar, saber estar com atenção, ouvir e os que vão e cruzam por alguém e faz um simples gesto; «Bom dia, está tudo bem consigo!»

Pensem na frase:
«Somos gerados e dados à luz e ao respiro, confiamos o nosso corpo e a palavra, à força dos afectos. Porém, prometidos a nós mesmos pelo compromisso, não temos por onde fugir.» 

O afecto, só como palavra, já afecta – não passa sem deixar marcas, nao conseguimos fugir.

Ler esta frase de Pe.José Frazão:
«Deus sabe coser os nossos vestidos para tapa a nudez dos nossos corpos» e, sabe também tapar, com o Espírito Santo, as nossas indiferença, a nossa timidez, as nossas incertezas, os nossos esquecimentos, as nossas faltas de afectos.

Para quem pergunta "O que é isso afectos?" 
Afectos é o nosso interior que dá para fora, é uma espécie de Árvore Genealógica do "EU".
Será que podemos cozer uma blusa sem agulha?

Neste ano em Assembleia Celebrativa Dia da SSVP-29 outubro no CZGN, vamos os presentes exteriorizar os nossos Afetos com os outros. Nos vamos ouvir.

czgn-fernando teixeira.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pacto das Catacumbas da Igreja - Serva e Pobre



Assinado por 40 Padres Conciliares 1

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências
de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros,
numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a
presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo
com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos
sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e
pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos
sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de
nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que
Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:
1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que
concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se
segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.
2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente
no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa
(devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6.
Nem ouro nem prata.
3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em
nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese,
ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.
4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em
nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel
apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e
apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.
5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que
signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...).
Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28;
23,6-11; Jo 13,12-15.
6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que
pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer
aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceites, classes nos
serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.
7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer
que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra
razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma
participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc
15,9-13; 2Cor 12,4.
8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios,
etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e
1 No dia 16.11.1965 cerca de 40 Padres Conciliares celebraram nas catacumbas de
Domitila uma Eucaristia pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus. Após essa celebração
alguns deles firmaram o "Pacto das Catacumbas". Ver in: KLOPPENBURG, Boaventura
(org.). Concílio Vaticano II. Vol. V, Quarta Sessão. Petrópolis: Vozes, 1966, 526-528.
economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras
pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou
sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários
compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At
18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.
9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas,
procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas
na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como
um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc
13,12-14 e 33s.
10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos
nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as
instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento
harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de
uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus.
Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.
11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na
assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física,
cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
- a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos
episcopados das nações pobres;
- a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas
testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de
estruturas económicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias
num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de
sua miséria.
12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos
irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério
constitua um verdadeiro serviço; assim:
- esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
- suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o
espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
- procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
- mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At
6,1-7; 1Tim 3,8-10.
13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos
diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão,
seu concurso e suas preces.
AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS.

sábado, 14 de janeiro de 2017

A Hipólito Fortoul e Huchard 15-01-1831

Lião, 15 janeiro de 1831

   Conforme pode ler-se a págs. 9/10 das "Cartas de Frederico Ozanam" (ed. de 1925), esta carta foi escrita alguns meses depois de o Autor ter saído do colégio. Seu Pai, que o destinava à carreira de notariado, arranja-lhe colocação num escritório de advogado, para desconsolo do futuro fundador das Conferências, que alentava outros sonhos. Ozanam "vingava-se" lendo e escrevendo sem cessar sobre os assuntos que realmente lhe interessavam. Pertencem a essa época várias peças das suas polémicas com os socialistas são-simonianos. (Membros de uma seita segundo a qual podia adquirir-se por dinheiro a fé, as graças espirituais, os cargos eclesiásticos, etc.).
   A quem ler com atenção com esta interessantíssima carta, não passarão certamente despercebidas algumas características dignas de nota: a profissão de Fé cristã do seu Autor e também o seu amor pela ciência; o seu enciclopedismo cultural; os seus ambiciosos planos de estudo; o gosto pelo trabalho de grupo; o entusiasmo juvenil; o espírito de camaradagem; um certo romantismo ingénuo, que tão bom quadrava a um jovem de 17 anos, cheio de vontade de se valorizar e de servir a Causa de Deus e o bem do próximo.
   Efectivamente, pode dizer-se que, já naquela idade, Ozanam acalenta duas grandes paixões: a Religião e a Ciência.  O que se explica pela sua atitude de permanente curiosidade perante a Vida e de profundo amor pela humanidade. Ele como que se sente impelido, por uma força inelutável, a conhecer tudo sobre os mistérios da Natureza e sobre a existência do Homem; e onde o conhecimento científico não baste para o elucidar, recorre à Fé cristã para obter resposta satisfatória à questões que coloca.
   Antes de mais, porém, confessa a sua perplexidade:

