"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Acolher a Palavra de Deus e conservar o ardor da caridade

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Acolher a Palavra de Deus e
conservar o ardor da caridade

Uma das mais bonitas intenções da “Oração Universal” na Santa Missa é quando rogamos ao Pai Celestial para que “saibamos acolher a Palavra de deus, assim como fez a Virgem Maria e, como Ela, conservamos o ardor da caridade”. Nossa Senhora, exemplo incontestável para os cristãos, é modelo de santidade e de amor de Deus. Devemos ser como Ela, que nos ensinou a viver a Palavra e a praticar a caridade com os que viviam em situação de pobreza material e espiritual.
     
“Acolher a Palavra de Deus”, para nós vicentinos, é muito mais que simplesmente ler passagens bíblicas ou o Evangelho do domingo na residência dos assistidos. Significa entronizar, nos nossos corações e sentidos, o real amor de Cristo pela humanidade, na busca das virtudes essenciais para a vida em comunidade, como a simplicidade, a humildade e a generosidade. Acolher a Palavra é mais que levar a Bíblia debaixo do braço; é vivenciar cada alerta ou recomendação de Jesus no sentido de construir um mundo justo e solidário.

“Conservar o ardor da caridade”, assim como fez Maria Santíssima, é outro comendo expresso de Jesus, direcionado especialmente para todos nós, vicentinos. Não podemos jamais perder a esperança e o ardor na caridade, pois só assim mais perder a esperança e o ardor na caridade, pois só assim iremos atingir nossos objectivos maiores: a promoção dos socorridos e a santificação de todos os confrades e consorcias. Não há como negligenciar nesse quesito: ou somos caridosos nas 24 horas do dia, ou fingimos que somos cristãos.

O pedido da Igreja para que os fieis acolham a Palavra de Deus e conservem o ardor da caridade é, acima de tudo, um pedido divino. Deus mesmo, que amou tanto o mundo, pede-nos que façamos igualmente, em nome d’Ele, por meio da vivência do evangelho e da caridade. É impossível “acolher a Palavra” e não se entregar inteiramente à prática da caridade. Como nos falou São Tiago: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2,17).
     
É por isso que há plena conexão entre “fé” e “caridade”. Sem essa relação, a fé, sozinha, padece de prática efectiva para se manifestar; assim como a caridade, por si só, sofre de falta de conteúdo para se materializar. Em outras palavras, a fé sem obras é equivalente a um “egoísmo espiritual” e a caridade sem fé se reduz a mero “ativismo social”.  Em nenhuma hipótese, como filhos de Deus, batizados e missionários, podemos perder o ardor da caridade nem descuidar da vivência da Palavra, sob pena de deixamos de ser o que somos.
    
Por isso, nós, vicentinos, não podemos nos descuidar da nossa vida espiritual, para que nossos atos de caridade sejam sempre cheios de profundidade evangélica e força interior para modificar a situação tão excludente na sociedade. Se tivéssemos bastante fé, poderíamos mudar o mundo (“Se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda…”), como nos recordou Cristo em várias ocasiões (Lc 17,6). Fé e caridade andam de mãos dadas e com elas é possível buscar o Reino de Deus entre nós.  
   
Participar da santa missa dominical, frequentar retiros e horas santas, comparecer a eventos da espiritualidade promovidos pela Igreja ou pelos Conselhos Vicentinos, além da prática dos sacramentos e dos mandamentos, são actividades e posturas que constituem caminhos seguros para que o vicentino esteja sempre atualizado e preparado para os desafios que se apresentam no quotidiano da ação junto aos que sofrem. Sem esse combustível espiritual, a missão vicentina que empreendemos se enfraquece e morre. É isso que queremos?
 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não amemos com palavras mas com obras!

«Não amemos com palavras, mas com obras»
«Do Papa Francisco»

      Graças ao Senhor, muitas pessoas se encontram com Fé viva por meio da SSVP. É para nós Sociedade, louvor a Deus a confirmação que o caminho que percorremos está certo.
      Amar o pobre é o mesmo que como se ama a Deus e através dele, protegemos os mais fracos e desprotegidos. Todos sabemos que a caridade de faz dia-a-dia, mesmo que façamos estes dias de férias vicentinas como lhe querem rotular ao descanso. Mas Deus sabe bem o que faz, como «fez a SVP», deu-nos as voltas e lá estivemos a apoiar uma pessoa que pelo seu aspeto fisicamente um calmeirão, na casa dos 40 anos, mas diminuído moralmente e fisicamente pois parece uma pessoa na casa dos 60. Diminuído moralmente; porque ele como desabafo deixou-me um Apelo: «por favor ligue-me pois não tem ninguém como quem falar…» Diminuído fisicamente; porque foi-lhe amputado uma perna e como tal sente-se diminuído, deprimido, sobre a falta de um membro e perante os olhares dos outros. Ele olha para nós não de frente, mas de cabisbaixo… 
      O Para Francisco irá celebrar no próximo dia 19 novembro, instituído pela Carta Apostólica «Misericórdia et Misera» o “1.º Dia Mundial do Pobre”. Esperamos que ao ser instituído este dia seja marcante para toda a Igreja onde fazemos parte, um marco histórico para todos os cristão e sociedade civil.
      A convite do Papa Francisco fez apelo para que guardemos esse dia dedicado inteiramente aos nossos pobres, com muitos momentos de oração, convívio, solidariedade e “ajuda concreta”.
      O Domingo é dia do Senhor, por isso guarda esse dia para a Amar a Deus não através dos Pobres, mas com os Pobres. Será aqui, que debato com estas poucas palavra como reflexão, deixo a todos.

