"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

« O Condicionado »

Todos chegamos a uma conclusão definitiva, vivemos tempos difíceis, estamos condicionados de poder realizar alguns sonhos na vida que podem levar ao desespero.
Condicionados de alguma liberdade de ação porque nos empurram na vida como se fossem um carro com motor velho e não conseguimos sair da cepa-torta, como diz o povo!
Tudo mais se poderia acrescentar, mas não vemos ou não queremos ver do outro lado do passeio ou no nosso outro lado do bairro. Não valorizamos a pessoa que esteja a viver num sítio cheio de esterco, na rua tal, no jardim tal, a dormir dentro dum carro ou ar livres abandonado e que tem o direito de que lhe reconheçamos o seu valor (…) que olhemos para ele e reconheçamos que tem direito a ser colocado no centro, no centro da vida, como tivesse acabado de nascer!...
Recentemente vi e li um artigo sobre um pobre que vive na rua, vivendo anos num jardim e que lhe deu o nome a “ILHA”, pele queimada pelo sol, cabelo de tal maneira grande que se via obrigado a arruma-lo para cima dum ombro, como quem diz; chega para lá que estorvas. O Poeta Raimundo Arruda Sobrinho, escrevia poemas ou frases como estas em:  

“O Condicionado”

Esperança é o peso mais pesado.
Um homem pode carregar.
É a ruína do idealista.
Higiene do material.
Higiene Mental.

Estas frases escritas pelo velho poeta Raimundo.
Exercitava a sua brilhante memória escrevendo. Ele morava num lugar qual ele chamava
“A Ilha”.
Quando eu vi Raimundo pela primeira vez, ele deu-me um dos seus poemas. Daquele momento em diante, senti que tinha de fazer parte da minha vida pois dedicava os seus tempo na Ilha a escrever, todos os dias escrevia folhas de poemas.
O Raimundo escrevia e algumas frases escolhidas por ele:
Aqui eu não sei qual é mais difícil de praticar. Em cada frase assinada o seu pseudónimo:
“O Condicionado”
Nas conversas havidas com uma senhora amiga que a partir daí ficou a fazer parte da sua vida dizia que o Raimundo sempre quis publicar um livro com os poemas, mas se tornava difícil porque ele morava na rua, de certa maneira tornava-se impossível.
Pede à sua amiga de agora em diante, que o ajudasse a publicar um livro, a ser reconhecidos como homem e como artista, um poeta.

“Raimundo Arruda Sobrinho”
As pessoas com o continuar dos tempos, começaram apreciar o senhor que vivia no jardim, em São Paulo e começaram a parar a falar e manifestarem-se com alguma vergonha la iam dizendo que tinham alguma vergonha de se abeirar dele, pelo seu aspeto de cabeludo mal cheiroso, barba grande mas continuava a escrever os seus poemas e então algo inesperadamente de um seu irmão que o queria conhecer.
Seu irmão agora reapareceu ao fim de cinquenta e sete anos eu pude te encontrar. Quando cheguei à ilha, encontrei um homem no meio do lixo, peludo e sem barba, sem qualquer higiene, sabendo que essa pessoa era meu irmão.
Depois de ter sido sugerido ao seu irmão Raimundo para ir com ele viver para sua casa em Goiana, Brasil estávamos no ano 2014, nessa altura era um convidado pelo seu irmão la foi com ele viver para caso do irmão. A partir daí, ele, já não se sentia como convidado, mas sabia que tinha uma família. Para a autora não existiu palavras que pudesse justificar a sua alegria por ter ajudado. Agora finalmente, nós vamos publicar seu livro, desabafo da sua amiga.
O sonho dele esta se tornando uma realidade, depois de tanto tempo.

"Maldito é o homem que se abandona"

Estas seis palavras mostram:
Que pior da situação nunca é, nunca deve um homem, considere isso perdido

Assinado
O Condicionado

Raimundo Arruda Sobrinho