      "Cercado como estou por mil opiniões directamente contraditórias, que assaltam sem cessar os meus ouvidos com os seus argumentos recíprocos, já construí vinte sistemas, dos quais  nenhum pôde manter-se; fiz cem conjunturas que os acontecimentos vieram desmentir: e agora eis que, cansado de politicar, de conjuturar, vejo mudar a charada em acção e espero que digam bem alto a aplavra do enigma".   

    A palavra, ou seja, a solução do enigma... eis a busca ansiosa de Ozanam! 

   Tanto mais que a face da terra modou radicalmente, em virtude das profundas mutações políticas e sociais ocorridos nos últimos decénios. Daí que confidencie aos seus amigos Foutoul e Huchard:

      " Como vós, sinto que o passado caí, que as bases do velho edifício estão abaladas e que uma terrível sacudidela mudou a face da terra. Mas que deve sair destas ruínas? A Sociedade deve manter-se envolvida nos escombros dos tronos derrubados ou deve antes reaparecer mais brilhantes, mais jovem e mais bela? Veremos novos coelos et novam terram? (céus e nova terra)...Eis a grande questão. Eu, que acredito na Providência e não desespero do meus país, como Carlos Nodier, creio numa espécie de palingenésia. .Mas qual será a sua forma, qual a lei da sociedade nova? Não tento decidi-lo". 

   Uma palingenésia, um impulso renovador do homem e da sociedade, uma regeneração, cujos contornos Ozanam não se atreve a definir. Mas há que encontrar ao menos uma "barca de salvação", um rumo a seguir para porto seguro. O sentimento mais íntimo de Ozanam permite-lhe enunciar um princípio de resposta a esta ansiedade: "a primeira necessidade do homem, a primeira necessidade da sociedade são as ideias religiosas; o coração tem sede de infinito". E explica:

      " ... reconheço em toda a religião dois elementos bem distintos: um elemento variável, particular, secundário, que tem a sua origem nas circunstâncias de tempo e de lugar nas quais cada povo se encontrou e um elemento imutável, universal, primitivo, inexplicavel pela História e pela Geografia".

   Até que - continua Ozanam - "a minha alma, pelas forças da sua razão, encontrou precisamente este catolicismo que me foi outrora ensinado pela boca de uma excelente mãe, tão cara à minha infância e que alimentou tantas vezes o meu espírito e o meu coração com as suas belas recordações e as suas esperanças ainda mais belas, o catolicismo com todas as suas grandezas, com todos os seus encantos!"
   Essa será a coluna do tempo, "apoiada sobre a Ciência, luminosa com os raios da Sabadoria, da Glória e da Beleza; esse será o farol da libertação. "E talvez um dia a Sociedade viesse a reunir-se toda ela sob esta sombra protectora; o catolicismo, pleno de juventude e de força, elevar-se-ia de súbito sobre o mundo, colocar-se-ia à cabeça do século renascente para o conduzir à civilização, à felicidade!"
   Utopia generosa de um adolescente ingénuo? Desiludidos e cépticos como hoje nos achamos, porventura cederíamos à tentação de formular um juízo desse tipo. Mas ouçamos a resposta de Ozanam a essa previsível observação: 

      " ... os trabalhos preliminares já me desvendaram a vasta perspectiva que acabo de descobrir e sobre a minha imaginação plana com arrebatamento. Mas não basta comtemplar o caminho que tenho a percorrer, é preciso iniciar a marcha, pois chegou a hora e se quero fazer um livro aos trinta e cinco anos, tenho de começar aos dezoito os trabalhos preliminares que são em grande número. Com efeito, conhecer uma dúzia de lìguas para consultar as fontes e os documentos, saber bastante possivelmente a Geologia e a Astronomia para poder discutir os sistemas cronológicos e cosmogónicos dos povos e dos sábios, estudar enfim a história universal em toda a sua extensão e a história das crenças religiosas em toda a sua profundidade: eis o que tenho de fazer para conseguir a expressão da minha ideia". 