«por favor ligue-me para ter com quem falar!»

      É com esta frase como reflexão, vamos pensar um pouco nesta frase e pô-la em Obras de Caridade, no dia-a-dia e que não nos passe ao lado estes apelos semelhantes. Temos reafirmado que nas Obras que praticamos como vicentinos é no caminho que fazemos ao lado do Pobres, na visita, no viver um pouco as suas dores, é pratica da caridade, que fazemos o que os outros não sabem fazer: é substituirmos o estado do seu lugar, que não têm capacidade de saber. Amar. Um governo é uma instituição de homens frios, sem coração, sem alma. Como podemos entregar as nossas almas dos nossos pobres a pessoas sem rosto, e frias que se escondem nos gabinetes!

      Por último reforço o apelo feito (vêr o BP páginas 2 ao 7), o apelo do Papa dirigida aos irmãos; bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres – às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se «comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres», se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Cuidar do espírito e da nossa salvação

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Cuidar do espírito e da nossa salvação

    A vida moderna é bastante agitada. Casa, trabalho, escola, contas a pagar, banco, reuniões, vizinhos, viagens, celular, parentes, facebook, televisão, computador, internet. São tantos afazeres e tantos atrativos, que às vezes pedimos a Deus que o dia tivesse umas 30 horas, pelo menos. Tudo muito corrido, superficial, descartável e efêmero; as aparências e os bens materiais tomam conta do cotidiano. Festas, bares, reuniões de amigos, carros, roupas…
        É evidente que a nossa existência deve ser plena em termos sociais e económicos; afinal, somos humanos e Deus nos deu uma vida cheia de oportunidades, ao nos conceder saúde, inteligência, disposição e criatividade. Mas, diante de tantos elementos que chamam a atenção do mundo, percebe-se que o tempo para as coisas divinas está cada vez menor. Por isso é tão difícil recrutar novos membros para as Conferências Vicentinas.
        Cuidamos do nosso físico (academias e parques lotados), do nosso intelecto (escolas, faculdades, mestrados), da nossa alimentação, vestuário, habitação, empregabilidade; mas será que temos dedicado tempo suficiente para Deus? Será que compartilhamos com os mais humildes os bens materiais que possuímos? Cuidamos da dimensão espiritual em nosso ser? Reservamos um tempo semanal para a caridade? Observando a sociedade civil que nos rodeia, percebemos que o tempo destinado aos assuntos religiosos, espirituais e santificados se reduz drasticamente a cada geração. A secularização (que ocorre quando a religião deixa de ser o aspeto cultural e agregação da sociedade) e os meios de comunicação contribuíram muito para que só temas sacros fossem substituídos pelo “politicamente correto”, sendo banalizados e tornados sem importância. Os valores da família, por exemplo, foram completamente destruídos e ai de alguém pensar diferente em relação à domesticação que contamina nossas mentes pelas telenovelas!  
        Ao tratar deste assunto, faz-se fundamental criar uma passagem bíblica em que Jesus nos ensina o que, de fato, deve ser o centro de nossas vidas. No Evangelho S. Lucas (capítulo 10, dos versículos 38,42), encontramos a visita de Jesus à casa de marta, que tinha uma irmã chamada Maria. Maria ficou sentada aos pés do mestre para ouvi-lo, enquanto Marta se distraía com as tarefas domésticas. Jesus, ao perceber as reclamações de Marta a respeito da irmã, disse: “Marta, Marta, está ansiosa e perturbada com muitas coisas. Mas uma coisa só é necessária e Mara escolheu a melhor parte, a qual não será tirada dela”.
        Assim como Marta, às vezes estamos tão preocupados co os afazeres diários que não percebemos a “visita do Senhor em nossas casas”, em nossos corações, em nossas vidas. Muitos nem notam ou sentem a presença Dele. Muitos não tem tempo para participar da missa ou receber os sacramentos. Muitos não colocam Deus como prioridade em sua caminhada. Muitos são ingratos com o Pai Celestial e não agradecem por tudo o que têm. Muitos se ocupam demasiadamente do trabalho, ficam estressados e precisam gastar verdadeiras fortunas com terapias e psicólogos.
        Noutro trecho das Escrituras (Mt 6,31-34), Jesus exorta à multidão. “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia do amanhã cuidará de si mesmo. Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas”. Primeiro, deus e o espirito; depois, as demais coisas. Jesus nos ensinou o mais importante, isto é, ouvir e seguir as palavras do Salvador; depois, o restante. Lamentável é constatar que a sociedade contemporânea consegue encontrar tempo e atenção para tudo, menos para o Altíssimo. Cuidemos do espirito! Cuidemos da nossa salvação! Cuidemos dos Pobres do Senhor!  
                                                                                                                                 Crónicas vicentinas de; Renato Lima, Cgi