   Para publicar um livro aos 35 anos, é preciso começá-lo aos 18! 
Palavras premonitórias, se considerarmos que quem as proferiu morreria aos 40...
   Ozanam pode ter a cabeça nas nuvens, mas os seus pés estão bem fincados na terra. O filósofo que há nele parte da observação atenta das realidades; e o crente não não prescinde dos contributos que lhe hão de advir de variadas disciplinas científicas.
   Extraordinária riqueza de uma personalidade em formação - naturalmente incipiente e talvez insegura, mas já promissora dos altos voos que em breve iria desferir... 





sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Mensagem de Natal 2016

INTRODUÇÃO
O romper da Aurora, a primavera ainda não chegou em Portugal mas achei que o nosso presidente do C.G.I, Renato Lima na sua Mensagem de Natal, define bem uma nova maneira de rasgar nos céus "O seu Período inicial", uma espécie de um fenómeno não nocturno mas como se  nasce-se o sol. Para os Portugueses estava a faltar, alguém que fala-se o idioma de Camões, o português, para que através da comunicação chegue pelos menos à maioria. 
Vou dar-me ao trabalho por transcrever a sua "Mensagem de Natal-2016", porque a acho agora, importante, porque para já muita gente não teve conhecimento embora não seja o nosso caso pois tive o cuidado de já a ter transmitido numa das páginas:  Boletins da CGI/SSVP 

Queridos vicentinos do mundo inteiro;

Com alegria lhes transmito algumas palavras neste lindo tempo de Natal.

« O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo constitui um dos momentos mais adequados do ano para se reflectir, com fé, sobre o caminho vicentino que temos percorrido nas nossas Conferências, obras e Conselhos e sobre os desafios que se nos apresentam para o futuro. Nesta época do ano, voltamos o nosso olhar para o Menino Jesus que, naquele tempo, diante de todas as adversidades que sofreu com a sua família, nasceu e «habitou entre nós», (João 1,14), trazendo-nos a salvação, e testemunhando um caminho de santidade para todos.
A família de Nazaré (Jesus, Maria e José), no exílio, emigrante no Egipto (Mateus 2, 13-15), viu-se obrigada a abandonar sua pátria, sua família e seus amigos, fugindo da fúria implacável do rei Herodes. Eles são exemplos de emigrantes, que fogem das perseguições e da fome. Assim como sofreu Jesus, o mundo de hoje está repleto de carências, sofrimentos, perseguições e desarmonia. Há muitas pessoas e famílias vivendo enormes dificuldades nas suas vidas, muitas delas tendo que deixar as suas nações em busca de lugares mais seguros, necessitando da solidariedade humana e da caridade fraterna de todos, especialmente dos vicentinos por todo o planeta, que acolhem e servem, com esperança, a cerca de 30 milhões de irmãos e irmãs.
Meditar sobre as condições de vida dos mais carentes, sobretudo a respeito da crise moral e ética em que estamos inseridos, é fundamental par compreendermos os desafios que a sociedade de São Vicente de Paulo e a Família Vicentina têm pela frente, num mundo intolerantes, preconceituoso, de excluídos, desiguais e, sobretudo, pouco cristão. Não basta apenas socorrermos as necessidades de emergência. "É preciso ir além" como dizia Ozanam, aprofundando nossa acção ao identificar as raízes dos males que afligem os nosso irmãos, e propor soluções e alternativas  para reduzirmos esses males.
Aquele mesmo Jesus, que viveu entre os pobres, espera de nós uma acção concreta e eficiência! Portanto, aproveitemos o momento do Natal para fazermos um balanço da nossa acção  caritativa. Essa reflexão terna-se fundamental, especialmente agora, por ocasião da comemoração dos 400 anos do carisma vicentino, cujo tema é  «Era estrangeiro e me acolhestes» (Mateus 25,35). Que este apelo nos ajude a amenizar o sofrimento de todos os imigrantes e que eles encontrem paz, amor, respeito e acolhimento nas terras que os recebem. Que Nosso Senhor Jesus Cristo, nascido em Belém, possa abrir os corações e as mentes da humanidade para que possamos levar a "luz da Verdade" ao mundo inteiro. Que o espírito do Natal seja, de facto, uma realidade em nossas vidas e que Jesus nasça e permaneça nos nossos corações! Esse é o desejo do Presidente Geral. Que todos nós tenhamos um santo Natal do Senhor e que o ano de 2017 ("Ano de Bally") seja repleto de bênçãos e realizações.

Em São Vicente e Ozanam, deixo a todos uma saudação fraterna, com as Bênçãos de nossa Santa Mãe, a Virgem Maria. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral

    

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ernesto Falconnet 24-08-1830

Lião, 24 de Agosto de 1830

   Senhor Ernesto Falconnet.

   São quase dez horas, almocei bem, o estômago está saciado, nada me dói, não sinto qualquer necessidade, em volta de mim tudo está suficientemente tranquilo, o espírito está pois tão livre quanto possivel, tão livres como é necessário para escrever ao muito alto e muito poderoso senhor Cláudio Maria Ernesto Falconnet, futuro bacharel.
   Mas eis que entretanto o Senhor meu gato escalou o meu ombro e, de olho fixo sobre o que escrevo, recebe uma lição de estilo epistolar.

   Ora então, meu senhor, como vai a vossa preciosa saúde?
Que aconteceu às dores de cabeça? Como se comportam o vosso ilustríssimo espírito e o vosso génio criador? Estamos satisfeito, carrancudo, alegre, melancólico? A disposição é sombra, cercada de espressas nuvens ou, pelo contrário, esprraia-se sobre prados ridentes? Lê-se um pouco o amigo Descartes? Sobretudo, medita-se Descartes? Começa-se a filosofar e a perguntar-se o porquê das coisas? Eis o momento de se ir preparando para a grande viagem da vida, coragem.

   Pelo que me diz respeito, estou longe de saber tive a intenção de cultivar as letras e a filosofia. Mas hoje que os acontecimentos estão tão embrulhados, pode saber-se o que sobrevirá? Quem me diz se numa destas quatro manhãs não me encontrarei, como o Senhor meu Pai, na ponte de Arcole ou em Lodi, ou talvez em Londres ou Viena, com a espada na mão e a mochila às costas? Fala-se tanto de guerras que finalmente acaba-se por fazê-las; crio mesmo que é a única salvação da Pátria, pois os espíritos estão de tal maneira divididos, os partidos estão opostos, as facções tão marcadas que é em absoluto necessária uma guerra contra o estrangeiro para reunir os espíritos e impedir a guerra civil.

   Em todo o caso, suceda o que suceder, não deixarei de prosseguir os meus estudos, visto que, mesmo chegando um dia a capitão, eles não me seriam inúteis. Quem olhar a filosofia seriamente não a vendo como objecto de luxo, depressa se apercebe que a filosofia é útil em todas as situações, ao soldado como ao padre.
   Que há de mais útil a um militar do que o estudo das línguas? Não ficaria eu contente por saber o alemão e o italiano se tivesse de guerrear na Itália ou na Alemanha? Por outro lado, nada mais necessário a um militar do que a religião e, por consequência, os estudos religiosos.
A própria poesia cheja a ter por vezes a sua utilidade, mesmo no auge da guerra. A guerra é um belo assunto de inspiração; era a cavalo e com as armas na mão que David compunha os seus cantos sublimes.

   Como quer que seja, prossigo os meus estudos como habitualmente. Terminarei o meu idídio de Joana d'Arc em Vauconleurs, leio o meu Heródoto e os meus monólogos de... (1), e ao mesmo tempo a história literária da Itália, de Ginguené, em meu entender história cheia de erudição mas bastante superficial.
   Ao mesmo tempo, prossigo os meus trabalhos para a nossa obra futura. Encontrei coisas muito curiosas sobre as crenças dos Tártaros, sobre a Trindade da Índia, sobre a Trindade egípcia; tudo provas até ao presente em nosso favor.
   Procuro adquirir alguns conhecimentos preliminares sobre o sânscrito, (dado antiga língua dos brâmenes), que certamente nos será preciso estudar para conseguir êxito no nosso trabalho. Do que vi até ao presente, parece-se muito com o grego, o alemão, o latim . . . (2) sobre uma vintena de palavras que vi, eis as semelhanças que encontrei, sem dúvida acharei outras na continuação, mas tudo isto é apenas muito preliminar.

   Adeus, meu caro amigo, ama sempre o teu camarada
A.F.Ozanam

   É preciso que eu ataque o estudo desta terrível mitologia indú, que é extremamente confusa; trabalha com firmeza sobre os celtas.
_______
   (1) Nome em falta.
   (2) Várias palavras em falta.



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

CGI-PROGRAMA DE ACÇÃO 2016 / 2022

Vida Espiritual e Santidade - Reforçar a característica da SSVP de ser uma rede internacional de pessoas que buscam a santificação por meio do serviço comprometido perante os que vivem alguma situação de pobreza.
Formação - Estimular, expandir e modernizar a formação vicentina (presencial e à distância), disponibilizando, no site do Conselho Geral Internacional, aulas e cursos sobre temas diversos e em várias línguas.
Juventude - Incrementar as acções em prol das crianças, dos adolescentes e dos jovens vicentinos, apoiando projectos e iniciativas; promover o 2.º Encontro Internacional da Juventude da SSVP (Salamanca 2017).
Comunicação - Incrementar o site do CGI; publicar uma revista anual, em diferentes idiomas, como estratégia de marketing junto ao público externo (Igreja, ONGs, iniciativa privada, universidades, governos etc,).
Família Vicentina - Ampliar o relacionamento com a Família Vicentina Internacional, incrementando a colaboração e a cooperação, no sentido de fortalecer a nossa vocação e estimular iniciativas em comum. 
Regra Internacional - Incluir novos itens no capítulo "Requisitos Básicos" da Regra a respeito do funcionamento das Conferências e dos Conselhos Particulares (ou de Zona). 
Ouvidoria Geral - Criar o cargo de OUVIDOR GERAL (para português; mediador), para receber críticas, sugestões e comentários a respeito da condução dos trabalhos no Conselho Geral.
Internacionalização - Desenvolver, em parceria com os Conselhos superiores, um projecto  de expansão para que a SSVP chegue a todos os países do mundo (com metas anuais) - 60 países. Projecto "SSVP PLUS".
Secção Permanente - Fortalecer o papel da "Secção Permanente" como instância consultiva de apoio institucional e de assessoria técnica ao Presidente Geral Internacional, no processo de tomada de decisões.
Estrutura - Fortalecer o papel dos Coordenadores de Zona (dentro das Vice-Presidências Territoriais) e reestruturar as Comissões e Departamentos do CGI, reduzindo custos e ampliando a eficácia.
Idiomas - Realizar eventos e cursos que reúnam os Conselhos Superiores que falem o mesmo idioma, com o objectivo de compartilhar experiências, boas práticas e iniciativas de formação, treinamento, liderança e capacitação.
Fundadores - Adotar o Projecto "Anos Temáticos" entre 2017 e 2022 (ex: "2017 - Ano de Bailly"; "2018 - Ano de Devaux", etc) e, a realização de concursos académicos de monografias para estimular a investigação histórica sobre os fundadores.
Agregação e Instituição - Estabelecer um processo de revisão quinquenal das cartas de Agregação (Conferências) e de revisão decenal das Cartas de Instituição (Conselhos), Projecto piloto.
Cartas Circulares - Retomar a elaboração anual das "Cartas Circulares" escritas pelo Presidente Geral, seguindo a tradição vicentina, publicando-as em 31 de JANEIRO de cada ano. 
Parcerias - Envolver os conselhos Superiores no processo da tomada de decisões no âmbito do Conselho Geral, por meio de consultas prévias e projectos comuns.
Meios de Comunicação Electrónicos - Transmitir, pela Internet, ao vivo, as reuniões da direcção (em Paris) e a reunião anual de junho. Realizar video-conferências para reduzir gastos com viagem e hospedagem em París.
Planeamento estratégico - Elaborar o Planeamento Estratégico 2016-2022 em estreita sintonia com os Conselhos Superiores.
Acordos de trabalho e cooperação institucional - Firmar acordos de trabalho e convénios de cooperação institucional com as entidades "Médicos sem Fronteiras", "Cáritas" e "Cruz Vermelha", entre outras, para potencializar a actuação da SSVP nos casos de desastres naturais e tragédia.
Fundo de Apoio Instituicional - Ajudar economicamente os Conselhos Superiores de países em desenvolvimento a estabelecer uma estrutura mínima de funcionamento para melhorar a coordenação dos trabalhos em cada país. Exemplo: EUA/México.
Desenvolvimento e Ajuda Fraterna - Ampliar os projectos sociais de combate à pobreza em todo o mundo, fortalecendo o papel da CIAD e ampliando as parcerias com entidades da Igreja Católica.

   
  



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Publicação Boletim do CGI

O Conselho geral Internacional coloca à disposição de todos vicentinos a consulta de um boletim do Conselho Geral Internacional, a capa tem a seguinte indicação:
                                         

OZANAM              
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Boletim Dezembro 2016.

Para aceder clic ao lado da página onde diz: BOLETINS DA CGI/SSVP
Em 1) Boletim Dez 2016. Entre.
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NOTA: Em alternativa procure na página principal em: BOLETINS DA CGI/SSVP, Boletim Dez-2016.



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